DÚVIDAS

Sobre o verbo acaparar
Há não muito tempo li, numa influente crónica semanal de um dos mais difundidos jornais portugueses, a palavra "acaparar" (sinónimo de açambarcar). Não a estranhei, pois assiduamente a encontro em textos franceses e espanhóis. Contudo, surpreendi-me ao constatar que não se encontra dicionarizada no idioma português — ou pelo menos assim me pareceu. Será lapso dos lexicólogos lusófonos, ou uma escolha motivada por critérios linguísticos? Se sim, quais? Desde já agradeço a vossa atenção, e vos congratulo pelo maravilhoso trabalho que realizam no Ciberdúvidas.
Ainda a vírgula em «quer... quer...»
Gostaria que me esclarecessem uma dúvida.Coloca-se ou não vírgula em «quer... quer»?No vosso site, tanto dizem que sim como não:«2) E... e, nem... nem, quer... quer, ou... ou são conjunções coordenativas que coordenando separam os elementos da frase. Não necessitam, pois, de mais um elemento de separação: a vírgula», T. A., 22/06/1998. «A conjunção quer deve ser precedida de vírgula, quando liga orações: "Tens de trabalhar muito, quer vás para a Faculdade de Letras, quer (vás) para a Faculdade de Ciências"», José Neves Henriques, 19/03/2003 (tenho noção que nesta resposta estavam a referir-se à vírgula que precede a expressão, mas no exemplo colocam também vírgula entre "quer... quer...").«Este uso é confirmado por Celso Cunha e Lindley Cintra, na Nova Gramática do Português Contemporâneo (1997, pág. 576), que inclui ora nas conjunções alternativas, às quais também pertence quer («quer..., quer...»)», Carlos Rocha, 26/07/2007. Muito obrigada.
As figuras de estilo de algumas frases
As seguintes frases são metáforas: Todos os anos é a mesma coisa, mas isso só nos assalta quando os centros comerciais se enchem de enfeites natalícios; quando os jovens matinais invisíveis começam a atafulhar as nossas caixas de correio; depois da purificação de um sorriso; as dádivas estão à distância de um clique na Internet; os canais e programas infantis explodem em anúncios; infectados pelo espírito do Natal venal.
Sobre imputar, enveredar e impugnar
Não raro vejo na imprensa «imputar responsabilidades» e «enveredar por um caminho». Ora, consultando um dicionário, logo se constata que imputar é: «atribuir (a alguém) a responsabilidade de». Enveredar: «tomar caminho; dirigir-se». Ambas as [definições] em Mini-Aurélio. Não é redundante dizer-se isto? A respeito de impugnar, poder-se-á dizer que se impugna uma pessoa? Do género: «vamos impugnar a senhora Josefina», a título de exemplo? Continuação do belo trabalho que estão a fazer. Agradecida pela atenção.
«Pedir compreensão para»
Ouvi, há dias, a seguinte informação ser anunciada numa estação dos caminhos-de-ferro: «Senhores passageiros: o comboio proveniente de X, com destino a Y, encontra-se com um atraso de Z minutos. Pedimos a vossa compreensão pelos inconvenientes causados.» E ficou a soar nos meus ouvidos esse final: «compreensão pelos...»! É certo que pedimos desculpas «por» qualquer motivo, mas a compreensão não será para (com) alguma coisa? Já não estranho o uso da partícula causal associada ao mesmo substantivo nesta situação: «pedimos a compreensão pelo facto de»; todavia, creio poder existir uma diferença sensível entre essa construção e «pedimos a compreensão para o facto de». Ou seja: se neste caso apelamos à compreensão de determinado facto ou fenómeno, naquele parece-me que nos propomos explicar qual a razão que nos leva a esse pedido de compreensão; o que, na prática, poderá até ter o mesmo resultado, contudo sinto que poderemos estar em presença de subtis diferenças sintácticas e/ou semânticas «para as quais peço a vossa compreensão». Obrigada.
A posição dos advérbios simplesmente e intuitivamente na frase
Obrigado pela vossa ajuda constante! Analisando em termos da posição dos advérbios simplesmente e intuitivamente, gostaria que me dissessem quais das frases seguintes são as (mais) correctas: «De facto, é muito comum ignorar simplesmente a existência deste problema.» e «Vamos agora analisar as propriedades verificadas por alguns sons que nos são intuitivamente familiares.» ou «De facto, é muito comum simplesmente ignorar a existência deste problema.» e «Vamos agora analisar as propriedades verificadas por alguns sons que nos são familiares intuitivamente.» "Soam-me" melhor as do primeiro grupo... serão as mais correctas? Muito obrigado.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa