DÚVIDAS

A diferença entre maçã e pêro, de novo
Permito-me discordar da explicação dada pelo Prof. Fernando V. Peixoto da Fonseca sobre a diferença entre maçã e pêro. Só a tal me atrevo, por se tratar de uma questão de botânica e não de português. A espécie ou o fruto é só um, a maçã, com inúmeras variedades. Em algumas zonas do País, nomeadamente no Norte, a todas elas se dá o nome de «maçã». Noutras, a algumas dessas variedades, por exemplo, a "golden", dá-se o nome de «pêro». Portanto, se alguns lisboetas disserem que «pêro» e «maçã» são frutos diferentes, estão errados. Não o são. Se na ementa de um restaurante estiver escrito que há, de fruta, bananas, morangos e pêros, está correcto; Mas se estiver escrito que há bananas, morangos, pêros e maçãs, está errado (mistura-se espécies com variedades). Todos os pêros são maçãs, mas nem todas as maçãs são pêros.
A forma e o sentido de obsolescência
Gostaria de saber qual o vocábulo mais adequado para designar a qualidade daquele ou daquilo que se tornou obsoleto. Em alguns dicionários encontro «obsolência» e não «obsolescência», noutros o seu contrário. E estou a falar de dicionários como o Houaiss, o da Academia das Ciências, o Cândido de Figueiredo e outros. Há uma resposta anterior, vossa, que só refere «obsolescência». Obrigado.
A palavra clépsidra, novamente
De acordo com o ponto n.º 2 da anterior resposta do consultor F. V. P. da Fonseca, a preferência dada à proparoxitonia de "clépsidra" justifica-se por esta acentuação provir do latim, e não do grego, seu étimo base. Também assim o consideram José Pedro Machado, Antônio Geraldo da Cunha e o Dicionário Houaiss, os quais, embora apenas divirjam na datação precisa da entrada do vocábulo no léxico português, são unânimes em que foi no decurso do século XIX que o seu registo foi feito. Disto é exemplo o «Grande Diccionario Portuguez» de Frei Domingos Vieira. Todavia, segundo este autor, "clepsydra" deriva directamente do grego "klepsydra", não dando, por isso, qualquer indicação sobre a presuntiva mediação do latim. Assim sendo, em que lei da história da língua poderemos ancorar o argumento de que o termo em causa foi recebido, não pelo grego, mas por via latina? E se tal fenómeno ocorreu no século XIX, não estaria mais autorizada a voz do Dr. Frei Domingos Vieira? Muito obrigado, uma vez mais, pelo parecer que houverem por bem dar.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa