DÚVIDAS

Fobia como elemento de composição
No jornal Público, de 28/05/2026, dei com "maisfobia", uma palavra (?) que se lê no título de um artigo de opinião: "Gente a mais? A preguiça intelectual e moral da 'maisfobia'". No texto, reagindo aos críticos da sigla LGBTQIA+, a autora define o termo por ela cunhado: «Maisfobia n.f. - hostilidade ou desconforto perante a multiplicação, complexificação ou autodeterminação de categorias de identidade e sociais para além das formas consideradas normativas; tendência para considerar excessivo, confuso, ilegítimo e/ou perigoso aquilo que excede o binário ou o sistema de classificação dominante, reduzindo a diversidade a uma versão simplificada e autocentrada do real.» "Maisfobia" é uma palavra correta? Não estaremos a exagerar na formação de palavras formadas com fobia , por exemplo, no discurso polémico?
O aportuguesamento "calache" (pão)
A dúvida é antes orientada a um tema de transliteração. Um pão tradicional da Europa Oriental tem em vários países das redondezas nomes parecidos: kalach, kalács, калач. Não encontro fontes seguras sobre como esta palavra poderia ser incorporada a um texto em português - e uma vez que as opções "kolach" ou "kalach" não parecem harmonizar esteticamente com a nossa sonoridade lusófona, gostaria de uma orientação de como proceder neste caso (e, por extensão, outros parecidos). Me parece que "calache" serviria (buscando um remotíssimo precedente em "Críxena", para o deus hindu Krishna), mas à falta de registros do verbete, não quero incorrer em neologismos que, mesmo com licença poética, dificultem a compreensão. Algum norte a que me apontar?
Vírgula antes de que consecutivo
Tenho encontrado informação um pouco contraditória em relação a esta questão de virgulação (na construção «tão […] que»). «Foi um barulho tão forte que tive de tapar os ouvidos.» ou «Foi um barulho tão forte, que tive de tapar os ouvidos.» A vírgula é obrigatória, opcional ou não deverá ter vírgula sequer? Existem fontes que abordem este assunto em particular? Muito obrigado por toda a ajuda e por todo o vosso excelente trabalho.
«Não aquecer nem arrefecer» com pronomes pessoais
Acabei de aprender a expressão «não aquecer nem arrefecer». Por exemplo, podemos dizer «O que tu disseste, não me aquece nem arrefece». Mas não tenho a certeza se se diz «… não o(s)/a(s) aquece nem arrefece» ou «... não lhe(s) aquece nem arrefece», quando se trata da terceira pessoa. Ou seja, precisa-se, neste caso, dum pronome objeto direto ou indireto? Agradeço muito a sua atenção.
Permilagem e «por mil»
Quando dividimos o todo em 100 partes e nos referimos a uma parcela, falamos de percentagens. Nesse caso, a quarta parte será referida como 25 por cento. Se dividirmos o todo em 1000 partes e nos referimos a uma parcela, falamos de permilagens. Nesse caso, como podemos designar a quarta parte ? 250 permilhas ? Ou talvez 250 permilas ? Agradecia o vosso esclarecimento sobre esta dúvida. 
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa