Caro consulente, a palavra contra, como substantivo, continua sendo formada por conversão, ainda que esteja no plural.
De fato, conversão é o processo derivacional por meio do qual uma base B forma um produto P, de modo que B e P sejam ambos completamente homófonos, embora ainda formem palavras distintas. É o caso do substantivo contra, que foi derivado da preposição contra. Assim, contra (prep.) e contra (subst.) são palavras diferentes, mas esta derivou daquela por conversão.
Acontece que uma das diferenças entre flexão e derivação é justamente o fato de a derivação criar palavras novas, mas a flexão não. A conversão é um processo derivacional (chamado, em alguns livros, de «derivação conversiva» ou «derivação imprópria»). Então, da preposição contra derivou o substantivo contra, que são, de fato, palavras diferentes.
Porém, menino, menina, meninos, meninas são considerados não palavras diferentes, mas sim formas da mesma palavra, uma vez que, material e semanticamente, eles se referem ao mesmo tipo de entidade no mundo (crianças, jovens), sendo a flexão apenas uma marca de categoria gramatical (número, gênero). O mesmo se diga de contra, contras, que ainda são duas formas diferentes para a mesma palavra.
Portanto, quando um não substantivo é sujeito à nominalização, ele passa a funcionar como substantivo e, como tal, incorpora suas propriedades morfossintáticas, que incluem a possibilidade de o nome variar quanto ao número (singular e plural). Independentemente da flexão, esse nome ainda terá passado por nominalização e, assim, será considerado derivado.