Pírrica
Na seguinte frase: «Bush nas eleições teve uma vitória pírrica.» O que significa o termo «pírrica» e qual a origem da palavra? Obs. – Se a origem vem de «Pirreo» não deveria ser «Vitória Pírrea»?
A vírgula de Saramago
A dúvida vem a propósito do título do texto de José Saramago na 1.ª página de Ciberdúvidas: «Uma língua que não se defende, morre» [cf. Antologia].
Fiquei com a impressão de que nos primeiros dias aquela vírgula não estava lá (o texto de José Manuel Matias na mesma página parece confirmar isso, pois a frase aparece citada sem a dita cuja), mas hoje dei com ela, e fiquei a pensar se não será um caso de «vírgula entre sujeito e predicado».
Tento fazer frases análogas, e sou forçado a concluir que a vírgula está lá a mais:
«Uma língua indefesa, morre»; «Uma língua que se defende, não morre»;
«Uma língua com aftas, dificulta a mastigação».
Estou certo ou errado?
Desta dúvida, passo para outra:
1. «Quem sabe, sabe»; 2. «Quem sabe sabe»; 3. «Quem sabe... sabe».
Quem sabe dizer-me qual é a pontuação correcta neste caso?
Desde já, muito agradeço.
Azul-marinho
Atribui-se a designação de azul-marinho a um tom escuro desta cor que de mar nada tem.
Penso que deriva da expressão inglesa "navy-blue" atribuída à cor das fardas da Marinha.
Assim, penso que se deve dizer, por exemplo: um casaco azul-marinha.
Mangusto
Magusto é uma festa em que se assam castanhas ou a própria porção de castanhas assadas. Pode também dizer-se mangusto. Por outro lado, há um alimento que consiste numa espécie de açorda com couve e alho que normalmente acompanha bacalhau ou carne. Este chama-se mangusto ou magusto?
Palavras parónimas: ai e aí
As palavras ai e aí são palavras homófonas ou parónimas?
Agradeço que me esclareçam esta dúvida.
Consta / “consta-se”
Tenho ouvido, frequentes vezes, usar, na linguagem oral, o vocábulo «consta-se» em vez de «consta». A utilização daquela forma verbal está correcta?
Plural de «faz-tudo»
Será possível dizerem-me qual o plural de «faz-tudo»? No novo Dicionário da Academia das Ciências aparece a forma «faz-tudos», mas o termo não me parece, de forma alguma, correcto, até porque se aceita também o «bué». Além disso nos nomes compostos quando o verbo aparece em primeiro lugar, não varia e o pronome «tudo» é invariável. Obrigado.
Isolante / isolador
Isolante ou isolador? Quais as diferenças entre uma e outra palavra?
Baptismo e baptizado
Uma pequena dúvida: qual é exactamente a diferença entre os termos baptismo e baptizado. Suponho que baptismo se refere ao acto sacramental em si (ou à cerimónia?). Estou correcta ao supor que baptizado se refere a todas as cerimónias ligadas ao baptismo?
Necessitar que / necessitar de, de novo
Muito obrigado pela resposta que me deram. Porém, em mensagem anterior que não surgiu no espaço "Perguntas de hoje" eu tinha transcrito do livro "Áreas críticas da língua portuguesa", da Editorial Caminho, um texto bem elucidativo sobre este assunto, e esse texto, como puderam ver, não fala de "angústia do erro" ou de "excesso de zelo"... Fala sim de uma espécie de assimilação da língua portuguesa em relação às línguas inglesa e francesa, quando se elide a preposição "de" antes de "que". Peço licença para transcrever de novo o texto referido: "Exemplo extraído das páginas 113/114 do livro "Áreas Críticas da Língua Portuguesa", de João Andrade Peres e Telmo Móia, Editorial Caminho, Colecção Universidade, série Linguística, dirigida por Maria Raquel Delgado Martins, edição de 1995, que aqui tenho desde há alguns anos. Outros exemplos aqui possuo que dizem que o uso de "de que" em frases do tipo "Necessito de que" é opcional. Há quem o aprove e há quem o desaprove. Poderia invocar livros de Rodrigo de Sá Nogueira e de Vasco Botelho do Amaral, por exemplo. Eis pois o extracto: "É ainda interessante referir o caso dos verbos precisar e necessitar, predicados que admitem tanto complementos preposicionados com de como complementos não preposicionados. Apesar de a presença da preposição ser opcional, parece-nos que actualmente as formas preposicionadas são bastante mais frequentes, quando os complementos em causa são nominais ou oracionais infinitivos. Veja-se: (384) O Paulo precisa (de) comprar um casaco novo. (385) Este cão está a precisar (de) um bom banho. (386) O Paulo necessita (de) ir ao médico. (387) Esta empresa necessita (de) cinco novos funcionários. Quando, porém, estes verbos tomam frases finitas como seus complementos, parece verificar-se – tal como acontece com o verbo gostar – uma preferência generalizada pela forma não preposicionada: (388) O Paulo precisa (de) que lhe faças um favor. (389) O Paulo necessita (de) que lhe emprestes esse livro. É ainda pertinente salientar, de passagem, que a aparente evolução do português no sentido da dispensa de preposições para a introdução de complementos oracionais finitos aproximará esta língua, no que a este particular diz respeito, de línguas em que o emprego de preposições nessa função é aparentemente nulo, como é o caso do inglês, ou muito restrito, como parece ser o caso do francês." Fim de citação. Portanto, o que concluo é que: 1) É opcional o uso da preposição "de". Trata-se de preferências, como ali em cima dizem. 2) Há uma evolução da língua portuguesa no sentido da dispensa da preposição "de", por uma espécie de assimilação em relação ao inglês e ao francês". É claro que pode haver quem discorde das opiniões expressas neste extracto, mas não seria possível explicarem-nos porquê? Muito obrigado.
