DÚVIDAS

Divisão e classificação de dois versos de Fernando Pessoa
Em primeiro lugar, parabéns pelo vosso trabalho, tão útil a quem se interessa pelas questões linguísticas e quer saber cada vez mais. Por me terem surgido dúvidas em relação à divisão e classificação de orações em dois versos de Fernando Pessoa («Minha alma é indistinta/ Não sabe o que quer»), venho solicitar-vos que me esclareçam se existem na frase duas ou três orações e como devemos classificá-las. A dúvida surgiu-me depois de ter visto em sugestões de correcção de uma Ficha de Avaliação respeitante ao 12. º ano a indicação de três orações. Afinal a frase contém duas ou três orações?
De novo o plural dos nomes próprios
Tendo lido a vossa explicação acerca do plural dos nomes próprios, não pude deixar de confirmar o que dizem Nunes Figueiredo e Gomes Ferreira no Compêndio de Gramática Portuguesa: «os substantivos próprios têm plural quando se referem a membros da mesma família: os Pachecos, os Fonsecas, os Stuarts; ou quando, em vez de se referirem às pessoas, representam as qualidades que as notabilizaram: os Camões; os Alexandres.» Contudo, na Gramática da Língua Portuguesa de Maria Helena Mira Mateus, que contempla a Nova Terminologia do Português, que há-de entrar em vigor a partir do próximo ano lectivo nas nossas escolas, considera-se o plural dos nomes, mas afirmando-se que «o que tipicamente não podem é manter a sua interpretação de nomes próprios». Aliás, lendo o que se segue, compreende-se a lucidez dos linguistas, mas também se percebe a contradição para dar voz ao uso de que, inevitavelmente, vive a língua. Assim, neste caso, o contraste parece-me mesmo morfológico e não tanto de «interpretação semântica» como na mesma gramática se quer fazer crer. Será assim? Grato pela atenção.
Planeador? Planejador?
É curioso que apenas no recente Grande Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, e na edição portuguesa do Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, encontrei o vocábulo «planeador», especialista que planeia algo. Nos dicionários brasileiros (Houaiss e Aurélio, por exemplo) encontra-se «planejador», aquele que planeja. Conhecem-se as discrepâncias entre o português de Portugal e o do Brasil. Consultado o Dicionário Compacto da Língua Portuguesa, de António de Morais Silva, o respeitado dicionário de Morais, embora já antiquado (dicionários não me faltam aqui...) encontro «Planear, planejar» (não distinguindo este dicionário se há preferência de uso de um ou do outro em Portugal e no Brasil), mas não encontro «planeador» ou «planejador». Não tive tempo de consultar todos os outros que possuo, mas estou convicto de que mais nenhum admite «planeador», além dos dois citados. Que pensam deste vocábulo os detentores e autores deste "site" (...)? Não há realmente outro modo de exprimir a designação daquela profissão ou actividade, penso eu. Em Portugal «planeador». No Brasil «planejador». As línguas são dinâmicas. Aceitemos.
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