DÚVIDAS

Onde é que, de novo
Li com interesse a pergunta de um consulente sobre o porquê de uma pessoa erudita dizer "a igreja onde é que estamos", etc. Este é um fenómeno com que eu própria deparei há mais de 20 anos, quando tinha muitos amigos/amigas transmontanos. Sem falha, todos diziam "onde é que" quando não se tratava de uma interrogação. Nunca ouvi falantes de outras regiões de Portugal usar esta "expressão". Será de facto um regionalismo? Obrigada.
Verbos irregulares/verbos defetivos
A pergunta talvez cause estranheza, mas teve sua origem na distância existente entre o conceito que as gramáticas apresentam para 'verbos irregulares' e a prática da sala de aula e de vários livros didáticos. Nem todos os verbos irregulares são, a exemplo do verbo reaver, defectivos. E quanto aos defectivos, são irregulares? Se o são, por que as gramáticas e dicionários (Celso Cunha, Bechara, Matoso Câmara, etc.) não citam a ausência de formas como uma das possíveis características dos verbos irregulares, mas apenas a alteração do radical e a variação na flexão em relação ao modelo? Se não são irregulares, a ausência ou inexistência de formas (e não pensemos aqui nos unipessoais e nos impessoais), em razão da falta de registro ou de uso (por questão de eufonia), já não constitui por si só um outro tipo de irregularidade? Obrigada.
Levantar a mesa, outra vez
Entre as respostas do mês de Maio, houve duas que me levam a vos escrever: Levantar a mesa. Lembra-me a minha juventude em Trás-os-Montes onde literalmente a mesa era levantada. Um banco com uma mesa articulada que era abaixada diante do banco. Ao fim da refeição era levantada. "Mes meilleurs compliments": esta fórmula no final das cartas não existe em francês pela mesma razão que foi dada para a sua tradução em português. O que é parecido e que se emprega correntemente é "mes sentiments les meilleurs" ou "mes meilleurs sentiments". Se for de ajuda para alguém.
Proxémia, outra vez
Na resposta a um consulente sobre a palavra proxémia, apontou-se o significado geral de proxémica. A razão de só se encontrar referências ao significado do primeiro termo no âmbito da sociologia deve-se provavelmente ao facto de o mesmo ter a sua origem nesse ramo particular das ciências humanas. Embora tenha sido recentemente adoptada por outras áreas profissionais (como a arquitectura) para designar: em geral o problema da espacialidade enquanto fenómeno cultural e, em particular, o conjunto de necessidades espaciais que decorrem da especificidade cultural da pessoa humana, proxémia encontra o seu significado moderno em Edward T. Hall, que aliás escreveu obra bem conhecida sobre o assunto. (V. Hall, E.T.; "The hidden dimension", Londres, 1969. Pub. em português com o título "A Dimensão Oculta".) Hall reflecte sobre a continuidade do conceito de espacialidade que une em si noções tão diversas como espaço cultural, espaço auditivo, visual, etc. De modo simplista, é a esse conjunto de fenómenos que Hall chama proxémia.
Abreviaturas. Índice superior
   Estou muito confusa. Não me consigo entender com as vossa abreviaturas. Agradeço que me ensinem a abreviar as palavras seguintes, usando o computador (que não faz letras mais acima): Excelentíssima (Ex.ma ou Exma.??); Ilustríssimos; Senhores. E Mestra é Mª?    E é verdade que não se usa ponto final se uma abreviatura coincidir com o final de uma frase? Ex.: "..., de aventuras, etc."    Antecipadamente grata pela rapidez da resposta.
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