O verbo vigorar
Qual a função sintática da expressão «ao longo dos tempos», na frase «Os sistemas de estrutura social que vigoraram ao longo dos tempos em muitas sociedades».
Antecipadamente grata.
O verbo dizer com interrogativa indireta
Gostaria de ver uma dúvida relativa à classificação de uma oração subordinada substantiva esclarecida.
Na frase «Ele não nos disse quanto ganhou», o meu primeiro pensamento seria classificá-la como oração subordinada substantiva completiva, seguindo a estrutura de substituir a oração subordinada por isso («Ele não nos disse [isso].»).
No entanto, sabendo que as conjunções completivas são normalmente limitadas a que, se e para, seria mais correto classificá-la como relativa?
E caso possa ser considerada completiva, qual seria o antecedente de quanto (uma vez que as relativas não têm antecedente)?
Contexto, enunciado e modalidade
Antes de mais, congratulo-vos por este projeto.
Gostaria que me esclarecessem quanto à modalidade e ao respetivo valor das frases abaixo, uma vez que não me parecem veicular uma ideia de obrigação, mas antes de certeza e de convicção do locutor. Ainda assim, na segunda afirmação, poderá transparecer um dever de consciência cultural, isto é, uma obrigação moral de respeito pelo legado literário de Almeida Garrett.
1.ª «É como não podermos fazer terra plana ali em Belém sobre a Torre de Belém»;
2.ª «[Há assim uns marcos da chamada escrita para teatro em português] mas não podemos pôr de fora Almeida Garrett».
Muito obrigada pela vossa disponibilidade.
A expressão «dar gosto» numa construção relativa
Qual é a formulação correta?
"Escolas que dão gosto renovar"
ou
"Escolas que dá gosto renovar"?
Ou estão ambas corretas?
Obrigada.
População e multidão (nomes coletivos)
Peço, por favor, que me esclareçam a diferença entre os nomes comuns coletivos "população" e "multidão".
Ambos podem ser considerados nomes comuns coletivos para designar um conjunto de pessoas em contexto escolar?
Obrigada.
Contabilizar e avaliar
Tenho lido contabilizar como sinónimo de avaliar, inclusive no Dicionário da Língua Portuguesa da Academia das Ciências de Lisboa.
Está correto ou trata-se apenas de um termo do processo contabilístico?
Obrigado
Imagem e oração relativa
Venho, por este meio, solicitar a sua ajuda na análise de uma frase de Frei Luís de Sousa.
A cena final do ato II, entre Frei Jorge e o romeiro, é a do reconhecimento, tal como acontecia na tragédia clássica. O retrato de D. João de Portugal deixa de ser apenas uma ameaça e passa a ser uma espécie de espelho do passado; ele representa quem agora está tão diferente que é necessário um gesto de identificação: quando Frei Jorge pergunta «Romeiro, romeiro, quem és tu?», o movimento de apontar para o retrato completa a palavra: «Ninguém!». Aquela simples palavra abre caminho à catástrofe. Não sendo reconhecido pela mulher com quem casou, D. João de Portugal fica limitado à imagem que um retrato fixou. REIS, Carlos, 2016. Frei Luís de Sousa. Almeida Garrett. Porto: Porto Editora (pp. 37-38) (Exercício do manual) A dúvida surgiu na identificação da função sintática de «que um retrato fixou». Sendo uma oração adjetiva relativa restritiva, desempenha a função sintática de modificador restritivo do nome. No entanto, «retrato» é um nome icónico. Haverá outra explicação? A oração não é adjetiva relativa?
Mesmo a introduzir oração de gerúndio
Na frase «Mesmo chovendo, viajamos», a palavra mesmo é conjunção acidental?
Ou qual a classe gramatical da palavra mesmo?
Obrigado
O que explicativo
Numa ficha de trabalho de uma editora surge a frase «Arrumem os livros que a biblioteca vai encerrar». De acordo com as soluções de correção, a oração «que a biblioteca vai encerrar» aparece como coordenada explicativa.
Numa saudável discussão com colegas, uns defendem que a sugestão da editora está correta, no entanto, outros acham que a oração é subordinada adverbial causal. Se fizermos o teste da agramaticalidade sugerido por Maria Eugénia Alves (Ciberdúvidas, 2018), a oração iniciada por “que” é agramatical - “* que a biblioteca vai fechar.” -, uma vez que “na coordenação, a oração que é introduzida pela conjunção não pode dar início à frase”.
Acresce o facto de que a situação descrita na suposta oração coordenada explicativa não é temporalmente anterior à que se descreve na oração anterior. (Carla Marques, Ciberdúvidas, 2022) Porém, “No que respeita à pontuação, quando a oração é coordenada explicativa, deve levar uma vírgula a separá-la da oração anterior. Quando estamos perante uma oração subordinada causal, não devemos usar vírgula.” (Carla Marques, Ciberdúvidas, 2022). Aqui o "que" não é antecedido de vírgula.
Posto isto, tenho dúvidas em relação à classificação desta frase complexa “Arrumem os livros que a biblioteca vai encerrar”.
Aproveito para agradecer o excelente trabalho realizado por toda a equipa do Ciberdúvidas ao longo destes anos. Aprendo muito com a vossa generosidade e profissionalismo! Bem hajam!
O complemento do verbo acertar
Qual é a sintaxe do verbo acertar no sentido de «bater, atingir»?
O Dicionário da Academia das Ciências de Lisboa traz: «Acertou com a pedra no vidro da janela.»
Seria possível «acertar com a pedra "o vidro da janela"»?
Qual a função sintática do complemento «no vidro da janela»?
A Academia dá ainda este exemplo de Camilo:
«O poeta Sarmento chamava-lhe cintura à prova de fogo, porque não havia bala que lhe acertasse.»
Qual a função sintática do lhe? Há alguma relação entre o lhe e o facto de o complemento ser no vidro da janela, em vez de o vidro da janela?
Agradecidíssimo!
