Anglicismos de (fácil) equivalência em português - O nosso idioma - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
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Anglicismos de (fácil) equivalência em português
Anglicismos de (fácil) equivalência em português

No mundo globalizado, os anglicismos têm inundado a comunicação em Portugal, fruto do poder económico e tecnológico do universo anglo-saxónico, dos Estados Unidos em particular. O inglês é a língua franca dos tempos contemporâneos e o seu léxico domina hoje largas áreas do conhecimento, particularmente no plano científico e tecnológico, entre outros. Os empréstimos de línguas estrangeiras no código linguístico nacional pode ser um processo salutar e de ajustamento às ideias e aos novos conteúdos que veiculam por regra. O contrário já acontece, porém, quando se dá, pura e simplesmente, a substituição de vocabulário vernáculo por terminologia estrangeira, seja por razões de afirmação cultural, pedantismo ou submissão.

O português é uma língua rica, detentora de vocabulário extenso, diversificado e expressivo. Ao longo da sua história secular, tem até sido um idioma aberto a outros códigos linguísticos estrangeiros, adotando, adaptando e aportuguesando palavras oriundas de diversas origens, como o latim, o árabe, o francês, o inglês, o castelhano, entre outros idiomas de contacto e partilha.

A verdade é que, no caso dos anglicismos – e, em particular, nos anos mais recentes – eles têm proliferado de forma excessiva no nosso processo de comunicação, em claro prejuízo de alternativas credíveis e adequadas na língua portuguesa. A vaidade dos homens, coadjuvada por meios de comunicação social nada sensíveis ao primado (e ao bom uso) do idioma nacional, deram um impulso importante para que todas as áreas da sociedade fossem tocadas por esta ocorrência sem que ninguém lhe ponha limites.

Nos nossos dias, em todas áreas, há saturação de terminologia inglesa que a maioria dos leitores, ouvintes e telespectadores não compreende e que tornam a comunicação pretensiosa e elitista, contrariando a regra da clareza em que assenta toda a comunicação de massas.

Ou, no caso, do vestuário, nomeadamente nos shopping-centre – centro comercial?, ninguém percebe... –, agora como que já deixou de haver roupa, apenas outfit. Fato macaco? É mais fino anunciá-los como sendo jumpsuits. E, se calhar, os sapatos de salto alto não ficam tão bem numas pernas femininas como uns pumps...

Nem os animais domésticos se levam, já, aos veterinários e às suas clínicas: petcare deve ter mais pedigree...

E, claro, o toucinho há muito que vem sendo subalternizado pelo bacon. Nem já se vendem cachorros-quentes, comida rápida ou para levar para casa – apenas hot-dogs, fast food e take away.

Diferente, obviamente, é quando o estrangeirismo circula entre interlocutores profissionais e quando a universalidade de certa terminologia técnica e científica, de domínio comum, facilita essa comunicação específica e a eles só circunscrita.

Não é o caso, flagrantíssimo, do chamado economês... da moda.

Alguns exemplos destes anglicismos mais correntes no meio empresarial, da gestão e da informática – facilmente substituíveis por termos portugueses (muitos deles já contemplados em respostas anteriores no Ciberdúvidas, cf. Textos Relacionados):

  • Account – Conta;
  • Account Controller – Controlador de Contas;
  • Account Manager – Diretor de Contas;
  • Backup – Cópia de segurança, geralmente mantida em disquetes ou CD-R;
  • Benchmarking – Aferição;
  • Brand – Marca;
  • Brand Manager – Gerente de Marca;
  • Broker – Corretor;
  • Budget – Orçamento;
  • Cashflow – Fluxo monetário de uma empresa;
  • Commercial Manager – Diretor Comercial;
  • Customer Service Account Coordinator – Coordenador de Conta e Serviço ao Cliente;
  • Developer PHP/Javascript (Web) – Fomentador de PHP/Javascript (Web);
  • Developer Python e/ou Perl – Fomentador de Python e/ou Perl;
  • Engagement Principal for TVM – Diretor de Compromissos para TVM;
  • Feedback – Parecer; experiência; regeneração;
  • Field Informatics Specialist – Especialista na Área de Informática;
  • Financial Controller – Controlador (Diretor) Financeiro;
  • French Customer Care Advisor – Conselheiro para os Interesses de Clientes Franceses;
  • International Controller – Controlador Internacional; Diretor Internacional;
  • International Customer Service – Serviço Internacional de Clientes;
  • International Sales Manager – Gestor Comercial;
  • Key Account Manager – Gerente de Contas;
  • Know how – Conhecimento; experiência técnica;
  • Merchandising – Negociar;
  • Mouse – Rato. Instrumento periférico de um computador;
  • Offshore – Empresas que se encontram sediadas fora do seu país de origem, normalmente situadas em ilhas, para fugirem a cargas fiscais;
  • Outlook – Previsão, perspetiva ou prognóstico;
  • Outsourcing – Terceirização; contratação externa de serviços;
  • Password – palavra-passe; senha;
  • Presales – Pré-vendas;
  • Professional Services Coordinator – Coordenador de Serviços Profissionais;
  • Rating – Agências de notação financeira; avaliação;
  • Regional Key Account – Gerente Regional de Contas;
  • Renting – Alugar;
  • Report – Relatório;
  • Sales Administration Support – Suporte Administrativo de Vendas;
  • Sales Executive – Executivo de Vendas;
  • Software Configuration Manager – Diretor de Configuração de Software;
  • Spread – Crescimento;
  • Streaming – Transmissão; filmagem;
  • Field Merchandising – Supervisor de Equipas na Área de Mercado;
  • Supply – Curva que indica o nível de oferta no mercado;
  • Support Consultant – Consultor de Apoio;
  • Systems Engineer Microsoft – Engenheiro de Sistemas Microsoft;
  • Systems Engineer Networking – Engenheiro de Sistemas de Trabalho em Rede;
  • Systems Engineer Open Source – Engenheiro de Sistemas de Código Aberto;
  • Systems Engineer Vmware – Engenheiro de Sistemas de produtos Vm;
  • Técnico Júnior Business Intelligence – Técnico Júnior de Inteligência Negocial;
  • Técnico de Networking Sénior – Técnico Sénior de Trabalho em Rede.

 

Cf. ainda: Anglicismos de A a Z +  Customizar, fulcrar, ociar (in Língua Brasil).

Sobre o autor

Mestre em Teoria da Literatura (2003) e licenciado em Estudos Portugueses (1993). Professor de língua portuguesa, latina, francesa e inglesa em várias escolas oficiais, profissionais e particulares dos ensinos básico, secundário e universitário. Formador de Formadores (1994), organizou e ministrou vários cursos, tanto em regime presencial, como semipresencial (B-learning) e à distância (E-learning). Supervisor de formação e responsável por plataforma contendo 80 cursos profissionais.