DÚVIDAS

A pronúncia dos habitantes do Nordeste do Brasil
Sempre surgem críticas referentes ao modo nordestino de pronunciar as vogais e e o de sílabas átonas. O famoso gramático Napoleão Mendes chegou a dizer que tais vogais em sílabas átonas devem ser proferidas de maneira fechada, como de fato é a pronúncia dos moradores do Sudeste e do Sul do Brasil. Algumas pessoas chegam ao ponto de asseverar que a pronúncia nordestina, além de ser feia, é também errada. A questão é tão séria, que alguns nordestinos, quando vão a São Paulo ou a outros lugares daquelas regiões supramencionadas, ficam receosos de abrir a boca para que não passem por constrangimentos. Ora, de uma vez por todas, constitui erro pronunciar abertamente as vogais e e o quando fazem parte de sílabas átonas? Como exemplos, cito algumas palavras: PErnambuco, rEvElação, REcife, prOgrEssivo etc. Nesses exemplos, o E e O foram escritos com maiúscula para dizer que são prolatados de forma aberta. Espero vossa abalizada opinião, que agradeço desde já
O antónimo de adaptativo
Na literatura da área da psicologia, de origem anglo-saxónica, usa-se amiúde a distinção entre comportamento adaptative e maldaptative. Apesar de haver já uma pergunta e resposta sobre o termo mal-adaptativo, gostaria de saber se o antónimo correto de adaptativo deverá ser desadaptativo, mal-adaptativo ou inadaptativo. As três formas usam-se indiferenciadamente em textos portugueses, fruto, a meu ver, de traduções diretas que talvez mereçam ser esclarecidas pelo Ciberdúvidas. E já agora, a opção pelo uso de mal-adaptativo não obrigará a usar concomitantemente a expressão bem-adaptativo? Muito grato pela vossa atenção, generosidade e iluminação.
A interpretação de «massacre judaico»
No Largo de S. Domingos, em frente da Igreja de S. Domingos, em Lisboa, existe uma inscrição no chão a fazer uma referência a um massacre em que as vítimas foram judeus. Reza a inscrição: «Tributo da cidade de Lisboa às vítimas do massacre judaico de 19 de Abril de 1506.» Pergunta: foram os judeus que massacraram, ou foram os judeus que foram massacrados? Não teria a frase de estar escrita da seguinta forma: «Tributo da cidade de Lisboa às vítimas judaicas do massacre de 19 de Abril de 1506»? Muito obrigado.
O advérbio agora com tempos do pretérito
Agradecendo todos os vossos esclarecimentos que são preciosos e muito claros, queria que me ajudassem sobre o seguinte: estará correta a frase «Ao fundo, neste outro vagão onde agora nos sentámos e, com evidente preocupação, tentávamos encontrar uma escapatória àquela situação...»? O advérbio agora seguido de sentámos e tentávamos é a origem da dúvida. Analisei a resposta à questão colocada sobre «Agora, eu caminhava à beira-mar», mas não sei se se pode assimilar. Obrigado.
Subscrição vs. assinatura
Tenho visto recorrentemente o uso da palavra subscrição como sinónimo de assinatura no contexto de «assinatura/subscrição de um serviço ou bem». Por exemplo, «subscrever um pacote de serviços televisivos». Consultando os dicionários da Priberam e da Porto Editora, encontro para assinatura a definição «Direito que se tem a alguma publicação ou comodidade mediante certo preço por determinado tempo» e «Contrato através do qual se adquire o direito de receber determinado bem (publicação periódica) ou usufruir de um serviço (frequência de espetáculos, utilização de transportes públicos, etc.), mediante o pagamento de uma dada quantia». Não encontro uma definição semelhante para a palavra subscrição, embora encontre assinatura como sinónimo. Gostaria de saber se, neste contexto, é possível o uso de ambas palavras (ou se, eventualmente, há aqui alguma variação entre português de Portugal e do Brasil). Muito obrigado.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa