DÚVIDAS

Sobre a elipse
Por mais que eu tenha exaustivamente lido sobre o assunto, não consigo identificar quando uma oração está elíptica ou não. Exemplo retirado de uma das provas de concurso mais conhecidas do Rio de Janeiro, Brasil: Qualquer canção de amor 1 – É uma canção de amor 2 – Não faz brotar amor e amantes 3 – Porém, se esta canção 4 – Nos toca o coração 5 – O amor brota melhor e antes (Chico Buarque) O gabarito foi o seguinte: há elipse apenas na última frase, mas não há elipse na segunda frase. É isso que eu não entendo! Por que não há elipse na segunda frase?! Ajudem-me! Obrigado.  
O modo verbal depois do verbo dizer
Na transposição do discurso directo para o discurso indirecto, o imperativo passa a ser substituído pelo modo conjuntivo. Contudo, algumas, poucas, gramáticas também referem o infinitivo (pessoal ou impessoal?). «O farmacêutico disse: — Espera a tua vez, menino!» Este exemplo poderá dar origem à frase seguinte: «O farmacêutico disse ao menino para esperar a sua vez», ou «O farmacêutico disse para esperar a sua vez»? São frases gramaticalmente correctas e a sua estrutura é própria de um registo de língua normal (padrão)? Obrigada pela atenção.
«Espero não perdermos o ônibus»
Gostaria de saber dos especialistas do Ciberdúvidas o que acham quanto à gramaticalidade, adequação e registro da seguinte frase, dita ontem pela minha esposa, que é tcheca, mas fala excelente português: «Espero não perdermos o ônibus.» Não me parecendo tão comum dita construção, creio que usar o subjuntivo aí teria sido mais corriqueiro — «Espero que não percamos o ônibus» —, ou mais popularmente, pelo menos no Brasil, «espero que a gente não perca o ônibus». Gosto do jeito que ela raciocinou: se o infinitivo (acredito pessoal neste caso) se usa com o verbo esperar quando o sujeito de ambas as orações é o mesmo («espero pegar o ônibus», melhor do que um estranhíssimo e talvez agramatical «espero que eu pegue o ônibus»), não se poderia usá-lo também no referido caso, apenas acrescentando-lhe a marca de primeira pessoa do plural -mos? Daí vieram-me à mente casos, na minha percepção menos freqüentes, como «Creio terem razão» (em vez de «Creio que têm/tenham razão») e por isso acho bem possível que a frase supracitada seja gramatical (e pessoalmente acho-a muito elegante, portanto espero uma resposta positiva da parte do Ciberdúvidas). Muito obrigado pela ajuda a dirimir esta questão. O sempre amigo do Ciberdúvidas,
Oração subordinada adverbial condicional e presente do indicativo
Ao folhear um livro de Português (12.º) da nova reforma, deparei-me com o seguinte exemplo de uma oração subordinada adverbial condicional: «Se está a chover, vou de carro.» Nunca antes tinha visto em qualquer gramática orações condicionais em que ambos os verbos estavam no presente do indicativo. A meu ver, uma oração condicional pressupõe uma dúvida/hipótese, pelo que, se o verbo que precede a conjunção se se encontra no presente do indicativo, constatar-se-á um facto ao invés de se colocar uma hipótese. Esta constatação leva a uma relação causa-efeito e não a uma condição. É a minha dúvida legítima?
«Foram eles os vencedores»: frases identificacionais, de novo
Num recinto desportivo, vai proceder-se à entrega de medalhas à equipa que venceu a final e à finalista vencida. As duas equipas, uma constituída apenas por rapazes e a outra apenas por raparigas, encaminham-se para o pódio. Na bancada, trava-se o seguinte diálogo entre um espectador [E1], muito surdo e muito maçador, que acaba de se sentar, atrasadíssimo, sem ter tido oportunidade de assistir à partida, e um outro [E2], atento, que sabe tudo do torneio porque assistiu às partidas todas: E1 – Quem são os vencedores, eles ou elas? E2 – Os vencedores são eles. E1 – E eles são quem? E2 – Eles são os vencedores! E1 – Eles são os vencedores? E2 – Sim, eles são os vencedores! E1 – Os vencedores são elas? E2 – Não, os vencedores são eles! E1 – Os vencedores são, então, eles… E2 – Sim, são eles os vencedores! E agora chiu, que vai tocar o hino. «[…] Em conclusão, sempre que uma frase já contenha um pronome nominativo, então está identificado o sujeito, porque um pronome nominativo substitui unicamente o constituinte que desempenha essa função sintáctica. […]» - Sandra Duarte Tavares, 25/02/2008 Se bem entendo mais este esclarecimento do Ciberdúvidas, que agradeço, o sujeito, em todas as frases do diálogo acima ficcionado, é «eles» ou «elas»; o predicativo do sujeito é sempre «os vencedores». Será assim? Continuo a achar que há por ali sujeitos e nomes predicativos distintos… Muito obrigado pela atenção dispensada.
«Capitu deixou-se fitar»
Em «Capitu deixou-se fitar», o se é apassivador, ou seja, «Capitu deixou ser fitada»; sujeito do verbo no infinitivo por estar depois do verbo causativo deixar, ou seja, Capitu deixou que ela fosse fitada, ou pronome reflexivo, ou seja, Capitu deixou a si mesma fitar? Em um livro do professor Ricardo Aquino, brasileiro, este se é reflexivo, mas não vejo assim. O que vocês acham? Espero resposta com justificativa, por favor. Muito obrigado.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa