DÚVIDAS

Classificar orações em discurso indirecto
Gostaria de saber como se classificam as frases complexas cujas orações se repartem pela introdução do discurso directo e o discurso directo propriamente dito. Exemplo: «Quando o José abriu a caixa disse:— É para mim!» Atentando na frase/oração introdutória, se a 1.ª oração é facilmente classificável (subordinada adverbial temporal), já a segunda, ao reduzir-se apenas ao verbo declarativo «disse», suscita algumas dúvidas, pois um dos constituintes fundamentais deste verbo — o complemento directo (CD) — é enformado pela frase simples já em discurso directo. Assim, poderá «disse» ser considerado por si só oração subordinante ou, pelo contrário, e como está em falta um dos elementos essenciais por ele pedido, não poderá de modo algum sê-lo? Caso não possa considerar-se como oração principal, como classificá-lo? E a oração subordinada adverbial continua a sê-lo? Quanto à frase já em discurso directo («É para mim!»), devemos classificá-la como frase simples (porque o é por si só), ou, sabendo nós que se trata do CD do verbo declarativo antecedente, devemos analisá-la na sua forma de discurso indirecto e classificá-la como oração subordinada completiva? O mesmo para «Penso — disse meu pai — que te darás melhor em letras»: «disse meu pai» — frase simples, ou, convertendo toda a frase para o discurso indire{#c!}to («O meu pai disse que pensava que me daria melhor em letras»), oração subordinante? Já agora, aproveito para colocar a mesma questão em relação a frases complexas na interrogativa. Exemplo: «Será que expulsá-lo da aula foi bem pensado?» Espero ter sido clara na exposição da dúvida. Obrigada.
Frases que (não) dispensam a vírgula
Há tantos anos que me enriqueço com o vosso site… chegou a minha vez de colocar uma questão. (1) «Utilizo o dicionário, quando não compreendo o significado das palavras.» (2) «Faço anotações, enquanto leio.» (3) «Verifico a ortografia, quando tenho dúvidas.» (4) «A compreensão torna-se mais fácil, quando o leitor coloca previamente perguntas sobre o tema do texto […].» Bem sei que, de acordo com Celso Cunha e Lindley Cintra, devemos utilizar a vírgula «para separar as orações subordinadas adverbiais, principalmente quando antepostas à principal». No entanto, parece-me que as frases acima dispensam a vírgula (pior: parece-me um erro). Aliás, na Nova Gramática, um dos exemplos a que os autores recorrem para ilustrar as orações subordinadas adverbiais temporais é «Renovaram a fogueira até que chegasse a luz da manhã.» Deve-se ou não se deve utilizar a vírgula nestes casos? Agradeço antecipadamente a vossa resposta e dou-vos os parabéns pelo magnífico trabalho. O Ciberdúvidas é uma pérola.
O advérbio claramente, as orações relativas e o conjuntivo
Num destes fóruns que hoje há pela Internet surgiu esta discussão após eu ter advertido para o erro que a seguir passo transcrever: «Mas merece claramente ser ouvido. E com atenção. Ouvido outra vez para percebermos todos os pormenores. Eu confesso que ainda sinto que estes dois álbuns têm mais para eu descobrir. Merece claramente o tempo que se perca (ou ganhe!!!) com ele e merece estas linhas todas que estou a escrever!! E volta a reforçar as minhas preferências: Manuel Cruz é um verdadeiro artista e um verdadeiro homem da música!»A advertência era para isto: «Merece claramente o tempo que se perca (ou ganhe!!!) com ele e merece estas…» Disse eu que o modo a usar no verbo perder deveria ser o indicativo, porquanto o claramente assim o exigia. Como certezas não tenho, embora me pareça estar correcto no meu raciocino, peço-vos a vossa ajuda. Grato pela vossa atenção.
Orações subordinadas substantivas subjectiva e predicativa
Como identificar se uma oração é subordinada substantiva subjetiva ou predicativa? Muito por favor, sejam minuciosos, porque, pra mim, não há diferença alguma em dizer que «É fato que todos estudam» a oração seja subordinada substantiva subjetiva, ou seja, «Isto [que todos estudam (sujeito)] é fato» de «Fato (substantivo, logo núcleo do sujeito) é [que todos estudam] (predicativo)». Ajudem-me! Mui grato.
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