DÚVIDAS

Sobre a metafonia nominal
O fenómeno da metafonia nominal caracteriza algumas palavras (aquelas especificadas nas transcrições dos dicionários mais importantes), ou é um fenómeno que, talvez por analogia, caracteriza todos os nomes e adjectivos que acabam com -o e que têm /'O, 'E/ (timbre aberto) no masculino singular? Por exemplo, nas seguintes palavras plurais, o timbre da vogal é fechado, ou aberto (tendo em conta que o dicionário da Academia indica um timbre fechado das formas singulares, mas não especifica que os plurais tenham metafonia)? «os abandonos», «os aboios», «os abonos», «os abordos», «os abortos», «os acordos», «os adornos», «os afogos», «os aforros», «são agarenos», «os albedos», «os alhos-porros», «os alvoroços», «os alvorotos», «são amenos», «os amojos», «são anojos», «os antegostos», «os antegozos», «os anterrostos», «é antioquena», «são antioquenos», «os antojos», «os antracenos», «os apodos», «os apojos», «são arabescos», «os arremessos», «os arrochos», «os arroios», «os arrojos», «os arrolos», «os arrotos», «os assertos», «os assopros», «os aterros», «os atropelos», «os autocontrolos», «os autogovernos», «são avessos», «os azotos». É possível que também a consoante nasal heterossilábica iniba a abertura da vogal acentuada, como em abandonos, abonos, agarenos, amenos? Ou será que a metafonia depende do grau em que a palavra é culta?
Dicionários, solarengo, soalheiro, bimestral e bimensal
Dedicado que sou às questões linguísticas, publiquei há anos num jornal regional de pouca projecção um escrito a que chamei «Algumas questões dicionarísticas» e no qual referia vários pontos que me causavam estranheza. Acho estranho que alguns dicionários refiram que solarengo é o mesmo que soalheiro. Mais estranho acho dizerem que bimestral é o mesmo que bimensal. Estranho e surpreendente é que num recente dicionário (em seis volumes), que me farto de elogiar, entre nesta do bimestral igual a bimensal. É apenas por esta última questão que finalmente resolvi colocar uma questão a Ciberdúvidas. Será que a minha miopia ocular me subiu ao cérebro? Solicito comentário.
A regência de suportar
Eu preciso saber sobre a regência do verbo suportar, e a gramática foge de mim! Como se escreve a frase seguinte? «[...] suportou "os" impulsos dielétricos» ou «suportou "aos" impulsos dielétricos?» A Internet não ajudou, visto que vi jornalistas colocando que alguns feridos não suportaram "aos" ferimentos, e outros "os" ferimentos. Parece-me natural que quem suporta, suporta alguma coisa, o quê! Mas preciso fazer revisão em um relatório e não posso acreditar no natural que provém do meu cerébro. «Não consigo suportar isso», ou, «a isso»? Aguardo respostas! Desde já, muito agradecido!
Utilização de um sujeito na segunda oração
Se considerarmos apenas este tipo de construção, qual é a opção preferível? «Uma vez que a empresa está a aproximar-se cada vez mais da falência, a mesma deve adoptar medidas imediatas» ou «Uma vez que a empresa está a aproximar-se cada vez mais da falência, deve adoptar medidas imediatas.» Existe, neste caso, uma regra que determine a utilização ou a não utilização de um sujeito na segunda oração? Muito obrigada.
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