Português vs.
espanhol,
tatibitate, tem= existe, o tratamento você e «mosquitos por cordas, moscas por arames»
1. O português e o espanhol são línguas muito próximas, ambas resultantes da evolução do latim hispânico no centro e ocidente da Península Ibérica. Mas a proximidade produz também numerosos equívocos que não se limitam a escritório se traduzir castelhanamente por oficina, ou o português oficina se transpor geralmente como taller, que, do outro lado da fronteira, não tem de ser entendido como talher, porque talheres são cubiertos. Aos falsos amigos lexicais luso-espanhóis, somam-se ainda, por exemplo, diferenças na atribuição de género gramatical, levando a que, em português, ponte e cor, nomes femininos, correspondam ao espanhol puente e color, nomes masculinos, apesar de os dois pares serem cognatos, isto é, têm a mesma origem, no latim vulgar PONTE- e COLORE-. Em O Nosso Idioma, a diferença de género entre palavras cognatas em português e em espanhol é tema para uma breve reflexão da consultora Inês Gama.
Outros artigos postos em linha recentemente: "Interjeição ó" (10/03/2026) e "'Cancro maligno'?!" (12/03/2026).
2. Num conto tradicional recolhido pelo filólogo Teófilo Braga (1843-1924), figura a palavra tatebitate, variante que vários dicionários preferem remeter para tatibitate, sinónimo de gago, tartamudo e acanhado, como se regista no dicionário da Academia das Ciências de Lisboa). Será tatebitate, com e na segunda sílaba, um arcaísmo a evitar nos dias de hoje? A dúvida encontra-se no Consultório.
Outros tópicos das respostas publicadas entre 9 e 13/03/2026: o uso de palavras e expressões (contra, tasco, vício, finalmente, vigorar, impacto; os nomes próprios Joaquina e Bengala); a análise de frases (oração comparativa, que explicativo, interrogativa indireta, «mas também», se com infinitivo, passiva sintética, orações relativas); problemas de semântica (modalidade); e a definição de termos da descrição gramatical (frase nominal).
3. Nas rubricas em vídeo do Ciberdúvidas, retoma-se o episódio 43.º de "O Ciberdúvidas Vai às Escolas" a respeito do uso de tem com valor existencial, como sinónimo de há; e, no 63.º episódio de "Ciberdúvidas Responde", dão-se esclarecimentos sobre as subtilezas do uso de você em Portugal.
4. No podcast Falsos Lentos de 10/03/2026, fez-se referência a uma antiga consulta ao Ciberdúvidas, a propósito de «mosquitos por cordas», expressão que significa «tumulto, balbúrdia, confusão» e pode ocorrer em frases como «haver mosquitos por cordas» ou «ver mosquitos por cordas». O autor da resposta, José Mário Costa, apoiado pelo consultor F. V. Peixoto da Fonseca (1922-2010), observava que não era clara a origem deste modo de dizer e o mais que se podia supor seria uma motivação metafórica. Décadas depois, ainda está por esclarecer a génese de «mosquitos por cordas», que, ao que parece no Brasil, também ocorria numa variante mais extensa: «mosquitos por cordas, moscas por arames» (cf. José Pedro Machado, Grande Dicionário da Língua Portuguesa, 1989). Curiosamente, «mosquitos por cordas» tinha uso corrente na língua do século XIX e encontra atestações em textos de Camilo Castelo Branco e de Júlio Dinis (ver Corpus do Português). E, dos anos 80 do referido século, há mesmo uma comédia intitulada Mosquitos por Cordas, da autoria de um dramaturgo então bastante popular, Eduardo Garrido (1842-1912).
5. Registe-se com pesar a morte de Mário Zambujal (1936-2026), autor de Crónica dos Bons Malandros (1980), um livro que lhe deu enorme popularidade em Portugal, conforme se aponta nas Notícias.
6. Quanto aos programas de rádio Língua de Todos e Páginas de Português, disponibiliza-se toda a informação na página principal e nas Notícias.
