«Estamos à altura da língua que temos?» - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
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«Estamos à altura da língua que temos?»
«Estamos à altura
da língua que temos?»
Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa 586

A pergunta – e a resposta subsequente – é do deputado português José Ribeiro e Castro, no artigo-reflexão que, com data de 31 de maio p .p., publicou no Diário de Notícias. Fica igualmente disponível na rubrica Controvérsias, conjuntamente  com outros seus textos e iniciativas1 sobre «o último acto de um dossiê deplorável»:

«Portugal [aceitou] desqualificar o Português na União Europeia, pela imposição de uma troika linguística no regime europeu de patentes: Inglês, Francês e Alemão. É o Acordo relativo ao Tribunal Unificado de Patentes, há semanas aprovado pela Assembleia da República, que abortou a discussão para impor o inaceitável.

A coisa não tem defesa possível. Ninguém surge a defendê-lo com argumentos transparentes, que façam sentido. E os agentes da coisa apressaram-se a amordaçar e interromper o processo parlamentar, não fosse a coisa desandar.

O sector é contra. A indústria é contra. Não temos vantagens económicas – um estudo da DeLoitte demonstra os inconvenientes e riscos. O acesso à Justiça fica mais desigual e caríssimo. Os linguistas são contra. O sistema é de tal tipo, que podemos beneficiar dele sem sermos parte, isto é, mantendo as patentes em Português em Portugal. Em suma: não temos vantagem; não temos interesse; e os nossos direitos fundamentais são atropelados. Então, como é que isto sucede? Deve haver certamente alguns cheios de dores nas pernas e costas de tanto andarem de cócoras.»

1 Entre essas iniciativas, avulta o apelo-petição ao Presidente da República portuguesa, Em defesa da Língua Portuguesa na União Europeia. Ver ainda Cidadãos recorrem a Cavaco para defender a Língua Portuguesa.

A propósito de José Ribeiro e Castro – ele que, há um ano, foi o principal promotor do Manifesto 2014, que assinalou os oito séculos da língua portuguesa, em alusão ao mais antigo documento oficial conhecido em língua portuguesa, o testamento de D. Afonso II –, fica a informação sobre o concerto de encerramento das Comemorações dos 8 Séculos de Língua Portuguesa, uma iniciativa promovida pela associação com o mesmo nome, presidida por Maria José Maya. É no sábado, dia 4/07, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa. Os pormenores do espetáculo e dos artistas envolvidos podem ser colhidos aqui.

Nesta pausa da sua atividade regular – que, pelas razões já aqui expostas, se prolongará excecionalmente até 1 de setembro –, deixamos uma referência, ainda, aos temas dos programas de rádio produzidos pelo Ciberdúvidas, da semana corrente. Língua de Todos [RDP África, nos dias 3 e 4/07, depois dos noticiários das 13h00 e das 09h00*, respetivamente] ouviu uma especialista no ensino do português como segunda língua, em contexto africano: a professora da Universidade de Aveiro Helena Ança. E Páginas de Português (Antena 2, domingo, dia 5/07, 17h00*) passa uma entrevista com o professor galego Manuel Ferrreiro, coordenador do Glossário da poesia medieval galego-portuguesa; e, ainda, um comentário crítico da professora Maria Regina Rocha ao exame final de Português do 12.º ano do ensino secundário, em Portugal.

Hora oficial de Portugal continental, ficando também disponível via Internet, nos endereços de ambos os programas.