«Ser um trinta e um», futuro para o português, Nélida Piñón, sonhar, predicativo do sujeito e travessão
1. Em Portugal, a transição do século XIX para o século XX e, depois, as décadas de 20 e 30 foram marcantes do ponto de vista político e cultural, não ficando a língua alheia à mudança. Em O Nosso idioma, a consultora Inês Gama dedica um apontamento às expressões idiomáticas com forte difusão, fixação ou novo sentido nessas décadas turbulentas.
A grafia de «trinta e um», nas acções de «tumulto, revolta», pode revelar-se problemática. Com efeito, os dicionários da Infopédia e da Priberam registam trinta-e-um com hífen, quando se trata do uso nominal. No entanto, como se trata de uma forma com uma elemento de ligação, não se justificará a hifenização e, portanto, o nome escreve-se como o numeral «trinta e um», ou seja, como uma locução (cf. n.º 6 da Base XV do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990).
2. A passagem de mais um Dia Mundial da Língua Portuguesa foi oportunidade para muitos eventos e declarações, mas será que no dia a dia se prepara o futuro do português, como idioma internacionalmente relevante? Há quem critique a falta de uma política para a língua e até fale de inércia no atual panorama. Tal é a posição de Miguel Copetto, presidente da Associação Portuguesa de Ensino Superior Privado, num artigo de opinião incluído no jornal Público (20/05/2026) e partilhado com a devida vénia na rubrica em Lusofonias.
3. A romancista brasileira Nélida Piñón faleceu no final de 2022, mas a sua voz ainda ressoa, como é o caso de um depoimento publicado nas páginas das redes sociais que lhe são dedicadas e que se transcreve na Antologia. Declara a escritora: «Esta língua [...] está em nós, de tal forma incrustada em nós, que não viveríamos sem ela.»
4. Os sonhos são caprichosos e o verbo sonhar também, pelo menos, no concernente à sua compatibilidade com as preposições. A sintaxe deste verbo é um dos tópicos em dúvida no Ciberdúvidas, onde também a sintaxe e a semântica motivam outras dúvidas: "Sozinho vs. individual", "Colocação pronominal depois de tal", "A grafia de 'bem remunerado'", "A construção 'tanto... como/quanto'", "A palavra gandula", "Quando condicional", "Etimologista e etimólogo", "Modalidade epistémica: Reza a lenda...", "'O quê' e 'o que' (Brasil)", "Pronúncia: trânsito e subsolo", "O aforismo 'pode-se triar o homem da lama, mas não tirar a lama do homem'" e "Pelo no começo de uma oração (arcaísmo)".
5.Em "O Ciberduvidas vai às escolas", recupera-se o episódio 2, no qual se fala de critérios para identificar o predicativo do sujeito. Na rubrica em vídeo "Ciberdúvidas responde", a consultora Carla Marques dá conselhos para o uso do travessão, que não tem de ser indício de recurso preguiçoso à Inteligência Artificial.
6. Outros conteúdos disponíveis entre 18 e 19 de maio: "Quem Rasgou os Meus Lençóis de Linho?, de Dora Gago" (18/05, texto de apresentação de Lídia Jorge), "A dialética da vingaancinha" (18/05), "A diferença entre 'a ver' e 'a haver'" (19/05), "Trump errante ou errático?" (19/05), "Português, língua do amor" (19/05),
7. Um lembrete sobre os programas Língua de Todos e Páginas de Português, produzidos pela Associação Ciberdúvidas para a rádio pública de Portugal: têm emissão de sexta a domingo na Antena 2, e desta vez os temas em foco são as dúvidas que decorrem nos usos diários da nossa língua comum e o desenvolvimento de modelos de IA para o português. Mais informação na página principal e nas Notícias.
8. Outros registos:
– «Não podemos dizer que haja um português correto» – defende a linguista e professora universitária Isabel Margarida Duarte, em Minuto U. Porto, uma rubrica vídeo da Universidade do Porto, para assinalar o Dia Mundial da Língua Portuguesa de 2026, realçando o atual pluricentrismo da língua portuguesa.
– O verbo soer, o advérbio asinha e a conjunção subordinativa causal ca são os arcaísmos a que Marco Neves dedica um vídeo nas redes sociais (ver Facebook, 19/05 e Instagram).
– No Brasil, em 21/05, celebrou-se o Dia do Profissional de Letras, dedicado a quem desenvolve atividade no ensino de línguas, na revisão de texto ou na linguística.
