Consultório - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
 
Início Respostas Consultório Campo linguístico: Coesão/Coerência
Evandro Braz Lucio dos Santos Professor Santa Quitéria , Brasil 257

Na frase:

«Eu nunca sei como, quando e onde ele vai atacar.»

Há verbos implícitos nesta frase? Quais?

E na frase:

«O cão morrerá, se não de fome, de sede.»

Há verbos implícitos nesta frase? Quais? Como saber se há verbos implícitos numa frase?

Obrigado.

José Domingos Estudante Luanda, Angola 452

As frases têm problemas de coesão ou coerência?

«As escola está fechado.»

«Quando chegamos em tua casa, você tinhas saído.»

«Um relógio comprou a Maria.»

«Eu nasci gémeos.»

 

Mónica Isabel Domingues Gonçalves Estudante Tavira, Portugal 724

Na frase «Talvez o conhecimento de tantos poemas lindíssimos de amor que escreveu despertasse o interesse de milhões de alunos para a obra maior da nossa literatura», a expressão «a maior obra da nossa literatura» é uma referência a Os Lusíadas.

Estamos perante uma referenciação anafórica por substituição ( sinonímia) ou conceptual?

David da Silva Santos Advogado Guaratinguetá, Brasil 2K

«A mãe bateu na filha porque estava bêbeda»

 Observem o período acima, dizem que ele é ambíguo, pois na proposição não há como dizer quem estava bêbeda: a mãe ou a filha. Contudo, a meu ver não existe ambiguidade pelos motivos que abaixo apresento. Para fins didáticos, separei o período acima em três partes, a saber:

1º Parte: a mãe bateu na filha. Temos um sujeito agente simples "mãe", um verbo transitivo indireto "bateu" e um objeto indireto "filha". Esta oração é clara e não há ambiguidade nela.

2ª Parte: estava bêbeda. Na forma em que o verbo "estava" se apresenta, ele esconde dois sujeitos, o primeiro é o pronome do caso reto "eu" e o segundo é o também pronome do caso reto "ela", portanto, é aqui que está a ambiguidade. Esse verbo é de ligação e ele diz duas coisas ao mesmo tempo, veja: eu estava bêbeda; ela estava bêbeda.

3ª Parte: porque. Essa palavra "porque" é um conectivo cuja finalidade é fazer uma subordinação, por este método, as propriedades da oração subordinada passam para a oração principal e é a partir daqui que as coisas começam a ficar mais claras. Realizando o translado temos que, por meio do conectivo, as propriedades da oração subordinada transferem-se para a oração principal. Desse modo, o sujeito agente oculto “eu” refere-se ao sujeito agente expresso “mãe” da oração principal. Todavia, a mesma lógica não pode ser aplicada ao sujeito agente oculto “ela” da oração subordinada, porque não há outro sujeito agente expresso na oração principal na terceira pessoa do singular.

Concluímos então, que o adjetivo “bêbeda” de modo algum manda seta para “filha”, posto tratar-se de um objeto indireto e não sujeito oculto do verbo “estava”. Ademais, considerando-se "porque estava" uma locução adverbial, tal locução manda seta para o verbo "bateu", então teremos que "a mãe bateu porque estava bêbeda". Semanticamente temos uma mulher praticando um ato influenciada pelo uso de entorpecente. Portanto, a filha é vítima três vezes: da mãe, das sovas e do entorpecente.

Caso esteja correta minha análise, o erro maior praticado pelos intérpretes encontra-se quando alguém faz uma interpretação de um texto sem aplicar primeiro uma análise morfossintática.

Está correta minha análise? A locução adverbial é de causa? Se não estiver, por favor, expliquem onde errei.

Obrigado.

Victor Santos Escritor Brasil 702

Sei que o pretérito mais-que-perfeito figura na ação que ocorre antes de outra ação que é indicada pelo pretérito perfeito:

«Eu comera o bolo quando ela chegou.»

A primeira ação é a de comer o bolo, a segunda é a de ela chegar. Conheço também que podemos usar a forma do composto:

«Eu tinha comido o bolo quando ela chegou.»

Aquelas duas relações são muito claras para mim, mas há um terceiro caso sobre o qual estou em dúvida, não tenho certeza de como posso classificá-lo.

«Eu comi o bolo quando ela chegou.»

Ambas as formas verbais (comi, chegou) são as do pretérito perfeito. Mas não consigo indicar com certeza qual ocorreu primeiro.

Seguindo o raciocínio das primeiras, parto do pressuposto de que seja «comi» a primeira ação e «chegou» a segunda. Esta é também uma dúvida que tenho, mas não a principal, que vem a seguir:

O significado da primeira forma (comi) é o mesmo de comera, tinha comido? Isto é, há alguma equivalência de sentido, pelo menos neste caso, entre o pretérito perfeito e o pretérito mais-que-perfeito, de modo que eu pudesse substituir uma forma pela outra?

Esta dúvida surge por causa da ideia de que a ação de comer ocorre antes da ação de chegar.

Sugestões de outros artigos e referências são bem-vindas.

Grato.

Terrence Fraser-Bradshaw Educador Georgetown, Guiana 676

Gostava de saber se o uso de quem nesta oração «A mulher quem canta» estava correta ou não.

Grato pela resposta.

Ana Duarte Professora Lisboa, Portugal 726

Gostaria que me esclarecessem relativamente à classificação do sujeito da seguinte frase:

«Está a acontecer um pouco por todo o lado, mas sobretudo em livros.»

A minha primeira resposta foi sujeito nulo indeterminado («algo está a acontecer»), mas surgiu depois a dúvida relativamente à possibilidade de poder tratar-se de um sujeito nulo subentendido.

A frase pertence ao texto cujo link disponibilizo [aqui].

Antecipadamente grata.

Caio Kenzo Silva Wakatsuki Estudante Naviraí-MS, Brasil 831

O uso de e e «além disso», seguidos, na mesma oração, é correto?

Exemplo: «fulano disparou com a arma de fogo e, além disso, estourou uma bomba.»

Desde já, agradeço a atenção.

Maria Silva Estudante Portugal 555

Antes de mais, parabéns pelo excelente trabalho desenvolvido!

Tenho uma questão... no excerto:

«Portugal tem dois vizinhos: o oceano Atlântico e a Espanha. Um deles foi visto durante muito tempo como uma opção arriscada, traidora e perigosa, o outro era líquido.»

Numa questão apresentada em aula, considerou-se que, ao recorrer a "um deles" e a "o outro", se punha em evidência a coesão interfrásica.

Esta análise é a correta? Se sim, por que razão?

Muito obrigada pela atenção dispensada!

Mário Amaral Jurista Lisboa, Portugal 1K

Em certos tipos de textos jurídicos é costume utilizar alíneas como no seguinte exemplo (enumeração de factos):

«1. Factos Provados 1.1 Da acusação a) No dia 31 de janeiro de 2023 coloquei uma dúvida ao Ciberdúvidas; b) [...]?

Sucede, por vezes, que o número de itens é tão elevado que se dão várias "voltas" ao alfabeto, chegando-se, por exemplo à alínea zzzzzzz).

Este tipo de situações, para além de parecerem algo ridículas, suscitam dificuldades de formatação nos processadores de texto e geram alguma confusão nas remissões para as alíneas, dando azo a lapsos e retirando a utilidade prática às remissões, que utilizo sobretudo quando o texto das alíneas é de alguma extensão para poupar repetições.

Exemplo: «Como se diz na alínea zzz) [...]; Na alínea yyyy lê-se [...]; Remete-se aqui para a alínea ffff), etc.»

Haverá alguma outra maneira correta de designação dos itens de modo a evitar dar tantas "voltas" ao alfabeto?

Agradeço a atenção dispensada.