DÚVIDAS

O aportuguesamento "calache" (pão)
A dúvida é antes orientada a um tema de transliteração. Um pão tradicional da Europa Oriental tem em vários países das redondezas nomes parecidos: kalach, kalács, калач. Não encontro fontes seguras sobre como esta palavra poderia ser incorporada a um texto em português - e uma vez que as opções "kolach" ou "kalach" não parecem harmonizar esteticamente com a nossa sonoridade lusófona, gostaria de uma orientação de como proceder neste caso (e, por extensão, outros parecidos). Me parece que "calache" serviria (buscando um remotíssimo precedente em "Críxena", para o deus hindu Krishna), mas à falta de registros do verbete, não quero incorrer em neologismos que, mesmo com licença poética, dificultem a compreensão. Algum norte a que me apontar?
Item e hífen
Acerca da centuação das paroxítonas, pergunto: por que item não recebe acento, mas hífen sim? De acordo com a regra geral, paroxítonas terminadas em n devem ser acentuadas. No entanto, nos casos de item e hífen, ocorre uma particularidade: ambas as palavras terminam em ditongo nasal, já que o m e o n finais assumem som de i, formando esse tipo de ditongo. Pela regra específica, paroxítonas terminadas em ditongo nasal não são acentuadas; o acento ocorre apenas quando há terminação em ditongo oral.
O nome e adjetivo tatibitate
Acerca do conto de T. Braga "As irmãs gagas", li a seguinte frase: 1. São as irmãs «tatebitate» porque trocam muitas consoantes. Perguntava-vos: 1.1. Se conseguem adiantar uma justificação para que a palavra ainda apareça assim escrita na frase/conto que li (Publicações Dom Quixote) e não na grafia atual (tatibitate). A palavra terá sofrido alguma alteração ortográfica, por exemplo? 1.2. Na frase indicada acima, por que razão a palavra aparece no singular? É que no texto recolhido por T. Braga se lê assim: «O noivo assim que viu que todas eram tatebitate desatou a rir e a fugir pela forta fora.» Perguntava-vos se não poderá corresponder à forma obsoleta de tatibitaite. Cumprimentos.
O nome rooibos
Rooibos é um chá muito gostoso, mas tem havido desencontros quanto à pronúncia. Sendo uma planta de origem africana, as várias línguas pronunciam à sua maneira. Eu pronuncio desta forma (baseada na grafia)- ro (como mote), oi (como um ditongo) e bos (como cabos). Gostaria que me esclarecessem como devo dizer dado que a palavra passou a ser referida por mim como «a palavra que não sei pronunciar». Grata pela vossa disponibilidade e pelos esclarecimentos. 
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa