DÚVIDAS

Adictos + adição
Por pressão do inglês e, creio, também do espanhol, começam a aparecer nos nossos meios jornalísticos as palavras "adição" e "adicto" com o significados de "dependência" e "dependente" respectivamente. Quanto a "adicto", já numa resposta vossa esta forma foi olhada favoravelmente, pois existia em latim a forma "addictu". Mas quanto a "adição", parece não haver lógica nenhuma, e foi mesmo reprovada por outra resposta vossa, pois parece ser uma versão mutilada da que poderia corresponder a "addiction" ou "adicción". Mas se "adicto" é aceitável, seria também aceitável aportuguesar aquelas formas estrangeiras sem as mutilar ? Isto é, será também aceitável usar a palavra "adicção", já diferente da simples soma? Obrigado.
Solarengo dif. de soalheiro/ensolarado
A propósito de solarengo, julgava eu que era asneira aplicar o termo no sentido de ensolarado. Até que encontrei no novo dicionário da Academia das Ciências de Lisboa. Como é possível? Alguém o explica? Outra questão: soalheiro refere-se apenas a exposição de locais ou também a tempo, por exemplo uma manhã soalheira ou ensolarada? Ou estão os dois termos correctos? Curiosamente, poucos dicionários registam ensolarado.
"Scâner", mais uma vez
Não fiquei nem convencido nem satisfeito com a resignação em aceitar a forma "scâner"como legítima, embora adoptada pelo distinto Dic. Academia. Considero a argumentação apresentada pelo consulente que deu uma breve nota histórica sobre o seu primeiro uso, muito pertinente. Então os ingleses, como é hábito, vão ao Latim buscar o que lhes convém ("to scan", abreviado de "scandere", e nós, os membros da família, vamos servilmente copiar o que fizeram os bárbaros anglo-saxões, em vez de puxarmos pelos nossos pergaminhos? Não será sem protesto... Proponho que se use "escansor", para o aparelho, "escandir" ou "escander" para o acto e "escansão" (claro que não confundir com "escanção", da área da enologia), para o resultado. E não digam que é mais complicado, porque só tem mais uma letra. E também não me parece que tenha importância uma palavra ser oxítona e a outra ser paroxítona. Sou da opinião de que devemos ser menos acomodatícios em relação aos estrangeirismos, quando se puderem facilmente evitar ou quando eles realmente se fundam nas nossas raízes linguísticas, como este. Alguém para erguer esta bandeira?
Usos da preposição + omissão de artigo
Na frase «chegou ao estábulo toda molhada», o artigo definido ao resulta da contracção da preposição a com o artigo o. No entanto, se em vez de um estábulo for uma casa, eu diria «chegou a casa toda molhada» (sem fazer a contracção da preposição a com o artigo a). Nesta frase poderá surgir a dúvida se quem chegou foi a casa ou se alguma coisa chegou a casa toda molhada. Penso que «chegar a casa» e «chegar à casa» têm sentidos diferentes, mas o facto é que se o destino for masculino a questão não se coloca pois a contracção dissipa as dúvidas. É errado não fazer a contracção ou o correcto seria dizer «chegou à casa toda molhada» (fazendo a contracção da preposição a com o artigo a)? Será que é errado apenas porque estou a omitir o sujeito e, por este motivo, é mais difícil inferir o sentido da frase?
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa