DÚVIDAS

Concordância verbal com infinitivos com a função de sujeito
Consultando as regras de concordância, eu me deparei com a possibilidade de, em algumas construções frasais, duas regras diferentes concorrerem. Por exemplo, existe (1) a regra de concordância quando os núcleos do sujeito são formados por verbos no infinitivo e (2) a regra de concordância quando os núcleos do sujeito composto são ligados por ou. Exemplo: «Escovar os dentes com a torneira aberta ou tomar banho demorado GASTA(M) muita água.» Afinal, nessa frase, (1) segue-se a regra de concordância do sujeito com verbos no infinitivo, a saber: o verbo deve ficar obrigatoriamente na 3.ª pessoa do singular (gasta), ou (2) segue-se a regra de concordância dos núcleos do sujeito composto ligados pela conjunção ou com valor aditivo, o que levaria o verbo gastar ao plural (gastam)? Em outras palavras, qual das duas regras devemos seguir e qual frase está certa: 1) «Escovar os dentes com a torneira aberta ou tomar banho demorado GASTA muita água», ou 2) «Escovar os dentes com a torneira aberta ou tomar banho demorado GASTAM muita água»?
A voz passiva no latim vulgar
Gostava de saber se o processo foi análogo em português. Os antigos gramáticos já se tinham apercebido? «De même, les formes de la conjugaison passive – forme suffixée amatur au présent et périphrastique amatus est au parfait – ayant été ressenties comme insuffisamment marquées temporellement, ont fait l'objet d'une régularisation qui se perpétue en français : création de amatus fuit (d'où fr. il fut aimé) pour remplacer amatus est, ce dernier se substituant à amatur (d'où fr. il est aimé)» (Ghislaine Viré, Le regard réflexif porté sur la langue latine).* [Tradução do consultor Gonçalo Neves: «De igual maneira, as formas da conjugação passiva – forma sufixada amatur no presente e perifrástica amatus est no perfeito [do indicativo] – evidenciando uma marcação insuficiente do ponto de vista temporal, sofreram um processo de regularização, que se perpetuou em francês, com a criação de amatus fuit (donde il fut aimé em francês), para substituir amatus est, forma que ocupou o lugar de amatur (donde il est aimé em francês).»
A história do verbo querer
Dum ponto de vista semântico, o verbo português querer está para os verbos francês vouloir e latino velle, apesar de não estabelecer nenhuma relação etimológica com os dois últimos. A verdade é que querer há de vir de quaerere («perguntar, procurar»). Gostava que me esclarecessem a propósito desta deriva semântica: «perguntar/procurar» – «querer». Também indago se não se atesterá no português medieval qualquer vestígio resiliente de um verbo (suponhamos) "voler". Agradecido.
«Era nascido», «era vivo»
Venho, por este meio, pedir que me esclareçam, se possível, o seguinte: Estava eu numa discussão saudável, com um grupo de amigos, partilhando conhecimentos, troca de ideias, argumentando e debatendo assuntos, quando um dos amigos proferiu a seguinte frase: «... nessa altura, já era vivo...» Pessoalmente não concordo com a construção da frase. Será que estou certa? Foi tema para mais um dos nossos debates, sem chegarmos a acordo. Tenho consultado vários sites, sem sucesso. Por favor não ignorem este meu pedido! Ajudem-me a chegar ao português correto! Agradeço desde já.
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