A expressão «estar à porta», 20 regionalismos de Portugal, o português a perder-se no Porto e o inglês a ganhar pelos dicionários - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
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A expressão «estar à porta», 20 regionalismos de Portugal, o português a perder-se no Porto e o inglês a ganhar pelos dicionários
A expressão «estar à porta», 20 regionalismos de Portugal,
o português a perder-se no Porto e o inglês a ganhar pelos dicionários
Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa 299

1. «Estar à porta» é um uso mais correto do que «estar na porta»? A resposta não poderá ser categórica, como se observa no Consultório, que recebe ainda mais perguntas: como se usam os verbos indagar e abismar? Na frase «a personagem principal é a Sementinha», o predicativo do sujeito é realizado por que expressão? Como analisar e classificar os sintagmas «encontro de cientistas» e «encontro científico»? E por que razão se escreve coletânea (ou colectânea), e não "coletânia", quando na terminação da palavra se ouve um /i/?

2. «És muito lambriosa» e «delinga aí essas cordas» são frases portuguesas, sem dúvida, mas que quererão dizer o adjetivo lambriosa e o verbo delingar? Em O nosso idioma, revela-se o significado destes e de outros 18 regionalismos graças à jornalista Inês Ribeiro, que os recolheu com a colaboração da professora universitária e linguista Esperança Cardeira (Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa), para depois os listar e comentar num trabalho publicado em 2/05/2019 no magazine digital Magg.

3. A cidade do Porto tem sabido satisfazer a procura turística massificada, mas arrisca-se a perder a alma e... a língua portuguesa. É o diagnóstico sombrio da jornalista Catarina Pires num texto publicado no Diário de Notícias de 6/05/2019 e agora também disponível no Pelourinho.

4. Na rubrica Diversidades, com a devida vénia se transcreve do blogue Certas Palavras um apontamento de Ricardo Cartaxo, engenheiro eletrotécnico, que apresenta algumas curiosidades sobre a língua chinesa, explicando os processos cognitivos que estão na base da formação dos nomes dos dias da semana ou de expressões como «Cuidado!» ou semáforo.

5. Entre as notícias do continente africano, registem-se:

 – a mensagem emitida pelo ministério da Educação de Angola, que pretende ver refletidos aspetos das línguas bantas nacionais no Acordo Ortográfico de 1990, «para que a realidade da linguística portuguesa de Angola possa ser retratada nas gramáticas contemporâneas»;

 – na África do Sul, as sextas eleições gerais multirraciais que se realizam neste dia, 8/05/2019, 25 anos depois daquelas em que foi eleito Nelson Mandela.

Sobre a África do Sul, leiam-se os seguintes artigos e respostas: "Pronúncia do nome de uma língua da África do Sul: xhosa" ; "Africâner / africanês"; "Aprender português na África do Sul... ou por videoconferência"; "Mandela (1918 – 2013)"; "A mensagem que nos entrou diretamente no coração"; "'Em África' e 'na África'".

6. A elaboração de um dicionário exaustivo, para uso geral, é sempre um marco de enorme importância na afirmação política e cultural de um idioma. A este respeito, a lexicografia inglesa tem dado exemplos de trabalho árduo e prolongado, com o seu quê de obsessivo. Vem, pois, a propósito mencionar aqui a estreia nas salas de de cinema portuguesas do filme O Professor e o Louco, uma adaptação do livro com o mesmo título, escrito pelo jornalista inglês  Simon Winchester, que conta a história de como foi criado o Dicionário Oxford, em 1857. Graças a dois homens excecionais – o irlandês James Murray (interpretado no filme por Mel Gibson), um professor sem estudos universitários mas com uma paixão desmedida pela sua língua, que aceita o desafio de criar o dicionário mais abrangente de sempre feito até então, com uma citação para ilustrar os vários significados de cada palavra; e o cirurgião William Chester Minor (com  Sean Penn nesse papel), um veterano da Guerra de Secessão americana condenado por assassínio e preso num hospital psiquiátrico. O projeto – que demorou 40 anos a ser concluído, da letra A à letra Z  –  assentou numa rede de filólogos amadores que, voluntariamente, compilaram e foram enviando palavras dos livros que iam lendo. Coube a W.C. Mirror o principal contributo, com mais de dez milhões de definições.

7. A situação linguística de Cabo Verde é o tema focado pelo programa Língua de Todos, transmitido pela RDP África na sexta-feira, 10/05/2019, depois do noticiário das 13h00* (com repetição no dia seguinte, pelas 9h15*), numa entrevista à professora Ana Josefa Cardoso, responsável por um projeto de bilinguismo no Agrupamento de Escolas do Vale da Amoreira (Moita, Setúbal). No programa Páginas de Português, que vai para o ar na Antena 2, no domingo, 12/05/2019, às 12h30** (com repetição no sábado seguinte, dia 18 de maio, às 15h30**), a linguista Mafalda Mendes, investigadora do CELGA/ILTEC, retrata uma experiência pedagógica com alunos do 1.º ciclo de algumas escolas de Coimbra, à volta do contributo da construção de diálogos para o desenvolvimento de competências de escrita de textos narrativos. 

 ** Hora oficial de Portugal continental, ficando os programas  Língua de Todos e Páginas de Português disponíveis, posteriormente, aqui e aqui.