DÚVIDAS

O Conselho de Centro do Centro de...
Trabalho na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul com redação oficial, emitindo as resoluções de um Conselho, e tenho usado o seguinte cabeçalho "O Conselho de Centro do Centro de Ciências Exatas ..., resolve:"    Gostaria de saber se existe pleonasmo na frase "O Conselho de Centro do Centro de Ciências Exatas....", pois surgiram algumas dúvidas a respeito. Sei que o pleonasmo é a repetição de uma idéia que já está contida em termo anterior e traz informações desnecessárias, reduntantes.    Porém, neste caso, além de ser regimental, pois temos aqui vários Conselhos (que são os órgãos deliberativos) de vários Centros (que são os órgãos de administração setorial) conforme nosso Estatuto, o fato de constar apenas "Conselho de Centro" não se entende a que Centro estamos nos referindo. E então? Existe o pleonasmo ou não? Ficarei imensamente grata em ser atendida.
Onde é que, de novo
Li com interesse a pergunta de um consulente sobre o porquê de uma pessoa erudita dizer "a igreja onde é que estamos", etc. Este é um fenómeno com que eu própria deparei há mais de 20 anos, quando tinha muitos amigos/amigas transmontanos. Sem falha, todos diziam "onde é que" quando não se tratava de uma interrogação. Nunca ouvi falantes de outras regiões de Portugal usar esta "expressão". Será de facto um regionalismo? Obrigada.
Verbos irregulares/verbos defetivos
A pergunta talvez cause estranheza, mas teve sua origem na distância existente entre o conceito que as gramáticas apresentam para 'verbos irregulares' e a prática da sala de aula e de vários livros didáticos. Nem todos os verbos irregulares são, a exemplo do verbo reaver, defectivos. E quanto aos defectivos, são irregulares? Se o são, por que as gramáticas e dicionários (Celso Cunha, Bechara, Matoso Câmara, etc.) não citam a ausência de formas como uma das possíveis características dos verbos irregulares, mas apenas a alteração do radical e a variação na flexão em relação ao modelo? Se não são irregulares, a ausência ou inexistência de formas (e não pensemos aqui nos unipessoais e nos impessoais), em razão da falta de registro ou de uso (por questão de eufonia), já não constitui por si só um outro tipo de irregularidade? Obrigada.
Levantar a mesa, outra vez
Entre as respostas do mês de Maio, houve duas que me levam a vos escrever: Levantar a mesa. Lembra-me a minha juventude em Trás-os-Montes onde literalmente a mesa era levantada. Um banco com uma mesa articulada que era abaixada diante do banco. Ao fim da refeição era levantada. "Mes meilleurs compliments": esta fórmula no final das cartas não existe em francês pela mesma razão que foi dada para a sua tradução em português. O que é parecido e que se emprega correntemente é "mes sentiments les meilleurs" ou "mes meilleurs sentiments". Se for de ajuda para alguém.
Proxémia, outra vez
Na resposta a um consulente sobre a palavra proxémia, apontou-se o significado geral de proxémica. A razão de só se encontrar referências ao significado do primeiro termo no âmbito da sociologia deve-se provavelmente ao facto de o mesmo ter a sua origem nesse ramo particular das ciências humanas. Embora tenha sido recentemente adoptada por outras áreas profissionais (como a arquitectura) para designar: em geral o problema da espacialidade enquanto fenómeno cultural e, em particular, o conjunto de necessidades espaciais que decorrem da especificidade cultural da pessoa humana, proxémia encontra o seu significado moderno em Edward T. Hall, que aliás escreveu obra bem conhecida sobre o assunto. (V. Hall, E.T.; "The hidden dimension", Londres, 1969. Pub. em português com o título "A Dimensão Oculta".) Hall reflecte sobre a continuidade do conceito de espacialidade que une em si noções tão diversas como espaço cultural, espaço auditivo, visual, etc. De modo simplista, é a esse conjunto de fenómenos que Hall chama proxémia.
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