DÚVIDAS

Futuro do conjuntivo em orações adverbiais condicionais
Sei que o presente do indicativo pode também expressar ideia de futuro («Amanhã saio bem cedo» = sairei/vou sair). Mas me bateu a dúvida de se é correto usar o presente do indicativo numa frase como «se tenho tempo, vou com você ao cinema», quando se quer expressar condição no futuro – não atividade regular. O uso do futuro do subjuntivo me soa perfeito e melhor aos meus ouvidos: «se tiver tempo, vou com você ao cinema» (ou «irei», num contexto mais formal). Dou aulas a falantes de inglês, que tendem a usar o presente do indicativo e não o futuro do subjuntivo. Acredito que minha exaustiva exposição ao inglês acabou por dificultar minha avaliação da frase. Agradeço!
A pronúncia de -em final em Portugal
Acabo de ver, por acaso, a vossa resposta n.º 17 034 e gostaria de manifestar minha estranheza pelo facto de este site, sistematicamente, impor a pronúncia do chamado português europeu padrão (baseado na pronúncia de Lisboa), obliterando as outras realizações de pronúncias da língua portuguesa. Estou a falar, neste caso concreto, da pronúncia do ditongo escrito em que é só (e apenas só) na região de Lisboa que tem a pronúncia [ɐ̃j]. No resto de Portugal, não é pronunciado assim e em outros países de expressão portuguesa (como meu caso) também não. Por isso, eu acho estranho que o Ciberdúvidas não alerte que em outras variantes do português palavras como «têm, veem, vêm, deem, etc.» não são pronunciadas com dois ditongos, um a seguir ao outro ['ɐ̃jɐ̃j], mas são pronunciadas com uma vogal seguida de um ditongo ['eẽj]. Espero ter, humildemente, dado um contributo com esta pequena chamada de atenção e que eu esteja enganado ao pensar que o Ciberdúvidas quer «impor» a pronúncia lisboeta a não lisboetas e a não portugueses.
«Chico da rua»
Gostava de conhecer o significado desta expressão (possivelmente calão ou rima metida a martelo) que aparece na canção Eu Sou Maria-Rapaz, da Nani, que participou no Festival RTP da Canção de 1992. Eis o contexto: Chamas-me chico-da-rua e dizes que assim não dá Chamas-me pedra-de-lua, Maria-rapaz, sei lá Sou como a meloa, boa, só para quem provar Sou como a castanha, estranha, amor, que ao tocar te pica a mão Por dentro tão bom sabor e toda coração.
«Todo o corpo» e «todo corpo»
Como é que se deve dizer o Princípio de Arquimedes em português? Na Wikipédia leio: «Todo corpo mergulhado num fluido em repouso sofre, por parte do fluido, uma força vertical para cima, cuja intensidade é igual ao peso do fluido deslocado pelo corpo.» É possível a forma «Todo o corpo...»? Tenho lido alguma versão com esta outra forma. Em geral, em enunciados deste tipo (outro exemplo seria «Todo homem é mortal») é possível ou mesmo recomendável pôr um o após todo? Muito obrigado.
«Molho Cervejeira»
Recentemente a empresa Knorr lançou no mercado um concentrado para molho culinário a que chamou «Molho Cervejeira». A razão do nome deve-se ao facto de ter como ingrediente principal a cerveja. Em minha opinião trata-se dum erro de português já que a palavra molho é masculina, logo, teria de ser «Molho Cervejeiro» ou «Molho da Cervejeira». Gostaria de saber a vossa opinião sobre este tema. Muito obrigado.  
Valoroso, valorar, monetizar
Tenho ouvido com frequência num programa de leilão de jóias a expressão seguinte: «este anel é mais valoroso que o outro», sendo empregado no sentido de uma jóia custar mais caro, ter valor monetário atribuído maior que a outra. Estará certo o emprego deste termo valoroso neste sentido? No dicionário e na literatura sempre li este termo empregado no sentido de um valor subjetivo em que uma pessoa é valorosa por sua coragem, feitos e realizações geralmente em benefício de outros! Ouvi também os termos valorar e monetizar, verbos que constam em dicionários mas que são pouco usados. É correto o seu emprego? Podem me elucidar estas dúvidas? Desde já, obrigada.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa