Gentílicos da Indochina e de Portugal, para um jornalismo desportivo de qualidade e o contacto do português com outras línguas - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
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Gentílicos da Indochina e de Portugal, para um jornalismo desportivo de qualidade e o contacto do português com outras línguas
Gentílicos da Indochina e de Portugal, para um jornalismo desportivo de qualidade
e o contacto do português com outras línguas
Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa 223

1.  Qual é o nome da capital do Camboja? A cidade é conhecida pela sua denominação internacional, Phnom Penh, embora exista o aportuguesamento Penome Pene, que consta do Vocabulário Toponímico do Vocabulário Ortográfico Comum (Instituto Internacional da Língua Portuguesa). Outra forma também se emprega, Pnom Pene, proposta pelo Código de Redação para o uso do português na União Europeia. E como se chamam os naturais ou os habitantes de Penome Pene? Além disso, continuando na Indochina, como designar quem mora ou nasceu em Hanói, capital do Vietname (Vietnã)? De repente, dá-se um salto até Portugal, onde igualmente surgem dúvidas com os gentílicos de localidades tão discretas como Foz do Arelho e Arelho. O Consultório responde a todas estas questões, que envolvem a toponímia e a formação de gentílicos, mas não fica por aqui e dedica ainda atenção a duas perguntas de sintaxe: diz-se «aborrecia-se por não fazer nada», ou «aborrecia-se de não fazer nada»? O que será mais correto: «analisando-se o documento, verifica-se...», ou «analisando o documento, verifica-se...»? Uma última dúvida: com que sinal de pontuação há de terminar uma frase introduzida pela locução «com que então»?

Na imagem, carta de António Sanches,1641, in Alfredo Pinheiro Marques, A Cartografia Portuguesa do Japão (Séculos XVI-XVII), Lisboa, Fundação Oriente, Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, Imprensa Nacional-Casa da Moeda,1996, p.223 (foto disponível em Bartolomé Leonardo de Argensola, A conquista das ilhas Molucas, em 22/02/2019). No centro da foto, a representação da Indochina, entre a China, a norte, e o arquipélago indonésio, a sul.

2. Uma referência a um apontamento no sítio do Clube do Jornalistas Futebol, em que o autor, João Alferes Gonçalves, chama a atenção para um recurso espanhol que pode bem ser um modelo de aconselhamento linguístico à atividade mediática. Trata-se do blogue Periodismo Deportivo de Calidad, que dá recomendações sobre aspetos da estilística do espanhol para melhorar a qualidade dos textos relacionados com a atualidade desportiva. Alguns exemplos: a expressão inglesa final four, que, melhor que «final a quatro», se dirá «fase final» ou «semifinal» (para o português, ler o comentário feito na Abertura de 21/01/2019); o cuidado a ter com a propriedade do uso de derechazo (= «direitada»), que, obviamente, não se aplica a quem for canhoto; o vocábulo machada (de macho, o mesmo que macho em português), a evitar, pelas suas conotações machistas, sobretudo quando hoje a modalidade é também praticada por mulheres. Sobre o vocabulário do futebol, leia-se, entre outros textos disponíveis em arquivo, o que já se escreveu no Ciberdúvidas: «Incidências do futebolês»O «dialecto luso» em futebolês; Viva o «futebolês»!; O futebolês entre a Eurocopa e a Copa América; "Internetês" e "futebolês" A origem e o significado do anglicismo derby (dérbi em português)" ; Futebolês... arasador«Amarrar a bola» ("futebolês"); "FUTEBOLÊS";  "O "futebolês, outra vez".

3. Mencionando alguns textos que promovem o conhecimento do português e da sua relação com outras línguas:

– Ainda a propósito do anúncio de um novo livro de Marco Neves, conhecido divulgador de temas linguísticos – falamos de Palavras que o Português Deu ao Mundo – Viagens por Sete Mares e 80 Línguas –, leia-se o texto de pré-publicação que este autor disponibilizou em 21/02/2019, no seu blogue Certas Palavras.

– A crónica que o linguista brasileiro Aldo Bizzocchi publicou em 19/02/2019, no seu blogue Diário de um Linguista, à volta das quilométricas palavras do alemão, quando confrontadas com as portuguesas.

4. Quanto aos temas principais dos programas produzidos pelo Ciberdúvidas para a rádio pública portuguesa, recordamos que, na presente semana, no Língua de Todos* (emitido pela RDP África) o destaque vai para uma entrevista com Cristina Vieira da Silva, professora da Escola Superior de Educação Paula Frassinetti do Porto, sobre o papel do conhecimento da gramática na formação de professores do 1.º e 2.º ciclos. No Páginas de Português** (na Antena 2), fala José Eduardo Franco, coordenador da obra Os Leitores Perguntam, O Padre António Vieira Responde, para dar a conhecer o essencial do pensamento universalista do «Imperador da Língua Portuguesa».

Língua de TodosRDP África, sexta-feira, 22 de fevereiro, 13h15, com repetição no sábado, dia 23 de fevereiro, depois do noticiário das 9h00.

** Páginas de PortuguêsAntena 2, 24 de fevereiro, 12h30, com repetição no sábado seguinte, dia 2 de março, pelas 15h30. Hora oficial de Portugal continental, ficando ambos os programa disponíveis posteriormente, aqui e aqui. 

5. Um registo final, de pesar, pelo falecimento do historiador goês Teotónio R. de Souza (1947-2019). Residente em Lisboa desde 1995, onde era professor catedrático na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, o Ciberdúvidas teve o privilégio de contar com a sua qualificada colaboração***.

*** Da colaboração de Teotónio R. Sousa (1947-2019) no Ciberdúvidas destacamos estes 16 artigos da sua área de especialização: Acompanhando a lusofonia em GoaNos 200 anos do nascimento do orientalista português Cunha Rivara«O que interessa é a Língua Portuguesa e não a Língua à portuguesa»Gilberto Freyre na Índia e o “luso-tropicalismo transnacional”O caso de GoaOs Descobrimentos e eu ... (8)Os Descobrimentos e eu ... (7)Os Descobrimentos e eu ... (6)Os Descobrimentos e eu ... (5)Os Descobrimentos e eu ... (4)Os Descobrimentos e eu... (3)Os Descobrimentos e eu... (2)Os Descobrimentos e eu… (1)Portugal e Vasco da Gama nas redes dos nautas e cibernautasA literatura indo-portuguesaOs portugueses no folclore goês.