DÚVIDAS

Sobre palavras e expressões erradas
Existem palavras e expressões consideradas erradas que já se encontram tão enraizadas na nossa sociedade, que, quando as usamos correctamente, arriscamos não ser compreendidos. Um exemplo típico é a palavra despoletar. Se a usarmos numa frase no seu sentido correcto, arrisco-me a dizer que a maior parte das pessoas não compreenderá o que se quer dizer. Por outro lado, se se usar palavra espoletar em sua substituição numa frase em que esta seja mais correcta, poderá ser compreendida, mas não terá o mesmo impacto. A minha pergunta é a seguinte: nestas situações, que palavra escolher? Nenhuma das situações é perfeita. E quando é que podemos considerar que um erro se tornou correcto? Quando chega aos dicionários? Mas eu vejo palavras que chegaram a um grande número de dicionários com significados que, em outros locais, são considerados errados. Agradecido pelo tempo dispensado.
A diferença entre «fiquei sabendo» e soube
Como tenho interês [sic] pela história da língua portuguesa, de quando em vez, venho ler artigos a este maravilhoso sítio. Deparei-me com um problema difícil de resolver, por causa do qual meu professor ficou frustrado. Qual é a diferença em nuance entre fiquei sabendo e soube. Esta pergunta pode-se reduzir à diferença entre ficar + gerúndio e o mesmo verbo simples. Será que o verbo ficar exprime não só transição de estado mas também uma açcão [sic}] duradoura? Gostaria de saber como as frases parecidas a seguir se distinguem uma da outra. «Esteve (está) desconsciente [sic]durante dois minutos.» «Fiqou [sic] (fica) desconsciente [sic] durante dois minutos» Incidentalmente, percebo que ficar se parece com o verbo espanhol quedarse no aspecto verbal e no seu uso, conforme o que disse uma amiga. Agradeceria muito se pudesse resolver este problema. Desejo de coração que este sítio continue a ser luz de esperança para todos. Muito obrigado.
O uso da palavra não como prefixo de negação
Ultimamente, tenho percebido o uso cada vez mais freqüente (ou frequente, pelo novo Acordo Ortográfico) da palavra não como prefixo de negação com relação a um adjetivo ou substantivo posterior como em: não-nascido (o que não nasceu) e não-ajustamento (ato de não ajustar). O que me chama atenção é a sutil diferença semântica entre usar o não e outro prefixo que indique negação: desajustamento, assim, me parece significar o «ato de fazer com que fique sem ajuste», enquanto não-ajustamento seria «o ato de não ajustar, de deixar de ajustar». Essa percepção estaria correta? De fato há uma diferença semântica entre usar um não e usar, se for possível, um prefixo como in ou des? Muito obrigado!
Como se diz trofense e bejense
Ouvindo os jornalistas do futebol na rádio e na televisão, oiço-os sempre dizer — mal, na minha opinião — "tròfense", com o "o" aberto.  Presumo que seja por se dizer o topónimo Trofa com a tónica no primeiro "a", mas também temos Escócia e dizemos /eskucês/ (e não "eskócês"). Ou /kunimbricense/ (e não "kônimbricense" nem "kónimbricense"); ou /kulumbense/ (e não /"kôlômbense"); ou /turreense/ (e não /tôrreense" nem /tórreense"); ou /furense/ (e não "fórense" nem "forense"); ou  /kongulês/ (e não "kongôlês"); ou (/guês/ (e não "gôês"), /mussambikanu/ (e não "môssambicanu"); etc, etc.Já agora: e bejense (também oiço ora com o primeiro "e" aberto ora com o "o" fechado)? Gostava de saber a explicação fonética para estas pronúncias. Muito agradecido.
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