num poema de Fernando Pessoa
Rimas interpolada e cruzada
num poema de Fernando Pessoa
num poema de Fernando Pessoa
Tenho tanto sentimentoQue é frequente persuadir-meDe que sou sentimental,Mas reconheço, ao medir-me,Que tudo isso é pensamento,Que não senti afinal.
Temos, todos que vivemos,Uma vida que é vividaE outra vida que é pensada,E a única vida que temosÉ essa que é divididaEntre a verdadeira e a errada.
Qual porém é verdadeiraE qual errada, ninguémNos saberá explicar,E vivemos de maneiraQue a vida que a gente temÉ a que tem que pensar.
Qual é a designação do esquema rimático ABCBAC, na primeira estrofe?
Que tipos de rimas é que são existentes neste poema de Fernando Pessoa?
Sobre a expressão «flagrante delitro»,
de Fernando Pessoa
de Fernando Pessoa
Qual o significado da expressão «flagrante delitro»?
Obrigado.
Raro: «ralo, grade»
No capítulo X de Amor de Perdição [de Camilo Castelo Branco] refere-se que «o padre capelão» estava no «raro lateral da porta». Qual o significado de "raro" enquanto nome? Só encontro nos dicionários como adjetivo e advérbio.
Muito obrigada.
«Sem si», «sem ti», «sem mim»
[Transcrevo uma frase] de uma página do sítio Jogos da Santa Casa da Misericórdia:
«Sem si não seria possível. estamos de parabéns!»
Não me soa bem o uso daquele «SEM SI..»
Eu nunca nunca escreveria isso. Independentemente da correcção gramatical, é escrita pouco elegante. Sei que o pronome não se usa no Brasil nesta acepção.
O Ciberdúvidas tem alguma coisa sobre isso?
Obrigado.
Hendíadis = hendíade
O que é hendíade?
Frame story (inglês) = moldura narrativa (port.)
Gostaria de saber se existe em português o correspondente à expressão inglesa frame story, a qual é, de acordo com a Wikipedia em inglês: «A frame story (also known as frame tale, frame narrative, etc.) is a literary technique that sometimes serves as a companion piece to a story within a story, whereby an introductory or main narrative is presented, at least in part, for the purpose of setting the stage either for a more emphasized second narrative or for a set of shorter stories. The frame story leads readers from a first story into another, smaller one (or several ones) within it.»
Traduziria eu assim: «É uma técnica literária que algumas vezes serve como peça associada a uma história dentro de uma história, por meio da qual uma narrativa introdutória ou principal é apresentada, pelo menos em parte, com o propósito de estabelecer o cenário tanto para enfatizar melhor a segunda narrativa como para uma série de histórias curtas. A frame story conduz os leitores a transporem-se de uma primeira história para outra menor (ou várias menores) dentro dela.»
A expressão correspondente a frame story poderia ser «história intercalada»?
Agradeço antecipadamente a gentileza de vossa resposta.
Escansão do mote de um poema de Camões («Quem ora soubesse»)
Pedia a escansão dos versos «Quem ora soubesse/ onde o amor nace/ que o semeasse». Nos versos apresentados há encontros vocálicos no 2.º e 3.º versos.
Obrigada.
Sumários dos capítulos de um livro vs. epígrafes
Como se chamam os sumários que, nalguns livros, antecedem as narrativas dos vários capítulos? Uns são bastante curtos («Em que a donzela vai prosseguindo sua história», Menina e Moça, cap. II), outros mais esclarecedores («De como o autor (...) se resolveu a viajar na sua terra (...). Parte para Santarém. Chega ao Terreiro do Paço, embarca no vapor de Vila Nova (...). A Dedução Cronológica e a Baixa de Lisboa. Lord Byron e um bom charuto. Travam-se de razões os Ílhavos e os Bordas-de-água (...)», Viagens na Minha Terra, cap. I). Isto implica designações diferentes?
Obrigado.
«Caça à baleia», a propósito de Raul Brandão
No livro de Raul Brandão As ilhas desconhecidas existe um capítulo cujo título é «a pesca da baleia». Tratando-se de um mamífero e das técnicas de arpoamento, não será mais correto dizer-se «caça à baleia»?
Muito agradeço a vossa ajuda neste imbróglio marinho.
Soneto de métrica irregular
Pode-se considerar o poema abaixo um soneto, apesar de não seguir as regras da métrica próprias desse tipo de composição poética?
O DESEJO DO HOMEM
Tenta o homem, em busca insana,Numa caminhada de virtudes nua,Satisfazer a própria voz, que clama:“Qual o sentido da existência tua?”
Em meio a tantos anseios perdido,Não sabe ao certo o que almejarAtormenta-o um desejo escondidoNa sombra de um Amor singular
Cursando o deserto interiorQue a graça maior consentir,Na hora em que menos supor,
Abismado, irá enfim descobrirQue, se em tudo existe um valor,Só em Deus tem razão de existir.
