Diversidades - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
 
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Textos que versam sobre as variedades nacionais e regionais do português.
 O estranho caso da sobrevivência do lusotropicalismo
Uma narrativa perversa de identidade nacional

«A realidade socioeconómica portuguesa de hoje é marcadamente racializada na dimensão laboral, na dimensão geográfica e habitacional das áreas metropolitanas, nas desigualdades de acesso a espaços e bens públicos, na política e na comunicação social e mesmo na cidadania, nacionalidade e mobilidade. É como se a situação colonial tivesse sido transplantada para a ex-metrópole e o discurso lusotropical sobrevivesse como linguagem da negação.» Ensaio do antropólogo português Miguel Vale de Almeida publicado no jornal digital Setenta e Quatro em 10 de março de 2022. O autor revela como a ideia de lusotropicalismo, proposta pelo brasileiro Gilberto Freyre, foi transposta e se inscreve nas dinâmicas sociais, na vida culural e académica bem como até na discussão política do Portugal de hoje, em contexto pós-colonial.

Português: uma língua à portuguesa nas Caraíbas?
O papiamento de Curaçau

«[...] Sobre o papiamento podemos dizer com segurança que é uma língua com uma intrigante proximidade às nosssas línguas ibéricas, com uma história que passa pelas conversas dos escravos, dos judeus sefarditas fugidos do Brasil, da mistura de europeus, africanos e nativos americanos.» 

Texto do tradutor e professor universitário Marco Neves, dedicado ao papiamento, uma língua crioula falada na ilha de Curaçau, nas Caraíbas e que faz parte do Reino dos Países Baixos. Transcreve-se com a devida vénia o artigo publicado no blogue Certas Palavras em 14 de outubro de 2018, mantendo-se a grafia do original, que segue a norma ortográfica de 1945.

O português e as línguas da Ucrânia
Também a propósito de bilinguismo na história de Portugal

«Falo em russo, mas posso mudar para o ucraniano quando é mais apropriado, visto que as duas línguas são tão semelhantes entre si como o português e o espanhol. Frequentemente na televisão ou em apresentações de livros as pessoas conversam nas duas línguas simultaneamente.» 

Apontamento* do tradutor Serge Lunin, falante de russo e de ucraniano,  dando conta da história da sua aprendizagem do português, cuja história lhe serve de mote para uma reflexão sobre o bilinguismo na Ucrânia.

 *Texto apresentado pelo professor universitário Marco Neves, que o incluiu no seu blogue Certas Palavras em 6 de fevereiro de 2017, com tradução de Ivan Mestre. Escrito segundo a norma ortográfica de 1945, seguida pelo original.

 

Cf. A situação linguística na Ucrânia: apontamentos históricos

 

 

A russofonia e a geopolítica
A importância dos blocos geolinguisticos

«[É] no seio de uma mesma comunidade linguístico-cultural que há real solidariedade, tanto a nível interno como externo. É desde logo por isso que, não obstante toda a retórica político-mediática, ninguém está realmente disposto a sacrificar-se pela Ucrânia.» Considerações de Renato Epifânio, professor universitário e presidente do Movimento Internacional Lusófono, em artigo*  em que  sublinha a importância da definição dos blocos geolinguísticos – anglófono, francófono, russófono, hispanófono, lusófono – como fator de solidariedade internacional, a propósito do conflito geopolítico e também geolinguístico entre a Rússia e a Ucrânia. 

*in jornal Público em 23 de fevereiro de 2022

 

 

Espiões, gangues e militantes no ciberespaço
A terminologia do crime no mundo digital

«Nos últimos anos, tem existido um esforço crescente de toda a comunidade de cibersegurança para compreender quem são e como atuam os agentes da ameaça, identificar quais são as suas tácitas, técnicas e procedimentos (TTP) e reconhecer motivações e objetivos» – escreve o professor universitário Paulo Batista Ramos, em artigo publicado na revista Sábado em 17 de fevereiro de 2022, em que explica vários termos e siglas à volta do cibercrime e do ciberterrorismo.

Do valor da(s) língua(s) materna(s) <br> e da diversidade linguística
Sobre o Dia Internacional da Língua Materna

« [P]romover o ensino em língua materna pode esbarrar com obstáculos dificilmente transponíveis por comunidades que falam línguas minoritárias, menorizadas e até em risco de extinção, distintas das oficiais ou oficializadas dos estados a que pertencem, e geralmente pobres» – observa a professora universitária e linguista Margarita Correia em crónica publicada no Diário de Notícias em 21 de fevereiro de 2022 e com a qual a autora, identificando os desafios do multilinguismo em vários países da CPLP, assinalou o Dia Internacional da Língua Materna.

As dez línguas de Portugal
O que é uma língua?

« [O] site [Ethnologue] encontra dez línguas em Portugal! E nem sequer incluíram o inglês algarvio.» Comentário irónico do professor universitário Marco Neves num artigo dedicado à diversidade linguística que é possível identificar em Portugal e no qual se inclui também uma reflexão sobre o que vem a ser o valor de uma língua. Transcreve-se, com a devida vénia, o texto publicado no portal Sapo 24 em 23 de maio de 2021, mantendo-se a norma  ortográfica de 1945 do original Minderico.

Qual é a distância entre o galego e o português?
Uma métrica para a variação intra e interlinguística

«[...] na escrita, a distância entre o português actual e o português do tempo de Camões é apenas ligeiramente inferior à distância, na actualidade, entre o galego e o português. Aproveitemos a proximidade — afinal, se conseguimos ler Os Lusíadas, também conseguimos ler em galego.»

O professor universitário, divulgador de temas linguísticos e tradutor Marco Neves apresenta um método – o da métrica da Perplexity Language Distance (Distância Linguística da Perplexidade) – para avaliar objetivamente a distância entre línguas e as suas variantes internas. As conclusões a que chegou um grupo de investigadores galegos é que o português e o galego evoluíram de maneira divergente a partir do século XV, até ao século XIX, para depois convergirem com o castelhano, que tem, desde cedo, importante interferência em ambos, mas de forma diferenciada. Transcreve-se com a devida vénia o presente artigo, mantendo a ortografia de 1945 adotada pelo texto original.

As consequências do franquismo para o galego
Passado recente e perspetivas futuras da situação linguística da Galiza

«O franquismo deixou um desprestígio do galego e é um entrave que continua hoje» – afirma o filólogo e linguista Henrique Monteagudo, vice-secretário da Real Academia Galega (RAG) e professor da Universidade de Santiago de Compostela, numa entrevista conduzida pela jornalista Montse García e incluída em La Voz de Galicia em 31 de janeiro de 2022. São declarações do especialista a propósito do seu novo livro – O idioma galego baixo o franquismo. Da resistencia á normalización (Editorial Galaxia) –, no qual se analisa a política linguística durante a ditadura franquista em Espanha e se foca o papel da resistência galeguista. Além disso, o autor comenta as perspetivas (nem sempre risonhas) que atualmente se abrem à língua galega.  Tradução/adaptação do texto original em galego (este conforme as normas da RAG).

Como é o Ano Novo na Alemanha?
Palavras do alemão para uma quadra festiva

«Os fogos de artifício “Feuerwerk”, para espantar os maus espíritos com muito barulho e receber o Ano Novo com muitas luzes é um costume praticado nas ruas e parques [de toda a Alemanha].»

Artigo do blogue de Andréia Bohn, uma professora de Alemão nascida no estado brasileiro do Rio Grande do Sul. A autora reúne uma série de palavras e expressões que são costumeiras nas referências à festa de Ano Novo e aos votos que se formulam durante esta quadra na Alemanha.