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Mandela
Mandela
«Morreu o melhor dos seres humanos.»

 

 

Uma árvore subiu, escreveu Rilke nos Sonetos a Orfeu. Nelson Mandela é agora a Grande Alma que paira sobre nós, a incandescência do Puro Espírito. Que a África do Sul e o Mundo mereçam este barro humano que se moldou no incêndio da História do seu Povo, no de África e de todos os continentes.

Tudo se disse e ele disse tudo, melhor do que ninguém: a sua autobiografia, as cartas de prisão o discurso de Rivonia, quando fez a defesa da luta do ANC contra o apartheid. Arriscava a pena de morte, sofreu a prisão perpétua.

País vizinho de Moçambique e, de alguma maneira de Angola, a luta do povo sul-africano ficou impregnada de algumas das palavras de ordem utilizadas pelos movimentos de libertação: «A Luta Continua», o «Viva», muitas outras. Resistentes sul-africanos, refugiados em Luanda e Maputo, aprenderam a língua de  Luandino e de José Craveirinha, de Camões também. Mandela conhecia isso tudo. Ao lado de Graça Machel, sua esposa, terá ouvido muitas vezes a “falagem” do português moçambicano. Tinha, em Maputo, uma segunda casa.

Todas as línguas podem exprimir a Liberdade. Nelson Mandela aboliu a maldição de Babel.   

 

 

 

[Outros textos do Autor aqui e aqui]

Sobre o autor

Luís Carlos Patraquim (Maputo, 1953), jornalista, poeta, escritor e roteirista moçambicano, com diversificada obra publicada. Por exemplo, Monção (Edições 70 e Instituto Nacional do Livro e do Disco de Moçambique, 1980), A Inadiável Viagem (ed. Associação dos Escritores Moçambicanos, 1985), Mariscando Luas (Editora Vega, 1992), Lidemburgo Blues (Editorial Caminho, 1997), O Osso Côncavo e Outros Poemas (Lisboa, Editorial Caminho, 2005), Pneuma (Editorial Caminho, 2009) e A Canção de Zefanías Sforza (Porto Editora, 2010).