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F. V. Peixoto da Fonseca
F. V. Peixoto da Fonseca
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Fernando Venâncio Peixoto da Fonseca (Lisboa, 1922 - Lisboa, 2010) Dicionarista, foi colaborador da Enciclopédia Portuguesa e Brasileira e da atualização do Dicionário de Morais, membro do Comité International Permanent des Linguistes e da Secção de História e Estudos Luso-Árabes da Sociedade de Geografia de Lisboa, sócio de Honra da Sociedade da Língua Portuguesa e da Academia Brasileira de Filologia. Antigo decano dos professores do Colégio Militar, era licenciado, com tese, em Filologia Românica, distinguido com a Ordre des Palmes Académiques. Autor de várias obras de referência sobre a língua portuguesa, entre as quais O Português entre as Línguas do Mundo, Noções de História da Língua Portuguesa, Glossário etimológico sobre o português arcaico, Cantigas de Escárnio e Maldizer dos Trovadores Galego-Portugueses, O Português Fundamental e O Ensino das Línguas pelos Métodos Audiovisuais e o Problema do Português Fundamental. Outros trabalhos: aqui.

 
Textos publicados pelo autor

Não se trata de amálgama. O vocábulo formou-se de imagem com a terminação -ética, que ocorre em numerosos outros, como poética, estética, sinalética, dietética, dialética, etc. Foi a analogia a causadora do fenómeno.

Actualmente, e segundo o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia das Ciências de Lisboa, tal o é para pronunciar-se aberto (embora átono). Contudo, numerosas pessoas proferem-no como ô, tal como eu, e conforme preceituado por João de Deus, em 1885, no Diccionario Prosodíco de Portugal e Brasil.

Claro que se devia dizer processual com e mudo e não aberto, o que provém de erro atribuído ao chamado pseudoeruditismo.

Os dicionários que têm transcrição fonética, o da Academia das Ciências de Lisboa e o Grande Dicionário da Língua Portuguesa, da Porto Editora, apresentam e aberto pré-tónico, apesar de a vogal se encontrar em sílaba átona. Actualmente, verifica-se uma tendência para abrir certas vogais pré-tónicas, sobretudo em posição inicial, como assinala António Emiliano (Fonética do Português Europeu, Guimarães Editores, 2009, pág. 378, n. 32). Mas, mesmo noutras posições, há casos como inflação (talvez por analogia com substantivos terminados em -cção), invasão, maximizar, empestar, nos quais o a átono não fecha ou o e átono não passa a mudo.

Edgar é palavra aguda, isto é, com o acento tónico na última sílaba (que, neste caso, é gar). Isto, claro, em português!

O emprego da preposição de (bem como das contracções do e da) nada tem que ver com a «suposta» regra que apresenta, mas com os antecedentes paternos. Por exemplo, eu tenho da Fonseca porque já meu pai assim fazia e assim me registou. Quem, por exemplo, estiver registado com Pinheiro de Oliveira tem de (deve) manter a preposição, sobretudo em documentos oficiais.