DÚVIDAS

Labiobicipital
Já lhes enviei minhas dúvidas e pediram-me para dar o contexto. «O lábio glenoidal ântero-superior é o local mais comum de variações anatômicas labioligamentares. Na inserção tipo I, o complexo labialbicipital se fixa firmemente à margem da glenóide, de forma que a sonda de um artroscópio não pode ser inserida entre o lábio e a glenóide. Inserção tipo III do complexo labialbicipital. A seta cheia indica a presença de um p recesso profundo entre o lábio superior e a cavidade glenoidal.» Trata-se de estudo sobre radiografia do ombro. Como escrever corretamente: "lábio-bicipital", ou "labiobicipital", ou ainda "labialbicipital"? Obrigada.
O plural da sigla CDcompact disc»)
Sei que este assunto já foi abordado, mas gostaria ainda de obter alguns esclarecimentos. Uma vez que CD não é bem uma sigla como as outras pois já se instalou no uso oral como um nome, será legítimo escrevê-la como palavra ("cêdê") e pluralizar esta ("cêdês"), sobretudo na ausência de outros indicadores para o seu entendimento no plural? Por exemplo, «aquela mesa era uma confusão: cadernos, papéis, pacotes de batatas fritas vazios, CD...». «CD» não funciona; "CDs" ou "CD's" não é aceitável. Usar "cêdês" entre aspas? Optar pela expressão discos compactos? Neste caso, não deveria formar-se uma palavra composta ("discos-compactos"), atendendo a que qualquer disco de madeira ou de metal é compacto?
Redundâncias: dispensar, desmatamento, revidar, alicerce, comum
Gostaria de saber onde existe a redundância nas seguintes frases: a) «Com o manual, o usuário dispensa a necessidade de memorizar os comandos.» b) «O desmatamento de grandes florestas é um crime contra a natureza.» c) «Os guerreiros valentes queriam revidar o ataque.» d) «A família é o alicerce básico de qualquer sociedade.» e) «O candidato apresentou uma política voltada para o bem comum de todos.» Obrigada pela informação.
Sobre as palavras átonas
Escrevo-lhes em parte para pedir esclarecimentos, em parte para, com cuidadosa modéstia, contribuir. Começo pela contribuição. Acerca da conjunção como, ao ler nesta resposta a categórica afirmação de não-existência da pronúncia /cumo/ no Brasil, tenho de discordar. Certamente não era do conhecimento dos senhores consultores — daqueles que formularam a resposta — a variação ortoépica existente no Nordeste brasileiro. Embora tida como ruralizante, a pronúncia /cumo/ ainda se encontra em pessoas mais velhas ou em falantes que vivam mais afastados dos grandes centros urbanos. Tal fato se torna bastante notável em frases que contenham a expressão de realce é que. Por exemplo: «Como é que vai a senhora?» pode soar, no Nordeste do Brasil, da seguinte maneira: /cumé qui vai a sinhóra?/, em que ocorre elisão de como + é. Em seguida, a respeito do tema em apreço ainda me restam dúvidas relativamente à pronúncia doutras palavras. Em se tratando de língua portuguesa, que palavras são, por natureza, átonas? Há classes gramaticais de palavras inteiramente átonas? De acordo com o que aconselham, deve-se proferir /cômo/; se se trata de dissílabo átono, como se explica a preferência pelo o fechado, em contraste com porque /purque/? Sem contar com outros monossílados átonos, por exemplo: por, com. Muito obrigado pela atenção.
Espanha e Allende
O nome do nosso país vizinho é escrito lá assim: España, com um ñ. E nós escrevemos nh para que a pronúncia seja a mesma. Não faria sentido escrever "Alhende" em vez de Allende? Sim, eu sei que «não se traduzem os nomes próprios». Mas eu não estaria a traduzir o significado do nome mas apenas a manter a sua pronúncia. Se não podemos mesmo mexer nos nomes próprios, então um nome árabe teria de ser escrito com grafia árabe, certo? Obrigado pela vossa resposta!
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