DÚVIDAS

O significado da expressão «dar porrada de cego»
Ao ler uma composição de Camões, deparei-me com a expressão «dar porrada de cego». Gostava de saber se é uma expressão idiomática. Além disto, há algum dicionário dos termos utilizados por Camões? Agradeço a atenção e envio a composição. A este moto seu: Venceu-me Amor, não o nego; tem mais força qu'eu assaz; que, como é cego e rapaz dá-me porrada de cego! Volta Só porque é rapaz ruim, dei-lhe um bofete, zombando; diz-me: – Ó mau, estais-me dando porque sois maior que mim? Pois se eu vos descarrego... em dizendo isto, chaz! torna-m' outra. Tá! rapaz, que dás porrada de cego! Camões Muito obrigada.
Orações subordinada infinitiva, coordenada alternativa e subordinada condicional
Nas frases «Aconselhei-a a não sair de casa» e «Estou cansado, senão ainda íamos trabalhar», como divido e classifico as orações? No caso da primeira frase, a preposição pertence à subordinante ou à subordinada substantiva infinitiva? Na segunda, a ideia de condição parece estar patente, mas não me parece bem afirmar que a segunda é adverbial condicional, quando a condição está na primeira, como indica esta frase de sentido equivalente: «Se não estivesse cansado, ainda íamos trabalhar.» Os meus agradecimentos.
Orações subordinadas substantivas infinitivas seleccionadas por deixar
Gratas saudações pelo excelente serviço prestado. Esclareçam-me, por favor: considera-se que só existe oração subordinada substantiva infinitiva quando esta contém uma forma verbal no infinitivo pessoal (Ex.: «É bom respirares este ar.»). Como dividir e classificar, então, as orações presentes na primeira frase de uma carta que Eça de Queirós envia ao seu amigo Oliveira Martins: «Deixa-me primeiro dar-te algumas notícias minhas.»
Orações interrogativas ‘vs.’ orações completivas
A TLEBS não refere as orações interrogativas indirectas, classificando-as apenas como completivas. Porém, se nos orientarmos pelo que aí é dito sobre este tipo de subordinadas, ficamos sem saber como devem ser analisadas frases do tipo das que seguem: 1. Diz-me como te chamas. 2. Ignoro onde ela vive. 3. Perguntei quando regressavas. 4. Não sei que aluno faltou à aula. 5. Não sei quantos alunos faltaram às aulas. De facto, a TLEBS não fala de advérbios interrogativos e parece não fazer referência a determinantes interrogativos. Aliás, a enumeração dos vocábulos que, segundo a TLEBS, podem introduzir subordinadas completivas não inclui nenhum dos que acima utilizamos. Que devemos concluir? Ainda outra dúvida: como devemos dividir e classificar as orações na frase «Não sei (o) que tenho»: a) Subordinante: «Não sei o (=aquilo)»; Subordinada relativa: «que tenho»; ou b) Subordinante: «Não sei»; Subordinada completiva (interrogativa indirecta?): «o que tenho.» Muito obrigada.
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