O advérbio sequer no português vicentino (séc. XVI)
Gostaria de saber como se deve interpretar a afirmação da Ama em Auto da Índia:
«Mostra-me essa roca cá:/ siquer fiarei um fio. »
Trata-se de uma expressão de aceitação da tarefa de fiar ou de uma rejeição?
Grata pelo esclarecimento.
Que explicativo e que causal
Gostaria de esclarecer a seguinte dúvida: como identificar claramente numa frase a conjunção coordenativa explicativa que e distingui-la da conjunção subordinativa causal que?
Podem ser dados exemplos com as diferenças existentes entre elas?
Obrigada.
O verbo denunciar
Num aviso automático gerado pelo Google, associado a uma mensagem que recebi, leio:
«Por que motivo esta mensagem parece spam
Mensagens semelhantes que recebeu foram identificadas como spam. A Google mantém as suas informações pessoais privadas, seguras e protegidas.
Denunciar como seguro.»
Parece-me que a injunção final, «denunciar como seguro», está incorreta e provavelmente resulta de um efeito de espelho em relação a mensagens como «Denunciar como spam», em que há de facto a necessidade de evitar a receção de conteúdos supérfluos.
Não seria mais correto «Comunicar como seguro»?
«Esperar alguém» e «esperar por alguém»
É aceitável usar em linguagem cuidada «Espera-me à porta do cinema», em vez de «Espera por mim à porta do cinema»?
E assim, usando com todos os pronomes de complemento direto – te, o/a, nos, vos, os/as?
Mais uma vez, muito obrigada pela vossa dedicação!
Um regionalismo da Serra da Estrela
A minha avó costumava usar a expressão «és uma "traçanós"/"traçanoz”» para me caracterizar como comilão, de boa boca, de bom garfo.
Gostava de conhecer a origem etimológica da palavra, se existe alguma referência empírica ou da gíria serrana (Serra da Estrela).
Bem hajam.
A expressão «a meia perna»
Observemos o excerto a seguir:
«Aquela senhora, que tinha 35 anos de idade, mas parecia estar na casa dos 50, abre a porta como [...]. A saia dela a meia perna, de um escuro indefinido e barrada por discretas flores vermelhas, prende uma de suas nesgas em um aleatório prego na parte direita da caixa de porta, enfurecendo-a cada vez mais.»
Não conhecia a expressão «a meia perna». Ela é correta?
Imagino que indique uma saia com comprimento até a metade da perna.
Obrigado.
Deslocação de constituinte frásico para evitar ambiguidade
Nesta frase, que é também um título, «ASAE instaura processos a navios-fábrica por falta de higiene no Algarve», percebo que se trata de uma acção inspectiva no Algarve, mas a leitura pode ser outra, a de que o problema é a falta de higiene no Algarve.
O título não ficaria melhor, sem margem para dúvidas, se fosse escrito da seguinte forma: «ASAE, no Algarve, instaura processos a navios-fábrica por falta de higiene», ou «ASAE instaura processos a navios-fábrica, no Algarve, por falta de higiene»?
Obrigado.
Sozinha vs. só
Gostaria de saber se a frase «sozinha, nunca só» consegue realmente transmitir a sensação de estar sozinha, mas não na solidão.
Qual seria a expressão ideal para expressar o conceito de ter feito o Caminho de Santiago partindo sozinha, mas, na verdade, sem nunca ter estado realmente sozinha?
Obrigada.
Laico e leigo
Consultando o dicionário de palavras cultas da língua portuguesa, vi algo que me deixou intrigado.
O vocábulo laico é colocado como sinônimo de leigo, «desconhecedor do assunto», sendo abonado o exemplo: «Gerentes de lojas não podem ser laicos em direito do consumidor.»
Como sempre relacionei esse vocábulo ao fato de não ser influenciado por doutrina religiosa, fui pesquisar na Web e dicionário, porém não achei referência a outro fato senão o de não religioso.
Assim, por gentileza, é de conhecimento de vocês essa acepção para esta palavra ou há alguma fonte que corrobore este dicionário que li?
Obrigado.
«Crónicas sabatinas» ou «sabáticas»
"Crónicas sabatinas" ou "sabáticas", para designar que são escritas/publicadas ao sábado?' in
