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Pirosices da língua
Muitas palavras surgem não se sabe donde, como os fantasmas das chamadas lendas urbanas. A palavra piroso e a expressão «ser pires» aparecem do mesmo modo, do nada, explicadas por uma historieta que fala de um sr. Pires que, em Lisboa, venderia peças de vestuário à revelia da moda e do bom gosto. No consultório, uma resposta foca precisamente a origem de piroso, que refere uma categoria estética a que o português associa outros qualificativos, tais como foleiro,...
Cacoetes e outras irregularidades da língua
Quando se aceita ou contesta a norma, observa-se muitas vezes que o erro de hoje há de ser forma correta amanhã. Do Brasil, onde supostamente a língua tem sido mais inovadora, chega-nos uma reflexão muito interessante do linguista Aldo Bizzocchi, que, na revista Língua Brasileira, foca o contributo, para a mudança linguística, do chamado cacoete, isto é, «gesto, trejeito ou hábito corporal feio» e, por especialização semântica, «palavra, expressão ou recurso estilístico, expressivo, empregado...
Palavras do Islão
O mundo muçulmano está na ordem do dia depois dos atentados de Paris no passado dia 7 e posteriores repercussões internacionais, fazendo recorrentes as palavras (de origem árabe ou não árabe) que a ele se referem. À volta das muitas oscilações gráficas, morfológicas e semânticas que esses termos apresentam – basta recordar a discussão gerada pela forma islamista –, aqui ficam breves comentários sobre três casos, buscando ora a forma tradicional, ora o aportuguesamento, ora a consistência entre forma e...
O Ciberdúvidas já tem 18 anos
E eis que, depois de incontáveis testes de sobrevivência e crises de crescimento, o Ciberdúvidas da Língua Portuguesa alcança os 18 anos. A chegada, por assim dizer, à maioridade muito deve aos nossos consulentes, com os quais travamos um diálogo constante e frutuoso há quase duas décadas. O resultado é um vasto arquivo – cerca de 35 000 respostas e mais de 3000 artigos de divulgação e debate –, que constitui hoje um extenso repositório representativo do que os falantes do português (língua materna ou não) pensam e querem saber...
Cartune e cartunista
Os acontecimentos trágicos ocorridos em França, entre 7 e 9 de janeiro deste novo ano de 2015, obrigaram a comunicação social portuguesa a fazer referência ao género mediático a que se dedicava boa parte das vítimas do jornal Charlie Hebdo. Nota-se ainda grande apego ao termo inglês cartoon, apesar de existirem já adaptações ao português; relembremo-las: cartune e, no Brasil, cartum (cf. Dicionário Houaiss). Observe-se igualmente que...
A língua portuguesa em competição
Mesmo que, no início de 2015, a atualidade nos traga outro tipo de preocupações, a comunicação social portuguesa lá vai fazendo (algum) eco dos desafios que a língua portuguesa enfrenta no meio da impiedosa competição global entre idiomas. Assinalamos, por exemplo: – com indisfarçável melancolia, a despedida da língua portuguesa da página oficial da FIFA desde o início do ano de 2015, para dar lugar ao russo, tendo em vista a realização do Mundial de 2018 na Federação Russa; – como compensação (talvez) surpreendente*, o...
Falar com expressividade e prazer
Apesar de considerarmos que dizer muito em poucas palavras é uma arte, dificilmente resistimos ao pitoresco e à expressividade que frases feitas e outros idiomatismos conferem à fala e ao discurso, aparentemente contrariando ideais de economia e eficiência sistémica. No consultório, ao encontro desse prazer, comentam-se duas expressões desse tipo: «estar/andar em panos de vinagre» e «empurrar com a barriga». Nesta atualização, são igualmente abordados tópicos relacionados com a pragmática (atos...
Palavras do nosso tempo
Como anunciado, o Ciberdúvidas da Língua Portuguesa retoma neste dia as atualizações regulares do consultório e das demais rubricas. Assim, à volta das palavras que, em Portugal, mais marcaram as notícias de 2014, a rubrica O Nosso Idioma divulga dois artigos, mais precisamente, um apontamento da jornalista Rita Pimenta sobre o regionalismo xurdir e o texto "25 palavras que marcaram 2014", publicado na revista Visão. Um tema que vem a propósito da tradicional eleição da Palavra do Ano, um...
Até 2015
Fui ver ao dicionário de sinónimos A palavra mais bela sem igualPerfeita como a nave dos Jerónimos... E o dicionário disse-me NATAL. Perguntei aos poetas que releio:Gabriela, Régio, Goethe, Poe, Quental,Lorca, Olegário... e a resposta veio:Christmas... Noël... Natividad...Natal... Interroguei o firmamento todo!Cobras, formigas, pássaros, chacal!O aço em chispa, o «pipe-line», o lodo! E a voz das coisas respondeu NATAL. Cânticos, sinos, lágrimas e versos:Um N, um A, um T, um A, um...
Sydney, Sidney ou Sídnia?
Sydney é a grafia a dar ao nome da cidade australiana que as notícias puseram em foco. Porquê Sydney, e não "Sidney"? E não haverá feição mais portuguesa? Começando pelo nome inglês, sabe-se que o topónimo tem origem num apelido grafado de duas maneiras – Sidney e Sydney –, derivado de uma antiga expressão anglo-saxónica, sidan iege («ilha ampla»). A cidade, contudo, passou a ser conhecida como Sydney, em homenagem ao político britânico...
