Sim, é possível transpor da passiva analítica para a passiva sintética* a primeira oração trazida pelo consulente, mas a segunda é bem mais problemática.
Antes, porém, é preciso saber que «ter de fazer» é uma locução verbal, por isso o verbo principal não varia no plural.
- Voz passiva analítica: «Os deveres têm de ser feitos até amanhã.»
- Voz passiva sintética: «Têm de se fazer os deveres até amanhã.»
Agora, a forma proposta pelo consulente, em que o sujeito paciente se desloca para o início da oração («Os deveres têm de se fazer até amanhã»), é possível e gramatical, mas pouco natural em estruturas de voz passiva sintética, pois esse deslocamento costuma ensejar uma possível leitura equivocada da função do se (que passa de apassivador a reflexivo), como se os deveres tivessem o poder de resolver a si próprios – o que certamente é uma interpretação absurda.
Já em «gostar de bonificar» não há locução verbal, pois o verbo gostar não é auxiliar. Se um se figurar junto a bonificar, torna-se reflexivo, pois o sentido assim o exige: «Os alunos gostam de se bonificar» forçosamente significa que eles gostam de bonificar a si próprios. A forma passiva analítica em «Os alunos gostam de ser bonificados», em tese, possibilitaria uma transposição para a voz passiva sintética. Contudo, ao transpormos, o sentido da frase se altera em comparação com a forma passiva analítica: em «Os alunos gostam de se bonificarem», o se já não é apassivador, e sim reflexivo ou reflexivo recíproco. Desse modo, parece que a única forma de manter o sentido original de «Os alunos gostam de ser bonificados» seria a forma desenvolvida da oração, o que implica ter o seu equivalente original não em forma reduzida, mas também em forma desenvolvida, a saber:
- Voz ativa: «Os alunos gostam (de) que os bonifiquem.» (Aqui a leitura de que o oblíquo os toma por referente «os alunos» é completamente possível e coerente.)
- Voz passiva analítica: «Os alunos gostam (de) que sejam bonificados.» (Aqui a leitura de que o sujeito da locução verbal é «eles» [«os alunos»] é completamente possível e coerente.)
- Voz passiva sintética: «Os alunos gostam (de) que se bonifiquem eles.» (Aqui a leitura de que o pronome reto eles é sujeito paciente é completamente possível e coerente.)
Sempre às ordens!
* Por ser brasileiro o consulente, foi empregada a nomenclatura gramatical do Brasil nesta resposta.