O verbo denunciar
Num aviso automático gerado pelo Google, associado a uma mensagem que recebi, leio:
«Por que motivo esta mensagem parece spam
Mensagens semelhantes que recebeu foram identificadas como spam. A Google mantém as suas informações pessoais privadas, seguras e protegidas.
Denunciar como seguro.»
Parece-me que a injunção final, «denunciar como seguro», está incorreta e provavelmente resulta de um efeito de espelho em relação a mensagens como «Denunciar como spam», em que há de facto a necessidade de evitar a receção de conteúdos supérfluos.
Não seria mais correto «Comunicar como seguro»?
«Esperar alguém» e «esperar por alguém»
É aceitável usar em linguagem cuidada «Espera-me à porta do cinema», em vez de «Espera por mim à porta do cinema»?
E assim, usando com todos os pronomes de complemento direto – te, o/a, nos, vos, os/as?
Mais uma vez, muito obrigada pela vossa dedicação!
Deslocação de constituinte frásico para evitar ambiguidade
Nesta frase, que é também um título, «ASAE instaura processos a navios-fábrica por falta de higiene no Algarve», percebo que se trata de uma acção inspectiva no Algarve, mas a leitura pode ser outra, a de que o problema é a falta de higiene no Algarve.
O título não ficaria melhor, sem margem para dúvidas, se fosse escrito da seguinte forma: «ASAE, no Algarve, instaura processos a navios-fábrica por falta de higiene», ou «ASAE instaura processos a navios-fábrica, no Algarve, por falta de higiene»?
Obrigado.
Sozinha vs. só
Gostaria de saber se a frase «sozinha, nunca só» consegue realmente transmitir a sensação de estar sozinha, mas não na solidão.
Qual seria a expressão ideal para expressar o conceito de ter feito o Caminho de Santiago partindo sozinha, mas, na verdade, sem nunca ter estado realmente sozinha?
Obrigada.
Laico e leigo
Consultando o dicionário de palavras cultas da língua portuguesa, vi algo que me deixou intrigado.
O vocábulo laico é colocado como sinônimo de leigo, «desconhecedor do assunto», sendo abonado o exemplo: «Gerentes de lojas não podem ser laicos em direito do consumidor.»
Como sempre relacionei esse vocábulo ao fato de não ser influenciado por doutrina religiosa, fui pesquisar na Web e dicionário, porém não achei referência a outro fato senão o de não religioso.
Assim, por gentileza, é de conhecimento de vocês essa acepção para esta palavra ou há alguma fonte que corrobore este dicionário que li?
Obrigado.
«Crónicas sabatinas» ou «sabáticas»
"Crónicas sabatinas" ou "sabáticas", para designar que são escritas/publicadas ao sábado?' in
Ser e estar no perfeito e no imperfeito (indicativo)
À conversa com um amigo estrangeiro deparei-me com uma questão à qual não posso responder. Quais são as regras do uso de ser e estar no pretérito perfeito e no pretérito imperfeito?
Porque dizemos «a comida estava boa», e não «a comida foi boa», quando se trata de um facto passado já terminado?
E porque dizemos «o fim de semana foi bom», e não «o fim de semana estava bom»?
Como nativa sei qual usa, mas não sei explicar o porquê.
Muito obrigada.
Blíster, lamela, cartela
Está correto dizer tablete de comprimidos em vez de cartela de comprimidos?
A palavra boaça
O meu pai utilizava o aumentativo "boaça" para se referir a uma coisa muito boa.
Ora, como a palavra não me aparece no dicionário, gostaria de perguntar se a sua utilização é correcta, mesmo que num contexto de calão.
Muito obrigado.
A estrutura «o objetivo era o de...» (focalização)
Quando revejo livros, leio muitas vezes «O objetivo era o de» + verbo.
Por exemplo: «O objetivo era o de ensinar Matemática aos alunos».
Isto sempre me soou estranho, desde logo porque é palavroso.
No entanto, nunca encontrei uma justificação válida para poder corrigir a formulação palavrosa pela mais simples «O objetivo era ensinar Matemática aos alunos».
Perguntas:
1) a formulação palavrosa está incorreta?
2) Se sim, porquê?
Obrigado.
