Pelourinho - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
 
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Registos críticos de maus usos da língua no espaço público.

No passado dia 29 de Junho, o Canal 2 da RTP transmitiu o documentário «D. Quixote de Cervantes — o Espírito de um Livro» (uma tradução arrevesada de «Cervantes y la Leyenda de Don Quijote»).

O programa contou com participação de várias personalidades. Günter Grass falou alemão, Mario Vargas Llosa e Felipe González falaram castelhano, Martín de Riquer e Carme Riera falaram catalão. José Saramago falou portunhol.

Nenhum jornal está imune a gralhas, nem sequer a erros, embora haja uns erros menos desculpáveis que outros. Só quem não anda à chuva é que não se molha. As edições online dos jornais portugueses parecem, no entanto, apostadas em superar, no erro, as suas irmãs de papel. De vez em quando, deparamos com notícias como a do Correio da Manhã<...

Que se opte por (e escreva) flexigurança, enfim, ainda se aceitam os argumentos a seu favor, por muito que deles se discorde, como é o caso. Mas “flexisegurança”, como se insiste no semanário Sol, ou “flexi-segurança”, como vinha na edição do mesmo dia do Público, decorrem, tão-só, de teimosia... ignorante.

António Costa, candidato do PS à Câmara Municipal de Lisboa, declarou na semana passada que, se ganhasse as eleições, ia criar um simplis, ou seja, um simplex para a cidade de Lisboa.

A que processo de formação vocabular pertencem estas duas palavras?

No programa As Escolhas de Marcelo Rebelo de Sousa (RTP 1) de domingo passado, a propósito de uma notícia sobre a ETA, o comentador referiu que vale a pena acompanhar a situação e que o facto de não haver muita informação sobre o assunto pode querer dizer «As autoridades policiais [espanholas] vão intervir sem
Notícia do Jornal da Tarde1, um dos espaços nobres de informação da televisão pública portuguesa. Referia-se ela à transmissão da final de um concurso intitulado Sapo Challenge 20072, que, segundo o apresentador, terá envolvido «todas as escolas do país».

Essa transmiss...

Há uma arte de escrita de títulos nos jornais? Há.

O título designa, identifica, descreve e aponta para o conteúdo global do texto de que é porta-estandarte. O título tem de ter autonomia, tem de ser inteligível por si só e, ao mesmo tempo, instigar à leitura, criar a necessidade de ir buscar informação suplementar ao corpo da notícia.

O presidente do FC Porto foi traído por uma gralha. Sendo pessoa culta e partindo do princípio de que os jornalistas não dão erros ortográficos, só uma gralha justifica a comicidade do caso.

Entrevistado pelo Público, o presidente campeão teoriza sobre as relações entre o Ministério Público e os media e avança com uma analogia histórica: «Algo semelhante entre o que se passava na corte francesa (...).» Voici a parte culta.

Mais um exemplo da incorrecta utilização do por que, em vez do advérbio interrogativo porque:
«Pai de Nani explica por<span style="b...

No Telejornal (RTP 1) do dia 17 de Junho p. p., foi transmitida uma notícia sobre uma academia de formação em Palmela, tendo o apresentador referido que quase 90% dos formandos têm emprego logo que terminam os cursos.

Foi aqui bem utilizado o predicado («têm», «terminam»), em concordância com o sujeito plu...