DÚVIDAS

O emprego dos pronomes de tratamento você/vocês
Minha pergunta alude ao emprego dos pronomes de tratamento você/vocês. Já me venho questionando há bastante tempo sobre a mistura que os brasileiros fazemos de você com os clíticos correspondentes a tu [te, ti (com pouca freqüência), contigo]. Cheguei inclusive a invejar os portugueses, e a elogiá-los, pelo uso conseqüente de tu (e seus derivados) e você [se, si, consigo, o(s), a(s), lhe(s)]. Contudo, tenho observado que também em Portugal se faz essa "confusão pronominal", quando se usa vocês e, em seguida, pronomes que se referem à segunda pessoa do plural — vós. Imagino que seja mais fácil explicar através de exemplos. No Brasil: «O que "você" vai fazer hoje à noite, querida? Posso ir(-)"te" visitar?» (por «Posso ir visitá-la?»). Em Portugal (recortes de uma mensagem enviada por um português e publicada pelo Ciberdúvidas): «Antes de mais, os meus parabéns pela continuação do "vosso" sítio e pela ajuda...» (por «do "seu" sítio»); ao final da mesma postagem: «Agradeço antecipadamente qualquer luz que "me possam" dar» (ou seja, empregou vocês).* Peço-lhes que me esclareçam: como se posiciona a norma-padrão a respeito disso? Como se chamaria esse fenômeno gramatical? Há algo a que possamos chamar "Concordância Pronominal"? De antemão o meu muito obrigado. * Ao citar os exemplos acima, não quis generalizar, pois sei que há um grande número pessoas que usam as formas regulares.
O berbere, o latim e os dialectos berberes africanos
Estava a tentar descobrir qual a etimologia da palavra borboleta, porque há semanas fiquei a saber que num dos dialectos berberes de Marrocos (o tachelheit) se diz 'tebirbilut'. No entanto, as referências que encontro no dicionário etimológico de José Pedro Machado (referido na vossa resposta) e no dicionário Houaiss remetem, apesar de algumas dúvidas, para o latim. Tenho duas questões: — houve contágios relevantes do berbere a partir do latim, ou vice-versa, durante a presença romana no Norte de África? — há alguma tradição, na linguística portuguesa, de análise e confronto com os dialectos berberes africanos, e não apenas com o árabe, quando se faz análise etimológica? Obrigada.
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