Preposição antes de quanto relativo
Primeiramente queria dizer que somos apaixonados pela língua portuguesa e por isso partilhamos tal momento gostoso. Parabéns!
Não encontro, em gramática nenhuma, referência à presença de preposição antes do pronome relativo quanto, por isso gostaria de saber se devo, ou não, colocar preposição se o verbo ou um nome da oração subordinada adjetiva exigir. Além disso, pelas gramáticas que eu pesquisei, só encontrei duas funções sintáticas (sujeito e objeto direto) para o relativo quanto; só existem essas duas funções sintáticas para ele?
Por favor, elucidem as duas questões! Muito agradecido mesmo!
O pronome átono nos com função apassivante
A propósito da resposta muito gentilmente dada pela professora Maria João Matos, gostaria de saber ainda se, no caso da frase «Ele se operou ao apêndice», em que se considerou o pronome se como passivo, houver uma troca de pronome pessoal para, por exemplo, «Nós nos operamos ao apêndice», esse nos também deve ser classificado como nos passivo. A classificação sintática seria, então: nos, pronome apassivador?
«Desejo-vos a ti e à tua família feliz Páscoa»
Somente uma curiosidade: o que é mais correto ou usual em Portugal: «desejo-vos a ti e à tua família feliz Páscoa», ou «desejo-te a ti e à tua família feliz Páscoa». Poderiam fundamentar a sua resposta?
Formas de tratamento: senhora e senhorita
Gostaria de sanar uma dúvida: no envio de correspondências para uma mulher solteira, com cargo público, independente do nível hierárquico, deve-se usar o pronome de tratamento senhora, ou senhorita?
Obrigada pela atenção.
Formas do pronome pessoal com função de complemento indirecto
Li uma frase e fiquei com dúvida sobre o verbo. A frase é: «Cabe a vós investigar.»
1. A frase está correcta?
2. Existe uma regra para o verbo concordar ou não com o sujeito?
3. A construção «cabe a eles investigarem o caso», com o verbo a concordar com o sujeito, parece-me mais correcta.
O eu: deíctico pessoal e deíctico indicial
No texto «Do corredor, onde ela enfiava o vestido aos puxões, como se lutasse com as fúrias desencadeadas, a Dona Alzira gritou-me alegremente: "Não sejas calisto, homem de Deus! Até mete azar! Há agora pressa, qual o quê, está um tempo lindo, e com os dias compridos o que falta é tempo para a gente gozar! E depois, que importância tem isso, se eu for um bocado mais tarde?... É só carregar no pedal, e pronto!" E a velha senhora ria, ria nervosamente, perdida dentro do corpete do vestido apertado», de José Rodrigues Miguéis, tomando como referente «Dona Alzira», considera-se que o «eu», expresso dentro do discurso directo da personagem, é um termo anafórico (anáfora), ou, tendo em conta que é um discurso directo e que não se pode substituir por «Dona Alzira», considera-se apenas como deíctico pessoal?
Obrigada pela ajuda!
Deícticos pessoais
Pelo que tenho consultado, a deixis pessoal inclui (entre outros) os pronomes pessoais de primeira e segunda pessoas, pois são marcas que identificam o sujeito da enunciação e o(s) interlocutor(es), deixando de fora a terceira pessoa, visto ser considerada uma "não-pessoa". No entanto, em alguns casos ficam-me algumas (ou muitas) dúvidas.
Por exemplo, imaginemos uma conversa em que participam três pessoas e uma delas diz: «— Amanhã, eu, tu e ela vamos ao cinema.» Não será o pronome ela também um deíctico pessoal (tal como eu e tu), já que faz parte de um sujeito composto (equivalente a nós) e, para além disso, aponta para alguém que também participa no acto de fala?
Ou ainda outra situação hipotética: perante a questão «— Quem é a Joana?», o interlocutor responde «— É ela» (acompanhando a resposta com um movimento de cabeça ou apontando...). Nesta situação, o pronome pessoal ela não será um deíctico com um valor demonstrativo?
Agradeço a atenção.
Perspéctico
Será incorrecto escrever «espaço perspectico» e «dispositivo perspectico» para caracterizar quer o tipo de espaço visual concebido pela perspectiva geométrica quer o conjunto de saberes e técnicas que permitem essa construção? Os dicionários gerais que consultei consideram o termo inexistente. Se o é, qual será a melhor alternativa, «espaço em perspectiva» e «dispositiva da perspectiva»?
A colocação de pronomes átonos em frases interrogativas
Corre pelas televisões [portuguesas] um anúncio do BCP, onde o apresentador Jorge Gabriel dialoga com o barbeiro, o actor João d´Ávila, e este lhe pergunta:
— Que recomendas-me, Jorge?
A minha dúvida é a seguinte: «Que recomendas-me, Jorge?», ou, antes, «Que me recomendas, Jorge?»
Muito obrigada.
O uso de vós, novamente
Gostaria de saber a opinião de peritos sobre a seguinte questão:É correcto dizer, quando referido a um grupo (o mesmo grau de formalidade nos dois casos; amigos íntimos, por exemplo):«Vós quereis...»«Vós ides...»«Vós tendes...»ou «Vocês querem...»«Vocês vão...»«Vocês têm...»Tenho para mim que a segunda opção (o tratamento por você/vocês e utilização da terceira pessoa do plural) e o desaparecimento da segunda pessoa do plural (esta é ainda, mas ironicamente, ensinada na escola básica) é uma corruptela da língua induzida pela influência brasileira. Terei razão?Podemos ter o caso anedótico de uma professora ensinar «Nós comemos, Vós comeis, Eles comem» e rematar com «Perceberam?» em vez de «Percebestes?»?Obrigado.
