DÚVIDAS

Sobre o uso de desordem e perturbação
Será correcto usar «desordem» no sentido patológico de «perturbação»? No dicionário Houaiss não se grafa tal significado, e parece-me que se trata de uma tradução bárbara do inglês "disorder", que é aqui um termo médico comum para «perturbação», tal como "condition". Ora, não se diz em português, parece-me, «Tenho uma desordem mental» ou «Tenho uma condição na pele», mas, sim, «Tenho uma perturbação mental» ou «Tenho uma perturbação na pele». Podem esclarecer-me? Obrigado pela ajuda e continuação do excelente trabalho!
As formas têm e tẽem, de ter
Por que motivo se abandonou a forma "teem" por "têm", quando a pronúncia se calhar até recomendaria uma forma que ligasse a "entretém", "também", "Sacavém", ou seja, uma hipotética forma "téem"? "Téem" mantém as duas sílabas visualmente correspondentes à pronúncia. E se "têm" tem de ser lido com duas sílabas, então porquê termos "vêm" por "véem", mas termos só "vêem", este sim perfeitamente lógico, com duas sílabas. Ainda por cima, "ê" não corresponde em mais nenhum caso senão nos "-êm" ao som "â" (peço desculpa por não saber utilizar o alfabeto fonético). Já "é" por "â" é comum nos tais "-ém".
A forma da conjugação pronominal sede-o (verbo ser)
Trata-se aqui de dizer um texto setecentista francês, onde naturalmente predomina a segunda pessoa do plural. A dúvida foi-me suscitada hoje, já que a tradução em causa utiliza a conjugação que eu própria considerava correcta e que é, pelo menos enquanto não me habituar à ideia, mais confortável à elocução. A frase em causa é a seguinte: «E se não vos sentis tocado pelo vosso interesse, sede-lo ao menos pelos meus rogos...» Uma opinião altamente qualificada defende que a forma correcta do imperativo será «sede-o». A verdade é que não me convenceu completamente, mas abalou irremediavelmente a minha certeza. Agradeço desde já a vossa ajuda.
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