Elipse parcial do predicado
Na recente campanha do Metropolitano de Lisboa, para reforçar a vigilância dos passageiros sobre a sua segurança e os seus bens, lê-se a seguinte mensagem:
«Se algo não lhe parecer seguro, pode não ser. Na dúvida, recolha o máximo de elementos e avise um funcionário Metropolitano.»
Não há qualquer coisa de forçado na primeira frase: «Se algo não lhe parecer seguro, pode não ser.»?
Percebe-se que «pode não ser» se refere a «algo», mas afigura-se mais natural uma frase como «algo que não lhe pareça seguro pode não ser realmente»?
Porque acontece isto?
Obrigado.
A locução «no que...» (Brasil)
Falar "no que" no lugar de quando está errado?
E por quais motivos estará errado (caso esteja)?
Por exemplo, «No que eu chegar em casa, telefono para você!» (uso de "no que" em substituição a quando)?
Muitíssimo obrigado e um grande abraço!
O género de Metropolitano de Lisboa, E. P. E.
Venho colocar uma dúvida sobre o uso do feminino ou do masculino relativamente ao substantivo da empresa Metropolitano de Lisboa, E. P. E.
De acordo com as vossas respostas a outras dúvidas relacionadas com os nomes de empresas ou marcas (como aqui), tem sido demonstrado que o uso correto é a precedência do artigo definido feminino (a/as), por subentender-se o nome «empresa» ou «marca».
Contudo, a empresa Metropolitano de Lisboa, E. P. E., é mencionada, no diploma que a rege, por «o Metropolitano de Lisboa, E. P. E.» (veja-se: Decreto-Lei n.º 148-A/2009, de 26 de junho).
Questiono se nesta situação há um entendimento que permita o uso indiferenciado dos artigos definidos masculino e feminino.
Grato pela atenção.
A regência de contributo
Deparei-me com uma dúvida relativamente à regência da palavra contributo. A construção correta, ou preferível, seria «o contributo da oralidade para a criação de ...» ou «o contributo da oralidade na criação de ...»?
A preposição em (contraída no artigo na) é aceitável e legitimada neste contexto para indicar o âmbito ou o processo em que o contributo se manifesta, ou a regência normativa exige exclusivamente a preposição para para indicar a direção ou o resultado?
Agradeço, desde já, a vossa disponibilidade e esclarecimento.
Que explicativo e que causal
Gostaria de esclarecer a seguinte dúvida: como identificar claramente numa frase a conjunção coordenativa explicativa que e distingui-la da conjunção subordinativa causal que?
Podem ser dados exemplos com as diferenças existentes entre elas?
Obrigada.
O verbo denunciar
Num aviso automático gerado pelo Google, associado a uma mensagem que recebi, leio:
«Por que motivo esta mensagem parece spam
Mensagens semelhantes que recebeu foram identificadas como spam. A Google mantém as suas informações pessoais privadas, seguras e protegidas.
Denunciar como seguro.»
Parece-me que a injunção final, «denunciar como seguro», está incorreta e provavelmente resulta de um efeito de espelho em relação a mensagens como «Denunciar como spam», em que há de facto a necessidade de evitar a receção de conteúdos supérfluos.
Não seria mais correto «Comunicar como seguro»?
«Esperar alguém» e «esperar por alguém»
É aceitável usar em linguagem cuidada «Espera-me à porta do cinema», em vez de «Espera por mim à porta do cinema»?
E assim, usando com todos os pronomes de complemento direto – te, o/a, nos, vos, os/as?
Mais uma vez, muito obrigada pela vossa dedicação!
«Ser útil/impossível/agradável/grato» com pronomes oblíquos (Brasil)
Gostaria de esclarecer uma dúvida acerca do emprego do pronome se em construções com o verbo ser, especialmente quando este ocorre acompanhado de pronomes dativos.
Encontrei ou elaborei exemplos como os seguintes:
• São-se-nos úteis estas informações.
• É-se-me impossível aceitar.
• Foi-se-lhe agradável a visita.
• É-se-nos hostil logo no primeiro dia de trabalho.
• É-se-lhe grato por todos os anos de dedicação.
Em contraste, parecem-me perfeitamente correntes e aceitas as construções sem se:
• São-nos úteis estas informações.
• É-me impossível aceitar.
• Foi-lhe agradável a visita.
• É-nos hostil logo no primeiro dia de trabalho.
• É-lhe grato por todos os anos de dedicação.
A minha dúvida é a seguinte: há fundamento gramatical para o emprego do pronome se nessas construções com o verbo ser?
Caso esse emprego seja considerado correto, gostaria de saber:
1. Que valor sintático desempenha o se nesses exemplos (pronome apassivador, índice de indeterminação do sujeito, marcador impessoal ou outra função)?
2. Existem gramáticos ou obras de referência (tradicionais ou descritivas) que aceitem ou analisem esse tipo de construção? Caso a resposta seja negativa, pergunto ainda:
1. O uso de se nessas estruturas deve ser considerado simplesmente incorreto ou apenas não sancionado pela norma?
2. Haveria algum contexto histórico, dialetal, literário ou de evolução da língua em que tais construções possam ocorrer ou ser explicadas?
3. Como interpretar frases como «Quando se nos é grato, sentimos que o esforço valeu a pena.»? Nessa construção, o se é aceitável por integrar uma estrutura impessoal («é grato a alguém») ou continua sendo inadequado?
Agradeço desde já pelos esclarecimentos e, se possível, pela indicação de bibliografia que trate especificamente desse tema.
Quantificador todos, elisão de pronome pessoal e concordãncia verbal
Tenho a frase «Ele é alguém em quem todos podemos confiar».
Está correto dizer assim, ou será «Ele é alguém em quem todos podem confiar.»?
Obrigada.
Deslocação de constituinte frásico para evitar ambiguidade
Nesta frase, que é também um título, «ASAE instaura processos a navios-fábrica por falta de higiene no Algarve», percebo que se trata de uma acção inspectiva no Algarve, mas a leitura pode ser outra, a de que o problema é a falta de higiene no Algarve.
O título não ficaria melhor, sem margem para dúvidas, se fosse escrito da seguinte forma: «ASAE, no Algarve, instaura processos a navios-fábrica por falta de higiene», ou «ASAE instaura processos a navios-fábrica, no Algarve, por falta de higiene»?
Obrigado.
