DÚVIDAS

Procurador(a)-geral da República
«Joana Marques Vidal é a primeira mulher a ocupar o lugar de procurador-geral da República em Portugal», ou «Joana Marques Vidal é a primeira mulher a ocupar o lugar de procuradora-geral da República»? E, sendo o cargo masculino, é «Joana Marques Vidal, o novo procurador-geral da República», ou «Joana Marques Vidal, a nova procuradora-geral da República»? Por exemplo, na página da Procuradoria-Geral da República, lê-se o seguinte: «A Procuradora-Geral Adjunta Dra. Joana Marques Vidal tomou posse como Procurador-Geral da República em 12 de Outubro de 2012.» Tomou posse como Procurador-Geral, ou como Procuradora-Geral?
O verbo na interrogativa direta
Segundo Cândido de Figueiredo, excelente autor português, cujas lições ainda são bastante proveitosas, o verbo das orações interrogativas diretas tem sempre de anteceder o sujeito. Exemplo: «Como pode o homem sublimar a força da libido?» A construção «Como o homem pode sublimar a força da libido?» não teria nenhum apoio nos ensinos do conspícuo mestre lusitano. Se não estou equivocado, ele afirmava que constituía erro colocar o verbo depois do sujeito nas interrogativas diretas. Em minha humílima condição de estudioso da língua portuguesa, concordo com a doutrina dele. Creio que essa é a melhor posição para o verbo nessas construções. Qual é a opinião do Ciberdúvidas? Nas interrogativas diretas, é errado deixar o verbo depois do sujeito? Muito grato!
Adjunto adverbial vs. oração subordinada adverbial
«Fique o mundo sabendo que Colombo foi feliz não quando descobriu a América, mas sim quando a estava por descobrir. Em verdade afirmo que o trecho mais alto da sua felicidade foram aqueles três dias antes da descoberta do Novo Mundo, quando a equipagem amotinada e desiludida esteve a ponto de aproar de volta para a Europa. Não era o Novo Mundo que importava, mesmo que, de tão real, lhe caísse ombros abaixo» (Excerto de O Idiota). No final desse trecho, há um período cuja análise sintática me traz dúvidas. Veja-se: «Não era o Novo Mundo que importava, mesmo que, de tão real, lhe caísse ombros abaixo.» Oração principal: «Não era o Novo Mundo que importava» Oração subordinada adverbial concessiva: «mesmo que lhe caísse ombros abaixo» E quanto a «de tão real», que, na verdade, é «de tão real(que era)»? O que dizer dela? Parece-me que tal oração funciona como principal em relação a «mesmo que lhe caísse ombros abaixo», o que levaria esta a ser simultaneamente concessiva e consecutiva. Para ilustrar dou um exemplo de oração consecutiva semelhante: «A cena era tão real, que ela se quedou emocionada.» Pergunto: é possível tal análise? Outra possibilidade que me ocorre é tratar-se de oração explicativa: «mesmo que lhe caísse ombros abaixo, de tão real que era» («tão real ela era», «pois tão real ela era»). Obrigado.
Sobre o termo titularização
Nenhum dos dicionários de língua portuguesa que consultei (Porto Editora, Houaiss, Texto Universal, Lello, Aurélio, Academia das Ciências) inclui o vocábulo "titularização", apesar de este ser muito utilizado nos domínios financeiro e económico, referindo-se a títulos e/ou valores mobiliários. Surge em expressões como: «titularização de créditos»; «veículos de titularização»; «operação de titularização». Será que existe tal termo, ou tratar-se-á de um neologismo (ainda não dicionarizado) específico da área económico-financeira?
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