DÚVIDAS

“Não sem antes que”
Tenho três dúvidas sobre o nexo, “não sem antes que”. (1) A oração subordinada adverbial que introduz é temporal ou final ou consecutiva? (2) É aceitável que um verbo no futuro de conjuntivo siga este nexo, como no exemplo 2 abaixo? (3) Qual seria um sinônimo de “não sem antes que”? 1. Tu sempre passas o hotel das luzes acesas, não sem antes que o porteiro te saúde, chamando-te de nome. 2. Tu sempre vais passar o hotel das luzes acesas, não sem antes que o porteiro te saudares, chamando-te de nome.
«O que eu lhe digo» / «como não lho»
Sou descendente de galegos, falo galego e para mim, como para muitos galegos, escrever galego é mesmo escrever português, e falar galego é falar mais uma modalidade de português. Sou lusófono, mas aprendi a escrever de forma autodidacta. Na fala popular da Galiza são ainda frequentes frases como: – Nunca faz o que lhe eu digo. – Como lho não disseram, foi-se. Procurei nas gramáticas (Cunha e Cintra) e alí só se referiam a tais interpolações de passagem, dizendo delas que eram empregadas pelos escritores da língua, nomeadamente em Portugal. Nos cancioneiros medievais são construções frequentes, e também em escritores portugueses clássicos e modernos as tenho encontrado. Também li que na fala moderna em Portugal quase já se não empregam, se bem que em cantigas populares apareçam estas estruturas, a meu ver de grande beleza. A pergunta é: Ainda existem na fala, mesmo que fosse a fala mais popular das aldeias mais afastadas? É estilisticamente correcto levá-las à escrita? Em que tipo de linguagem: literária, académica, científica? O seu emprego sistemático pode resultar abusivo? Muito obrigado pela sua gentileza.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa