DÚVIDAS

Sobre a poliadjectivação, de novo
Acerca da dúvida entre o uso de "poliadjectivação" ou "poli-adjectivação", confesso que se prendia mais com o facto de este ou aquele vocábulo poder ser formado/existir, uma vez que, categoricamente, me "recusaram" o seu uso. Ainda assim, quando lancei a questão, procurei esclarecê-la no Ciberdúvidas, tendo encontrado um dos muito preciosos esclarecimentos de José Neves Henriques, que referia: «... os prefixos 'maxi', 'bi', 'mini', 'multi', 'poli' são seguidos de hífen, quando o elemento seguinte tem vida à parte e começa por h, i, r ou s». Esta conjunção coordenativa copulativa pareceu-me um pouco dúbia, porque não concluí se as duas características eram condições cumulativas, dependentes uma da outra, ou se seriam, tão-só, a enumeração de duas características, independentes uma da outra. Por isso grafei, primeiramente, "poli-adjectivação", pois pareceu-me que o 2.º elemento, "adjectivação", teria «vida à parte». Porventura, e sempre com o intuito de esclarecer as imensas dúvidas que diariamente me surgem, o esclarecimento «Conforme poderia ter visto no nosso Glossário, o elemento de composição antepositivo poli- dispensa o emprego do hífen, aglutinando-se sempre ao outro elemento de composição. Assim, deverá escrever poliadjectivação (poliadjetivação na variante brasileira).», de R.G., de 10 de Fevereiro de 2004, não estará totalmente correcto, uma vez que «o elemento de composição antepositivo poli-», segundo José Neves Henriques, não se aglutinará «sempre», como faz crer Rui Gouveia. Concluindo, poderei informar, quem julga tudo saber, que o vocábulo "poliadjectivação" pode ser formado e assumidamente grafado, ainda que não venha registado no dicionário?!?! Desculpem-me estas divagações linguísticas, mas como docente de Língua e Literatura Portuguesas, procuro, de alguma forma, não incorrer em mais erros do que aqueles em que habitualmente incorro. Somos docentes, mas também humanos. Mais uma vez, muito obrigado!
Ecoturismo + área-destino
Estou a fazer uma dissertação de mestrado em Gestão e Desenvolvimento em Turismo e é tal a utilidade do vosso sítio que o mantenho quase sempre aberto (minimizado) enquanto escrevo, para a ele recorrer de forma expedita e repetida. As minhas questões prendem-se com vocábulos relativos ao Turismo. A bibliografia é, na sua grande maioria, anglo-saxónica (leva hífen?) e sem tradução em português de Portugal. Coloco então à vossa consideração dois termos: . 'ecoturismo' – com ou sem hífen? . 'área-destino' ou destino turístico (do inglês, 'destination') – os académicos portugueses adoptam o primeiro termo, enfatizando a sua realidade espacial; os brasileiros traduzem 'destinação'. Pode utilizar-se 'área-destino'? É que é, de facto, mais rico do ponto de vista científico... E com hífen? Muito grata.
Ainda «O João gosta de manga, mas…»
Em relação a uma pergunta do consulente Filinto Lapa, cuja resposta da autoria da nossa consultora Edite Prada já está em linha, recebemos da nossa consultora Maria Regina Rocha uma resposta que também nos pareceu valer a pena colocar em linha. Ciberdúvidas Na sequência de uma pergunta feita por uma professora, foi-lhe respondido que a oração "O João gosta de manga" é principal ou coordenante; ora aprendi que não podia ser principal, pois não há uma relação de dependência entre elas e também não pode ser coordenante, visto que o termo não existe, pelo menos nos dicionários que consultei. Há uns tempos atrás, fiz essa mesma pergunta, tendo-me sido respondido que se poderia chamar-lhe coordenada inicial. Por outro lado, eu penso que lhe podemos atribuir o mesmo nome da segunda oração, como neste caso bem evidente: (ou) Estás calado ou sais.
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