DÚVIDAS

A sintaxe do verbo guardar
Tenho tido dificuldade em fazer a distinção entre o complemento oblíquo e o modificador do grupo verbal ao nível das frases. O critério que aprendi baseia-se na (a)gramaticalidade da frase. No entanto, nem sempre consigo fazer essa distinção, já que, por exemplo, na frase «Guardei os livros na mochila», classificaria «mochila» como sendo um modificador, e não o complemento oblíquo. No entanto, foi-me explicado que «quem guarda... guarda em algum lugar», pelo que «a mochila» é indispensável à frase. Gostaria que, se fosse possível, me auxiliassem nesta distinção. Obrigado.
A tradução da saudação latina salve
Nunca pensei que o imperativo latino salve me causasse tantas interrogações. Trata-se de uma forma verbal que funciona sintáctica e semanticamente como uma interjeição portuguesa de saudação inicial (exemplo-tipo: olá), o seu valor optativo emergindo notoriamente. Para meu grande espanto, o dicionário propõe as seguintes traduções salve, saúde e adeus. A meu ver, salve é uma interjeição de saudação inicial, enquanto saúde e adeus são interjeições de saudação final. Pois bem, como podem estas duas últimas servir como versão a um vocábulo que se utilizava como cumprimento em início de conversa? N.B. – Não estando alheado das mutações linguísticas populares, devo confessar que tenho, recorrentemente, ouvido, da parte de falantes de meios mais rurais e/ou menos escolarizados, a interjeição adeus como cumprimento inicial, sobretudo quando se saúda uma pessoa de passagem, muito rapidamente, possivelmente sem contacto corporal (beijo, abraço, aperto de mão). P.S. – Este tema faz-me referir ainda mais um aspecto, que já vi em discussões na Internet. São peculiares os títulos das duas orações «Ave Maria» e «Salve Rainha», quando ambas servem para invocar, cumprimentar…
O significado de calandros (Aquilino Ribeiro)
Gostaria que me esclarecessem sobre o sentido da palavra calandros. Junto envio uma parte do texto de onde foi retirado. Talvez assim seja mais fácil. Vejamos, então: «(...) O Abel Manta pintou um céptico civilizado, esse que me prevaleço de ser, em prejuízo do campónio de tamancos ou de casco bicúspide de fauno, ocupado quer com os calandros, quer com as hamadríades da gleba, em que me paramentavam reinadiamente para o folclore regional. As mãos neste seu óleo falam melhor que a minha Via Sinuosa ou o S. Banaboião. Ponho-me a contemplá-las e sai-me um solilóquio à Renan sobre a Santidade. (...)» (In Aquilino Ribeiro, Portugueses das Sete Partidas: viajantes, aventureiros, troca-tintas, Bertrand, Lisboa, 1969.) Grato pela atenção e colaboração prestadas.
Rival vs. adversário
Sempre tive a ideia de que a palavra rival tem uma conotação mais negativa do que a palavra adversário. Até encontrei uma frase que expressa essa ideia: «O Sporting não é um rival mas, sim, um adversário, já que os adeptos dos dois clubes "grandes" até nutrem uma certa simpatia.» Será que se leu nesta frase mais um pontapé na gramática? É que hoje, após uma pesquisa, já me parece que ambas têm afinal o mesmo significado. O que acham? Obrigado.
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