DÚVIDAS

«A passo de caranguejo» e «a passos largos»
Qual destas frases utiliza a forma correcta? A) «Para lá talvez caminhemos, sonâmbulos, a passos de caranguejo.» B) «Para lá talvez caminhemos, sonâmbulos, em passos de caranguejo.» Existe alguma diferença entre as duas formas? Se existe, qual o significado de cada uma delas? NOTA: O «para lá» refere-se ao Portugal pré-1974, a propósito de umas fotografias que o fotógrafo Alfredo Cunha acaba de partilhar no Facebook.
Futuro do conjuntivo e presente do indicativo numa tradução de Vitrúvio
Atentemos neste excerto do tratado monumental de Vitrúvio que colige saberes arquitectónicos – « […] si autem natura loci impedierit […].» Traduzi-lo-ia por «mas se a natureza do lugar [o] tiver impedido», substituindo o futuro perfeito do indicativo latino através do futuro perfeito do conjuntivo português. Ora, ao fazê-lo, garanto, por um lado, que a nuance semântica apologética da tentativa se mantém e, por outro, que se respeita o sistema hipotético do português. Devido a este mesmo último entrave, o francês, cioso da dita nuance semântica, poderia traduzi-lo por «mais si la nature du lieu [l’]a empêché», visto que não se pode fazer seguir um futuro a um «si» hipotético. Agora, a tradução bastante recorrente por presente é absolutamente despropositada em português e em francês (a saber: «mas se a natureza do lugar [o] impede»/«mais si la nature du lieu [l’]empêche»). Pedia um comentário aos meus escritos, com especial enfoque sobre a importância de se salvaguardar a dita nuance semântica.
«Fazer uma pirueta» vs. «dar uma pirueta»
Estou com dúvidas quanto ao modo de introduzir a palavra pirueta numa frase. «Damos uma pirueta», ou «fazemos uma pirueta»? À semelhança de uma cambalhota ou de um salto mortal, por exemplo, «daria» uma pirueta; mas, por outro lado, trata-se de uma figura que se apresenta, daí que também me parece aceitável dizer que se «faz» uma pirueta. Qual é a correcta? Muito obrigado.
Os nomes pátrios da Guiné Equatorial e da Guiné-Bissau
Com a entrada da República da Guiné Equatorial [na CPLP], muitos jornalistas utilizaram os gentílicos guinéu-equatoriano e equato-guineense para o país, distinguindo-os assim dos da República da Guiné-Bissau (e também da República da Guiné, conhecida muitas vezes entre nós pelo oficioso Guiné-Conacri). Sabendo que este assunto já foi superficialmente tratado aqui no Ciberdúvidas, gostava no entanto de saber se é legítimo o uso de "equato-guineense"? É que nunca tinha ouvido falar do prefixo "equato-". E quanto ao "bissau-guineense" (usado por analogia com o inglês Bissau-Guinean)? Não seria uma boa alternativa para casos em que seja necessário distinguir os gentílicos das três Guinés? Muito obrigado pelo esclarecimento.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa