DÚVIDAS

A expressão «pedir emprestado»
É possível separar a expressão «Pedir emprestado»? «O Rui pediu emprestado o meu livro.», ou «O Rui pediu o meu livro emprestado / pediu-me o meu livro emprestado.»? «Ela pediu-nos emprestada a tenda de campismo.», ou ««Ela pediu-nos a tenda de campismo emprestada.»? «Ele pediu-nos emprestado o carro.», ou «Ele pediu-nos o carro emprestado.»? «Ela pediu-me emprestada a caneta.», ou «Ela pediu-me a caneta emprestada.»? Ambas possíveis? - género -? «Esqueces-te de devolver coisas que pedes emprestado», ou «Esqueces-te de devolver coisas que pedes emprestadas»? «Ela pediu-nos emprestado a tenda.», ou «Ela pediu-nos emprestada a tenda.»? Mais uma vez, os meus sinceros agradecimentos pelo vosso trabalho!
A sintaxe de inédito e pioneiro
Nas frases: «Este feito foi inédito em Portugal.» «Elvira Fortunato foi pioneira na investigação europeia sobre eletrónica transparente» um manual indica que «em Portugal» desempenha a função de modificador e «na investigação....», a função de complemento do adjetivo. Apesar de ter validado a informação junto dos alunos, continuei no entanto a questionar-me sobre as razões desta classificação, uma vez que o argumento da mobilidade que justificaria ser modificador tanto pode ser aplicável a um como a outro. Agradecia a vossa ajuda na melhor forma de abordar a questão.
Reconhecimento com complemento nominal e adjunto nominal
Na frase, «O reconhecimento pelo professor da validade das respostas é fundamental.», a expressão «pelo professor» é adjunto adnominal do nome reconhecimento, já que indica o agente que exerce o sentido do nome, adicionando uma informação a ele? Por seu turno, «a validade das respostas» é complemento nominal de «reconhecimento»? Nesse caso, na colocação preferencial de termos sintáticos, há ordem de precedência entre esses termos? Em outras palavras, o complemento nominal preferencialmente precede o adjunto adnominal na colocação de termos na oração, quando possuem o mesmo referente? Caso a ordem importe, há necessidade de vírgula para marcar a colocação dos termos (adjunto adnominal ou complemento nominal) que divirja da ordem preferencial, resultando em termos vindo em posição anterior àquela em que deveriam estar? Por exemplo, se o complemento nominal preferencialmente deve vir antes do adjunto adnominal, quando possuírem o mesmo referente, então o certo seria «O reconhecimento, pelo professor, da validade das respostas é fundamental.»? Grato desde já.
Porque e pois, em orações causais e orações explicativas
Qual é a diferença entre as orações coordenadas explicativas e as orações subordinadas adverbiais causais? A mim sempre me pareceram a mesma coisa. Se tivermos, por exemplo, a frase «Cheguei atrasado porque o despertador não tocou.», verificamos que a oração é causal, devido à conjunção porque, mas se colocarmos antes pois a oração já passa a ser explicativa, sem qualquer alteração na semântica da frase. Qual é a explicação para isto? Obrigado.
O predicativo do sujeito em «está bem onde não cabe»
Recentemente, foi lançado um álbum (de Ricardo Ribeiro) intitulado A alma só está bem onde não cabe. Curiosamente, lembrei-me logo de um verso de uma música mais antiga, de António Variações: «só estou bem aonde não estou». Gostaria de saber qual a função sintática das respetivas orações subordinadas substantivas relativas («onde não cabe» / «aonde não estou»). Pergunto isto porque o verbo estar tanto pode selecionar predicativos do sujeito com valor de estado (neste caso «bem») como com valor locativo/espacial («onde não cabe»), o que abre a possibilidade de estarmos na presença de dois predicativos do sujeito. Tentando explicar o cerne da minha dúvida, importaria analisar outras frases: 1) Ele está bem. O constituinte «bem» é predicativo do sujeito. 2) Ele está em casa. O constituinte «em casa» é predicativo do sujeito. Pesquisei e não encontrei frases com dois predicativos do sujeito a não ser quando separados por e. Exemplo: 3) «Ele está bem e em casa.» Mas aqui compreende-se, pois parece existir uma elipse: «Ele está bem e [ele está] em casa.» Ou em «Ele está feliz e calmo» («Ele está feliz e [ele está] calmo»). Ora, semanticamente, «Ele está bem em casa» é diferente de «ele está bem e em casa», pois no primeiro caso subentende-se uma relação “simbiótica” entre as tuas predicações, inseparáveis uma da outra. Assim, estas frases deveriam ser analisadas de forma diferente? Um dos constituintes seria modificador ou complemento oblíquo e o outro predicativo do sujeito? A questão é como fazer essa escolha. Concluindo, queria apenas que me esclarecessem se na frase em apreço («A alma só está bem onde não cabe») estamos perante a presença de dois predicativos do sujeito («bem» e «onde não cabe») ou se existe outra análise possível. Parabéns ao Ciberdúvidas.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa