DÚVIDAS

O complemento do nome preconceito
Considere-se a frase: «António sente que o preconceito com a comunidade brasileira é grande e o crime organizado aproveita-se.» O constituinte «com a comunidade brasileira» classifica-se de acordo com qual das duas designações? 1. Um complemento do nome, pois alguns nomes derivam de verbos ou adjetivos que exigem um argumento para completar o seu sentido. O nome preconceito implica que algo ou alguém é o alvo desse sentimento. Quem tem preconceito, tem preconceito contra algo ou com alguém. Ao contrário de um modificador (como antigo ou injusto), que apenas acrescenta uma característica, o constituinte «com a comunidade brasileira» preenche o sentido do que é o preconceito neste contexto. O nome preconceito é de natureza relacional ou de processo. Se dissermos apenas «O preconceito é grande», a frase é gramatical, mas fica semanticamente incompleta no contexto da mensagem do António. O constituinte «com a comunidade brasileira» funciona como o argumento interno do nome, sendo que este grupo preposicional define o objeto do preconceito, restringindo-o de forma tão intrínseca que ele atua como um complemento selecionado pelo nome. 2. Um modificador do nome: o nome preconceito já tem sentido completo por si só (?). A expressão «com a comunidade brasileira» apenas especifica quem é alvo do preconceito, mas não é obrigatória para que a palavra preconceito faça sentido. Por isso, segundo o Dicionário Terminológico, esta expressão é um modificador do nome (facultativo), e não um complemento do nome (obrigatório). Antecipadamente grata pela explicação, fico a aguardá-la.
A regência de complementaridade
Considerando a frase: «A Igreja se enriquece da complementaridade entre os estados de vida: o leigo, evangelizando as realidades temporais; o clérigo, servindo ao povo de Deus nos sacramentos e no governo pastoral; o religioso, sustentando com sua oração todo o corpo eclesial" A preposição entre, que segue o substantivo feminino singular complementaridade, está correta? Ou o correto seria: «A Igreja se enriquece da complementaridade dos estados de vida: [...]»?. E se ambas as palavras são possíveis, quando utilizar a preposição entre e de depois de complementaridade?
A regência de capaz
 O adjetivo capaz exige qual preposição? O Dicionário Prático de Regência Nominal de Luft diz que o adjetivo capaz pode exigir a preposição para: «Para: Cidadão capaz [apto] para algo, para o trabalho. 'Vários tratantes e algumas pessoas capazes para intermédios'". (Garrett: Cruz) Porém, achei apenas a preposição de em todos os dicionários consultados por mim (Priberam, Aulete...). Desde já, agradeço-lhes a atenção.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa