A nova presidência dos EUA por palavras - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
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A nova presidência dos EUA por palavras
A nova presidência dos EUA por palavras
Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa 982

1. No dia da tomada de posse de Donald Trump como 45.º presidente dos Estados Unidos da América, justifica-se retomar perguntas e artigos que incidam quer no tema específico da campanha eleitoral que culminou com a vitória do multimilionário, quer em tópicos de alguma maneira relacionados com o país em apreço e com o impacto que ele tem na política mundial. Sugere-se, portanto, a leitura de "Dos tempos de Obama ao de Trump", "Suspense, palavra marcante nas eleições dos EUA", "Estado Unidos: plural, ou singular?", "Os estados Unidos são um país", "Sigla EUA", "Tradução dos nomes das regiões dos Estados-Unidos", "Gentílicos de cidades dos Estados Unidos da América", "Estado-unidense, estadounidense, norte-americano", "Norte-americano" ou "americano"?, "'Eleito como' e 'considerado'". Torne-se também ao registo dos vários neologismos e palavras recorrentes que rechearam as notícias sobre a ruidosa ascensão de Trump: por um lado, trumpismo, trumpista, pró-Trump, anti-Trump, Trumpamérica, trumpificação, trumpestade; por outro, racismoxenofobia, misoginia, homofobia, populismo, arrogância, ou megalomania. E, para não esquecer como se usam e abreviam os numerais ordinais, recorde-se ainda que 45.º é a representação numérica de «quadragésimo quinto», a qual, como abreviação que é, se escreve com ponto abreviativo e, depois deste, com -o final de quinto em expoente (ler "O ponto é ou não obrigatório para marcar uma abreviação?").

* Posteriores derivações, entretanto, do antropónimo do novo Presidente dos EUA: Como trurmpificar um pais. Ainda a respeito do discurso mediático decorrente da tomada de posse de Donald Trump, concretamente para o castelhano, vide a recomendação,da  Fundación para el Español Urgente (Fundéu BBVA), com data de 19/1/2017.

2. Na rubrica Acordo Ortográfico, fica disponível um texto do jornalista Nuno Pacheco saído no Público de 19/1/2017, a propósito do anúncio dos aperfeiçoamentos que a Academia das Ciências de Lisboa tenciona introduzir na aplicação do Acordo Ortográfico de 1990 (AO) em Portugal. Uma curta citação: «Que volte tudo à mesa, para que, "remendando" o AO ou deitando-o fora, não haja mais escolhas impensadas, baseadas em panaceias há muito desmentidas».

3. No consultório, quatro perguntas: a palavra odre tem o fechado ou aberto? É correto empregar o particípio passado aceito? Se linguística tem acento, porque não se acentua linguista? «Ser confrontado com» ou «por»?

4. A variação linguística sempre deu azo a situações cómicas: são exemplo as falas das personagens populares do teatro vicentino, destinado a fazer rir quem se sentia instalado na variedade tida por normal. Explorando esta tendência, o humorista Ricardo Araújo Pereira dedicou, na rubrica Mixórdia de Temáticas da Rádio Comercial, um apontamento à volta de duas pronúncias dissonantes do padrão: trata-se de como, quando articulado "cumo", e de rio, tio ou frio, que continuam a ser dissílabos em várias regiões portuguesas. Observe-se que estes três últimos vocábulos, em Lisboa e cada vez mais noutros pontos de Portugal, são monossílabos, pronunciando-se "riu", "friu" e "tiu", portanto, com ditongo.

5. Quanto aos programas que o Ciberdúvidas produz para a rádio pública portuguesa, lembramos que o Língua de Todos de sexta-feira, 20 de janeiro (às 13h15*, na RDP África, com repetição no sábado, 21 de janeiro, depois do noticiário das 9h00*), a consultora Sandra Duarte Tavares foca dúvidas recorrentes do português. No Páginas de Português de domingo, 22 de janeiro (na Antena 2, às 12h30*, com repetição no sábado seguinte, às 15h30*), Sara de Almeida Leite, professora do Instituto Superior de Educação e Ciências (Lisboa), comenta o impacto dos anglicismos na nossa língua.

* Hora oficial de Portugal continental.