O uso impróprio da palavra ditadura, a desarmonia do engajar, os estrangeirismos e os empréstimos a outras língua - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
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O uso impróprio da palavra ditadura, a desarmonia do engajar, os estrangeirismos e os empréstimos a outras língua
O uso impróprio da palavra ditadura, a desarmonia do engajar,
os estrangeirismos e os empréstimos a outras língua
Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa 317

1. A impropriedade do uso da palavra ditadura na expressão «a ditadura da pobreza», usada no subtítulo de uma notícia da rádio TSF, dá o mote ao apontamento de Ana Martins, consultora do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa e responsável da Ciberescola da Língua Portuguesa. Denuncia-se, deste modo, um uso que conduz ao esvaziamento de uma palavra que urge ser preservada para que possamos sempre reconhecer inequivocamente a realidade hedionda que evoca (disponível em O Nosso Idioma).

Na primeira ilustração, pintura de Elza Carvalho (Não ver, não ouvir. 2011

2. Ainda na rubrica O Nosso Idioma, o uso de palavras como engajar ou engajamento é pretexto para uma crónica de Carla Marques, consultora do Ciberdúvidas, num texto onde reflete sobre a falta de afetividade que caracteriza a relação dos falantes com as palavras de sonoridades feias.

3. Na presente atualização do Consultório, encontramos dúvidas que convocam áreas muito diversificadas: a ortoépia (a pronúncia da palavra hemóstase), a lexicografia (licitude do termo monotético), a classe de palavras (restrito é exclusivamente adjetivo?), a sintaxe («Diz-se «faz-me sentido»?», «Quando se usa «por o arco-íris» e «pelo arco-íris»?» e «Como se combina o constituinte «altas horas» com as preposições a ou até?») e o texto (coesão referencial e lexical). 

 4. Os estrangeirismos têm incomodado desde sempre os defensores mais puristas da língua, que procuram soluções para que se fale bom português. Porém, até os escritores mais reputados não conseguiram resistir aos estrangeirismos, como nos conta Carlos Maria Bobone, num texto que faz uma viagem por vários gramáticos, publicações e propostas que, ao longo dos tempos, procuraram corrigir erros e resolver os problemas colocados pelos usos de empréstimos lexicais (artigo transcrito do jornal digital Observador, com a devida vénia).

5. Destaque para duas novidades editoriais na área da linguística: 

Marcos Neves, tradutor e docente universitário, lança no início de março uma nova obra, Palavras que o português deu ao mundo (Edições Guerra e Paz). Uma obra que parte em busca das palavras que a língua portuguesa emprestou ao mundo: da Inglaterra às Maldivas, passando pela Roménia e pelo Japão, entre outros (pré-lançamento disponível no blogue do autor);

— O lançamento, em março, da Nova Gramática do Latim, da autoria de Frederico Lourenço, professor universitário, autor e tradutor da bíblia para português. Uma obra com a chancela da Quetzal que invoca o ensino do latim e o interesse pela língua como motivos para a sua publicação (notícia aqui).

6. Dois apontamentos relacionados com a promoção da língua:

— Uma nota para o início da 20.ª edição do Correntes de Escrita, encontro dedicado à literatura e à escrita que teve início na Póvoa de Varzim e que se prolonga até dia 23 do mesmo mês. Um encontro maior e um marco na defesa da língua portuguesa e da sua literatura que conta com a presença de inúmeros autores. Neste encontro, foi já anunciado que distinguiu, entre doze finalistas, o escritor Luís Quintais, com o livro A noite imóvel(notícia aqui);

— O projeto que envolve os Institutos Camões e Cervantes com o objetivo de mostrar e promover o poder das línguas ibéricas. A propósito desta parceria, Luís Faro Ramos, presidente do Instituto Camões, defendeu que o objetivo é mostrar que “o português e o espanhol que, por si só, já valem muito – o português com mais de 260 milhões de falantes, o espanhol com mais de 300 milhões – se se juntarem e procurarem sinergias valerão ainda mais”. (notícia aqui)

7. Temas  dos programas produzidos pelo Ciberdúvidas para a rádio pública portuguesa, na presente semana:

– No Língua de Todos* (emitido pela RDP África) passará uma entrevista com Cristina Vieira da Silva, professora da Escola Superior de Educação Paula Frassinetti do Porto sobre a formação de professores do 1.º e 2,º ciclos, no domínio do português.

– E no Páginas de Português** (na Antena 2) José Eduardo Franco, coordenador da obra Os Leitores Perguntam, O Padre António Vieira Responde, dá-nos a conhecer o essencial do pensamento universalista do «Imperador da Língua Portuguesa».

Língua de TodosRDP África, sexta-feira, 22 de fevereiro, 13h15, com repetição no sábado, dia 23 de fevereiro, depois do noticiário das 9h00 + Páginas de PortuguêsAntena 2, 24 de fevereiro, 12h30, com repetição no sábado seguinte, dia 1 de março, pelas 15h30. Hora oficial de Portugal continental, ficando ambos os programa disponíveis posteriormente, aqui e aqui.

8. Renato Borges de Sousa (1935 – 2019) foi um denodado amigo da língua portuguesa, a cuja promoção pelo mundo fora dedicou toda a sua vida. Com profundo pesar, deixamos o registo do seu recente falecimento, em Lisboa, com o essencial do que lhe ficamos gratos para sempre. Com particular realce para as 20 edições da  Expolíngua Portugal  – Salão Português de Línguas e Culturas.