DÚVIDAS

Abalar
No jornal Destak de 17/06/2008, encontrei na página 7, no preâmbulo de «Portugal com papel na solução da crise», a frase «Europa abalou com o Não da Irlanda ao Tratado». O uso do verbo abalar, neste contexto, é incorrecto, não é? Suponho que abalar, aqui, tem a função de verbo intransitivo e, portanto, significa «sair» ou «retirar-se». Não se deveria reformular a frase como «Europa abalada pelo Não da Irlanda» ou «Europa abalou-se com o não da Irlanda»? Continuem o excelente trabalho!
Ainda os particípios regulares ganhado, pagado e gastado
Acedi à pergunta-resposta sobre «tem-lhe ganh(ad)o» e gostei de saber que os particípios regulares ganhado, pagado, gastado, etc. ainda são os gramaticalmente correctos com os auxiliares ter/haver. Durante muito tempo defendi isso (os três particípios associados com dinheiro). Assim, continuarei a usá-los... e a dizer, por exemplo, «tenho acendido» ou «tem abrido», embora esta última já me soe mal. Estou certo? Obrigado.
Sobre concordância e pontuação
Ao ler um jornal, encontrei o seguinte texto em que uma artista relatava: «... O que se faz entre quatro paredes, as taras, os fetiches, não interessa absolutamente a ninguém.» Se bem não me engano, há dois erros gramaticais nesse texto: um de pontuação, separando o sujeito do predicado e outro de concordância? 1) O correto não seria: «... o que se faz entre quatro paredes, as taras, os fetiches não interessam absolutamente a ninguém»? 2) Qual o sujeito do verbo interessar? 3) A resguardar a intimidade daquela artista, e não cometer erros lingüísticos, não ficaria melhor: «... o que se faz entre quatro paredes, sexualmente, não interessa absolutamente a ninguém.» Será que estou equivocado? 4) Há como se colocar um aposto no lugar de «sexualmente» e manter a concordância do verbo interessar como no caso acima? Apesar de ser matéria recorrente, ficaria satisfeito se me elucidassem.
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