DÚVIDAS

Correferência não anafórica: visitante e Gulliver
Num exame nacional de Português, considera-se que, no excerto abaixo, as palavras visitante e Gulliver contribuem para a coesão lexical por substituição. «Se um visitante do passado chegasse hoje às nossas cidades civilizadas, um dos aspetos que surpreenderiam esse Gulliver antigo seria certamente os nossos hábitos de leitura.» Gostaria que me esclarecessem porquê e se não poderia ser um caso de correferência não anafórica, uma vez que só o conhecimento extralinguístico nos permite reconhecer uma relação de sentido entre as duas palavras. Muito obrigado.
Artigo definido, artigo indefinido e relação de parentesco
Numa acalorada e civilizada troca de argumentos, acabámos ambos convencidos de cada um da nossa razão e, daí, recorrermos ao Ciberdúvidas para saber qual a forma correcta, se alguma. «Um pai e um filho iam num carro» ou «O pai e o filho iam num carro»? A mim parece-me que a primeira hipótese não indica, explicitamente, que existe uma relação de parentesco. Pode ser um qualquer pai e um qualquer filho. Creio que a segunda opção oferece menos interpretações. Podem-me ajudar? Muito obrigado.
O verbo pensar com interrogativa indireta
Na frase «Pensei o que terá sido o maravilhamento e o espanto dos homens que chegaram aqui, sem terem visto um mapa...», como se classifica a oração «o que terá sido o maravilhamento...»? Na minha opinião é uma oração substantiva relativa. Mas alguns alunos disseram que é uma oração substantiva completiva. Agradecia que me dissesse qual a classificação certa. i
Quando condicional
Ao ler a ótima gramática do Cegalla (Novíssima Gramática da Língua Portuguesa), observei a seguinte frase classificada como temporal: «Formiga, QUANDO QUER SE PERDER, cria asas.» A frase não pode ser encarada como condicional? Ex.: «conj.condic. 6. No caso de; se: Só é gentil quando quer alguma coisa.» (Aulete) Além do Cegalla, vários gramáticos tradicionais não citam o quando como conjunção condicional (ex.: Pasquale e Ulisses – na Gramática de Língua Portuguesa –, Cegalla – na Novíssima Gramática da Língua Portuguesa –...). Fiz uma pesquisa em questões de concursos e vestibulares; mas não achei o quando como condicional. Pedi à inteligência artificial do Google para me apresentar as funções do quando de acordo com materias disponibilizados na Internet e não apareceu como condicional. Estou com alucinações ou há muitos casos que o temporal quando pode também ser um condicional? Se não estou alucinado, por que a preferência por temporal? Desde já, agradeço-lhes a enorme atenção.
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