Escrita incorreta, o planeta Éris, o ensino do português em Angola, a leitura em contexto familiar e a «emergência climática» mundial - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
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Escrita incorreta, o planeta Éris, o ensino do português em Angola, a leitura em contexto familiar e a «emergência climática» mundial
Escrita incorreta, o planeta Éris, o ensino do português em Angola,
a leitura em contexto familiar e a «emergência climática» mundial
Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa 261

1. As locuções «com certeza» e «de repente» escrevem-se cada uma com duas palavras gráficas bem separadas, mas infelizmente são recorrentes as formas "concerteza" e "derrepente", tudo incorretamente pegado. Em O nosso idioma, a professora e linguista Carla Marques, consultora permanente do Ciberdúvidas, explicando estes e outros erros ortográficos como interferências da oralidade na escrita, apela a sermos mais cuidadosos e refletidos no que escrevemos.

2. De ortografia igualmente se fala no Consultório, a propósito do brasileirismo preto-velho, do tecnicismo decaexateto e do nome próprio Éris, que denomina uma deusa e um planeta anão. Como a construção de frases também requer cautela, retomam-se as questões de análise sintática e semântica: o que fazer com um pronome relativo que de interpretação ambígua? Quando o verbo ser identifica duas expressões em frases do tipo «a solidão é bom remédio», pode um nome abstrato como solidão fazer parte do sujeito?

3. O futuro do português em África depende do que se faça ou não nos países onde detém estatuto oficial e se fala como língua materna ou segunda língua. Angola, sempre na dianteira pelo número de reais e potenciais falantes, continua ainda a encontrar dificuldades na necessária transformação do português num instrumento de cultura e ciência para benefício dos seus cidadãos. Na rubrica Ensino, transcreve-se, com a devida vénia, do semanário luandense Nova Gazeta ( de 3/06/2019),  a entrevista que o professor universitário guineense Mário Joaquim Aires dos Reis, especialista na obra de Manuel Rui Monteiro, deu ao jornalista Edno Pimentel, sobre a situação do ensino superior angolano e a falta de formação e de incentivos que ameaçam a pujança inicial da própria literatura de Angola (na imagem, a obra de Carlos Ervedosa, Roteiro da Literatura Angolana, publicado em 1979).

4. Entretanto, multiplicam-se as plataformas e os recursos eletrónicos para o desenvolvimento de competências linguísticas e culturais, entre elas, por exemplo, as da literacia. Importa, pois, mencionar o lançamento do sítio eletrónico do Clube de Leytura com o qual a editora Leya pretende facilitar e promover em Portugal o acesso das famílias aos livros e à leitura (mais informação nas Notícias).

5. Assinala-se em 5 de junho o Dia Mundial do Meio Ambiente, cujos temas, em 2019, têm conhecido crescente relevo mediático. À volta da questão da mudança climática, entram em circulação novas palavras e expressões, umas criadas vernacularmente, outras provenientes de idiomas estrangeiros, sobretudo, do inglês. Convém observar, portanto, que o campo lexical associado ao tópico dá sinais de alargar-se conceptualmente, fazendo emergir novos termos: assim, para acentuar a gravidade das situações decorrentes da chamada «mudança climática», torna-se mais recorrente e até adequada a expressão «crise climática» (ler, a propósito, recomendação da Fundéu para o espanhol, a qual pode ser transposta para o português); e cada vez mais se diz e escreve de um «estado de emergência climática», que se reduz a «emergência climática». Maio de 2019 foi especialmente fértil na circulação destas locuções neológicas, cuja evolução contamos poder ir registando aqui; entretanto, sugerimos a leitura dos artigos e respostas que, sobre o tema, se encontram no arquivo do Ciberdúvidas: "Ambiência e ambiental"; "Os adjetivos derivados de clímax: climáctico e 'climácico'"; "'Alterações climáticas' ou 'mudanças climáticas'; "A formação da palavra edafoclimático"; "Condições edafoclimáticas"; "Condições atmosféricas"; "As acepções do adjectivo temporal"; "Geoestratégico"; "O adjectivo climatérico", "O que é verdade e mito nos provérbios populares sobre tempor e clima".

6. Outro registo, os 75 anos do Dia D, como ficou lembrado o desembarque dos Aliados nas praias da Normandia, em 6 de junho de 1944,  que marcou o inicio da derrota do nazismo e do fim da II Guerra Mundial. Direta ou indiretamente relacionados com esta efeméride, consultem-se "O significado da expressão Dia D'", "A grafia dos nomes de batalhas e guerras", "O aportuguesamento de nomes de regiões francesas", "A grafia das horas", "Sobre as horas", "Horas, de novo" , "Sobre a escrita dos números, das horas e de outras representações", "Livro de horas", "Canal da Mancha", "A praga dos vocábulos estrangeiros que não sabemos usar".

7. Temas da presente semana nos programas de rádio que o Ciberdúvidas produz para a rádio pública portuguesa:

– no Língua de Todos, o embaixador de Portugal no Brasil, Jorge Cabral, fala da digitalização dos acervos das riquíssimas bibliotecas dos grémios literários de Belém do Pará, do Recife e de Salvador da Bahia, tarefa financiada por um grupo de empresários brasileiros de origem portuguesa (programa transmitido pela RDP África na sexta-feira, 7 de junho, depois do noticiário das 13h00*; com repetição no dia seguinte, pelas 9h15*);

– no Páginas de Português, a professora universitária e linguista Margarita Correia, presidente do Conselho Científico do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), é entrevistada sobre a XIV Reunião Ordinária desse mesmo órgão do IILP, a qual decorreu na cidade da Praia (Cabo Verde), de 27 a 29 do passado mês de maio (programa emitido na Antena 2no domingo, 9 de junho às 12h30*, com repetição no sábado seguinte, dia 15 de junho, às 15h3*).