Este é um serviço gracioso e sem fins comerciais, de esclarecimento, informação e debate sobre a língua portuguesa, o idioma oficial de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Sem outros apoios senão a generosidade dos seus consulentes, ajude-nos a dar-lhe continuidade: Pela viabilização do Ciberdúvidas. Os nossos agradecimentos antecipados.
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20 anos de Ciberdúvidas
20 anos de Ciberdúvidas
Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa 799

1. O Ciberdúvidas da Língua Portuguesa completa 20 anos no dia 15 de janeiro. Com a filosofia de um jornal, nas suas áreas de abordagem devidamente delimitadas, é um espaço que junta ao mesmo tempo o esclarecimento, a informação, a reflexão e também a polémica em torno do idioma oficial dos oito países da CPLP, constituindo-se como a primeira iniciativa no género, via Internet – e ainda sem paralelo em todo o universo da lusofonia. São porém 20 anos não isentos de dificuldades. E, até, de algumas interrupções resultantes dos constrangimentos financeiros para a manutenção de um serviço desta natureza e alcance, gracioso e sem quaisquer fins comerciais – e sem outros apoios senão a generosidade de alguns dos seus mais dedicados consulentes, na campanha SOS Ciberdúvidas. São também duas décadas com a recompensa do apreço manifestado por quantos nos procuram e acompanham – com uma média de um milhão de visualizações por mês –, dirigindo-nos palavras de estímulo ou enviando comentários e sugestões. Para todos os nossos consulentes e amigos, vai, portanto, um agradecimento especial, sempre na esperança de encontrarmos finalmente condições para levar por diante este projeto, sem as enormes dificuldades presentes.

2. Regressam ao consultório as dúvidas à volta das subtilezas do uso do conjuntivo nas orações relativas. Também se fala do nome próprio Corgo, que designa um rio que passa pela cidade portuguesa de Vila Real. E o que é melhor: «entredentes» ou «entre dentes»? E será que caverna é palavra derivada de cavidade?

3. Os estreitos laços históricos entre o português e a língua espanhola (também conhecida como castelhano) são fonte de erros recorrentes, pelos muitos falsos amigos lexicais que envolve. São exemplos clássicos o espanhol oficina, que é escritório em português, ou o traiçoeiro espantoso, que diz exatamente o contrário da palavra portuguesa espantoso. Para evitar a fatalidade destes e de outros mal-entendidos, a Casa da Achada – Centro Mário Dionísio, em Lisboa, organiza em 15 de janeiro p. p. uma sessão com o curioso título Portuñol no es idioma, oficina orientada pela professora Ana Rita Laureano, que propõe aos participantes virem «conhecer os erros mais comuns cometidos pelos portugueses que também pensam que falam espanhol porque abrem as vogais e falam mais alto quando falam estrangeiro»*. Entretanto, fica também aqui a ligação para um artigo muito útil do boletim «a folha» – Boletim de Língua Portuguesa nas Instituições Europeias (n.º 47, primavera de 2015): "Lista de falsos amigos espanhol-português, español-português". Sobre falsos amigos lexicais e castelhanismos, consulte-se no Ciberdúvidas: "Oferta e promoção", "As eleições em Espanha e os castelhanismos do português", Saramago, o Ibérico + Castelhanismos, a propósito de Saramago.

* Numa perspetiva diferente, refira-se a existência do portunhol riverense, um dialeto português que é falado na fronteira do Uruguai com o estado brasileiro do Rio Grande do Sul.

4. Entre as notícias que relevam da preocupação ou interesse pela nossa língua comum, realçamos:

– Em Portugal, o Tribunal de Contas, no relatório que publicou em 12/1/2017, sobre o JESSICA, iniciativa destinada a projetos nas cidades, mostra-se descontente com o uso da língua inglesa nos documentos desse acordo e recomenda ao governo que providencie no sentido de «garantir que se assegura uma versão em língua portuguesa dos documentos que regulem a implementação e execução dos instrumentos de engenharia financeira» (ler notícia aqui).

– O arcebispo de Goa e Damão, D. Filipe Neri Ferrão, salientou a visita oficial do primeiro-ministro português António Costa à União Indiana, que decorreu entre 7 e 12 de janeiro p. p., como um reforço do interesse pela língua portuguesa que está a crescer entre os jovens no estado de Goa (ler notícia).

5. O Ciberdúvidas assinala também o seu aniversário nos programas que produz para a rádio pública portuguesa. No Língua de Todos de sexta-feira, 13 de janeiro (às 13h15*, na RDP África, com repetição no sábado, 14 de janeiro, depois do noticiário das 9h00*), o editor executivo do Ciberdúvidas, Carlos Rocha, faz um balanço do nosso trabalho ao serviço de quem fala e escreve o idioma oficial de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. No Páginas de Português de domingo, 15 de janeiro (na Antena 2, às 12h30*, com repetição no sábado seguinte, às 15h30*), este percurso de duas décadas é comentado por um linguista (o professor Malaca Casteleiro) e um jornalista (António Loja Neves).

* Hora oficial de Portugal continental.